Quando o teu filho te leva para caminhos inesperados …

“És burra, és burra, és burra, és burra…”, dizia a minha voz interior.

“Não vales nada, não mereces nada, ….” , continuava ela.

Não, não posso mostrar isso aos outros. Não posso. Vamos lá beber uns copos… vamos lá fazer umas compras… vamos lá comer porcarias… vamos lá fugir…

E aquilo até resultava durante algum tempo – mas, raio, merda, era efémero.

Depois nasceu o meu primeiro filho. E a grande esperança!

Era ele, era ele, que ia provar que não era o que pensava ser, era ele que ia preencher o tal vazio. Ele ia ser o melhor! O melhor em tudo!

Ele ia ser o agente responsavél por finalmente provar que a minha voz interior estava errada. E durante uns tempos até aconteceu isso. Nasceu perfeitinho: lindo, gordinho, fofinho … tudo conforme as minhas expectativas…

Até um dia… que ele escangalhou e destruiu por completo o que tinha planeado.

Mas abdicar deste sonho não foi fácil . Chorei tanto… Tive tanta raiva… Ainda tentei pressioná-lo para ser conforme o que sonhei inicialmente… mas não, o miúdo desfiava-me cada vez mais. Era uma batalha, uma verdadeira batalha!

“Porquê? Porque é que não podia ser tudo mais simples?” – indignava-me, enraivecia-me, vitimizava-me.

E ele, a partir da sua postura que me parecia desafiante e indiferente, comunicava-me: “Estás a depender de mim para gostares de ti? Não Mãe, eu não tenho essa missão, vais ter ser melhor do que isso.”

Resisti, resisti, resisti, resisti mas ele não me dava tréguas.

Suspiro longo… e finalmente percebi: vou ter que encontrar outro meio de lá chegar – ao amor-próprio.

A responsabilidade não era dele, era minha, o peso que estava a colocar em cima de uma criança…

Naquela altura não tinha consciência, não tinha, e fiz o melhor que pude.

Mas a partir do momento em que ganhei a dita não me restou outra saída: tive de ir … tive de ir à caverna … não me sobrou outra hipótese…

Os desafios, as teimosias, os comportamentos dos nossos filhos como reagir?

Dói muito ao princípio.

Dói, dói, dói. Tu querias que ele fosse diferente. Não era isto que tinhas planeado.

Perguntas muitas vezes: mas “porquê eu? porquê a mim?”

Depois há uma encruzilhada e tens que decidir: 
– ou ficas no teu “pedestal”, com as tuas crenças habituais e te desconectas do teu filho;
– ou paras, segues o teu instinto e vais à procura de respostas. Aqui não há rede, estás perdido e, às vezes, sozinho. 
(No meu caso, tinha a Maria.)

Eu escolhi a segunda opção. E tu?

Continua a doer. Custa. Não é fácil. Não é nada fácil. Não tens certezas de nada. Aqui pões tudo em causa, inclusive o que pensas que és. Chegas a perder a tua identidade ou pensas tu. Mas pelo teu filho vais. 

Durante um tempo andas à deriva. Mergulhas até aqueles locais sombrios do teu ser, revisitas lugares que pensavas já esquecidos, feridas que pensavas já saradas. Mas pelo teu filho vais. 

Às vezes ficas farta de conviver com esses fantasmas, gostavas de voltar a ser quem eras dantes mas já não dá. Já não dá para voltar atrás. Dói mas pelo teu filho vais. 

Muitas vezes parece que estás no meio de uma tempestade em pleno mar alto. Daquelas mesmo escuras e assustadoras, com tufões à mistura. Para conseguires sobreviver só te resta flutuar que é como quem diz: confiar. Em quê? Não sabes. Só te resta mesmo isto: confiar. Confiar no que vier, independentemente do que for. Mas pelo teu filho confias.

E é então que, sem nada onde te agarrares, começas a fazer algo que nunca fizeste: ouvir o teu coração. E este Senhor diz-te o caminho a fazer. De vez em quando achas que não faz sentido (o raio da mente) mas o sentido habitual deixa de ter lógica e pelo teu filho ouves.

O teu filho e os seus desafios…
Se estiveres recetivo e atento
Ele leva-te a lugares nunca antes pensados.
Ele encaminha-te para rumos nunca antes equacionados
Ele traz-te presentes nunca antes desembrulhados
E sem querer, pum: estás mais próximo daquilo que és. Da tua Essência, da tua Verdade.

É o meu desejo para ti: que te aproximes mais de quem és realmente. Que sejas mais e mais Verdade. Dói mas pelo teu filho vai! É que chega uma determinada altura do caminho que já não é pelo teu filho que vais: é por ti. E isso é brutal!

O que eu te quero dizer: que está na hora, está na hora, de não responsabilizares mais o teu filho pelo que queres, pelo que sentes, pelo teu amor-próprio.

O teu filho desafia-te? Que caminho vais escolher: vais ficar no teu “pedestal”, com as tuas crenças habituais, desconectando-te dele ou vais parar, seguir o teu instinto, e procurar novas respostas? A chave para uma relação mais harmoniosa com o teu filho está na tua mão. 

Está na hora, está na hora, de construíres uma relação autêntica com o teu filho. A oportunidade é Agora!

Se escolheres a segunda opção envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com e requisita uma sessão introdutória de 1H comigo via skype ou telefone para conversarmos sobre isso.

Um abraço consciente,

Carla Patrocínio

Coach Parental, Especialista em Famílias Agitadas

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Qual a maior lição que o teu filho te ensinou?

Eu tinha medo de me expor. Ao contrário do que possa parecer, eu tinha muito medo de mostrar quem realmente era – a minha essência. Existiam partes de mim que escondia, inclusive de mim própria. Tinha medo de as mostrar com vergonha, sim vergonha, do que poderiam achar. Hoje, não vou mentir, o medo continua cá mas agora já não me bloqueia: observo-o e atravesso-o. E isto devo-o aos meus filhos. Cada um, à sua maneira, tem-me ensinado a viver assim: a Vida com Ousadia!

Se tivesse que resumir em apenas uma frase a maior lição dos meus Mestres seria esta: Viver a vida com ousadia.

Se há uns anos me fosse possível programar a vida do meu filho, Gui, ele seria o melhor em tudo – o melhor aluno, desportista, dançarino, músico, comunicador, … E talvez tudo fosse mais fácil (o meu ego pelo menos ficaria muito contente) mas … não viveria a vida com ousadia.

Claro que viver a vida com ousadia não é fácil. Há momentos que te sentes a rasgar por dentro. Há momentos que colocas tudo em causa. Há momentos de medo, ansiedade, dúvida, desespero… Há momentos que parece tudo confuso até que … voltas a respirar e percebes que está tudo bem.

O filho ensinou-me isto. Apesar do medo, avança. Apesar do que os outros pensam, avança. Apesar do que tu pensas, avança. E apesar do caos, está tudo bem. 

Mas isto foi/é uma escolha. Isto exigiu (e) esforço, trabalho, persistência.

Poderia ter escolhido outro trilho.

Poderia ter continuado a pressioná-lo para ele ser conforme as minhas expectativas.

Poderia ter continuado a controlá-lo para agradar aos outros.

Poderia ter continuado a querer ser alguém através dele.

Poderia ter continuado a querer que ele cumprisse os meus sonhos.

Poderia ter continuado a compará-lo, menosprezá-lo, criticá-lo, castigá-lo por ser como é.

Poderia ter continuado com discussões constantes.

Poderia ter continuado agarrada à perfeição.

Poderia ter continuado a sentir-me vítima da situação.

Poderia ter continuado a sentir vergonha, culpa, desespero, ansiedade.

Poderia ter achado que não me restava nenhuma saída senão “domar” o meu filho agitado, ansioso, desconcentrado, teimoso, …

Poderia sim.

Mas depois de anos a procurar fora, sem grandes efeitos, decidi virar-me para dentro. E nesse local percebi: era eu, era eu, que tinha de mudar de “lentes”.

O meu filho não tinha de ser mais quieto e calado

O meu filho não tinha de ser mais sério e introvertido

O meu filho não tinha de ser mais atento e obediente

O meu filho não tinha de ser igual a ninguém

O meu filho não tinha de encaixar em nenhum padrão

O meu filho só tinha simplesmente de ser tal como ele era!

Respeitando os outros como tal como eram.

Tal como eu! Eu também não tenho que ser de outra forma. Ao aceitá-lo, aceitei-me.

O meu filho só tinha simplesmente de ser tal como ele era!

Tal como tu, tal como teu filho!

O meu filho ensinou-me a viver assim: a viver a vida com ousadia.

E viver com ousadia é acreditar num mundo onde todos podemos ser quem somos tal como somos – onde todos temos necessidades especiais, onde todos temos talentos únicos e originais, onde todos temos algo e não falta de algo, onde vamos para além do que é visível, onde confiamos e acreditamos no potencial de cada um, onde não nos conformarmos porque “é assim e não há nada a fazer”, onde desvendamos sempre uma saída, onde não nos deixamos engolir pelo sistema, onde acreditamos no AMOR !

E sim, poderão chamar-me de louca, mas vou empenhar-me nisto com amor e paixão. E sim, sei que vai haver sangue, suor e lágrimas. E sim, sei que vou errar e sofrer desilusões. E sim, sei que vou ouvir críticas e repreensões. Sei disso tudo, mas os meus filhos não me deixam nenhuma hipótese, senão esta: viver a vida com ousadia.

E tu, qual foi a maior lição que o teu filho te ensinou? E tu, vives a vida com ousadia? 

Caso te queiras juntar a este movimento então envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com e requisita uma sessão introdutória de 1H comigo via skype ou telefone para conversarmos sobre isso.

Um abraço ousado,

Carla Patrocínio

Coach Parental, Especialista em Famílias Agitadas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como ajudar o meu filho ansioso?

Filho – Mãe estou com medo e se tiver uma “branca” no teste?

Mãe – E se tiveres, qual o pior que te pode acontecer? 

Filho – O pior é ter negativa no teste.

Mãe – E ?

Filho – Hum… acho que não vou ter nenhuma branca. 

Este diálogo há uns anos poderia desenrolar-se e ter um fim muito diferente. A resposta à sua pergunta poderia ir desde negar o seu medo (Claro que não vais ter nenhuma branca!),  ameaça-lo com castigos (Se tiveres branca não há IPad) até expandir o seu receio (Atenção no teste que podes chumbar o ano!). Afirmações “pólvora” para o desencadear da dita ansiedade.

Hoje em dia relativizo estas questões e tento sempre colocá-lo no pior dos cenários que para que ele perceba que afinal tudo está bem. E não pensem que o meu filho é um aluno com notas XPTO. É sempre tudo muito incerto: altos e baixos sem possíveis previsões. Mas há uns anos não o conseguia. O medo apoderava-se de mim: do que poderia acontecer no seu futuro. A minha mente construía uma série de cenários catastróficos: “ele ia chumbar!”, “ele não ia aprender”, “ele seria um adolescente com muitas dificuldades”, “ele seria um adulto muito infeliz” e blá, blá, blá …. E dessa forma – por medos meus – o meu filho começou a perceber que existiam razões para se preocupar, para também ter medo. E assim conheceu a Sra. Ansiedade.

E o exemplo que dei foi apenas uma das muitas situações em que o medo dominava a nossa relação. Existia uma pressão constante, que na altura não tinha consciência, que exercia ao meu filho pelas mais diversas razões.

A verdade e que vivia com medo, a antecipar futuros dantescos, a achar que a vida não era de confiança.

Posso dizer que, sem falsa modéstia, sou especialista neste assunto – da ansiedade. Porquê?

Porque se existe uma palavra que sempre se colou a mim desde tenra idade foi essa mesma: ansiedade. E claro que o meu filho como espelho fidedigno da sua mãe seguiu o seu exemplo. Os primeiros anos da sua vida existiu algo que desmascarou imediatamente esse padrão, para além da sua agitação e impulsividade – a sua gaguez. Teve quase 5 anos de terapia da fala até que um dia a terapeuta me disse que já não havia nada a fazer, que a sua disfluência era provocada pela ansiedade e que só quando fosse adulto e aprendesse algumas técnicas de relaxamento a conseguiria ultrapassar.

Comecei então a pesquisar qual seria a melhor forma de o ajudar: yoga, meditação, apoio psicológico, … Tentei um pouco de tudo mas não vi grandes alterações.

Só depois de um longo caminho – de muita procura por respostas – percebi. O ultrapassar daquela situação começava em mim: como poderia o meu filho deixar de ser ansioso se tinha uma mãe ansiosa? Se a pessoa que era o seu modelo vivia com um medo constante do futuro?

O olhar para as minhas feridas, o abraçar a minha criança, o perdoar os meus pais, o dar sentido à minha história, o reconhecer e aceitar quem sou com tudo o que sou, o saber desfrutar do momento presente – tudo isto me trouxe o que há muito (desde tenra idade) ansiava: paz.

Isto não quer dizer que agora seja um modelo de serenidade como vimos nos retiros da Índia, não. Continuo a ser aquela pessoa que era – agitada, expansiva, proativa – mas sem essa emoção que me corroía e me fazia tratar mal. A minha essência continua cá mas agora sou feliz!

Atualmente esse problema da gaguez do meu filho já não existe. E poderão perguntar-se, sendo eu facilitadora de mindfulness e meditação para crianças, se não lhe ensinei algumas práticas que aprendi nestas formações. Claro que sim, mas essencialmente foi o meu exemplo que ele seguiu. Ele viu que eu lhe estava a ensinar era congruente com o meu comportamento. Que não eram só balelas, entendem? As crianças têm de ver esta ligação entre boca e coração para realmente aprenderem.

Por isso, antes de quaisquer práticas para trabalhar a ansiedade com as crianças temos de olhar para nós e questionarmo-nos: somos ansiosos?

E atenção à resposta, porque se há pessoas que se notam a milhas que são, há outras que, por debaixo de uma capa de aparente calma, existe um verdadeiro furacão prestes a entrar em erupção.

Então a resposta à pergunta – “Como ajudar o meu filho ansioso?” –

É simples: dando o exemplo. 

Como podemos fazer isso?

Começando a trabalhar a nossa própria ansiedade.

Se te reveste neste artigo e estás disposta a iniciar este processo podes começar a pensar nestas questões e enviar-me um email com as respostas:

  • Que situações parecem desencadear a minha ansiedade/ preocupação?
  • Que situações me fazem sentir mais ansiosa?
  • Como o meu corpo responde fisicamente a esta emoção? Observa!
  • Na minha comunicação existem algumas palavras, frases ou gestos que demonstram ansiedade? Observa!
  • Existe ansiedade na minha árvore genealógica? Como é que isso afetou a minha própria ansiedade?

O meu filho, Gui, de 11 anos de idade, às vezes, goza com as práticas de Mindfulness que tento transmitir-lhe mas depois presenteia-me com estas pérolas que me indicam: continua, é por aqui o caminho.

Gui – Mãe hoje uma amiga arranhou-me no ombro porque eu lhe disse que ela tinha cometido falta no jogo de basquetebol. Apeteceu-me mesmo bater-lhe.
Mãe – E o que fizeste?
Gui – Não lhe bati. Fiz aquela respiração que me ensinaste e que costumas fazer- a prática STOP – e consegui acalmar-me. Depois disse-lhe para não voltar a repetir.

E assim, através do meu exemplo, vai construindo um caminho com menos medo e mais confiança e capacidade de regular as suas emoções.

Mas tudo começa em nós.

E  tu, como respondes ao teu filho quando ele faz alguma coisa que o pode levar ao fracasso – com ansiedade ou serenidade, com medo ou confiança? 

A tua resposta a esta pergunta revelar-te-á se estás ou não a passar-lhe ansiedade.

Se quiseres dar continuidade a este processo e dar a volta à ansiedade do teu filho basta enviares-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com.

E sim, é possível Confiar na Vida!

E sim, é possível ajudares o teu filho a Confiar na Vida!

Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

Como as birras – as da mãe – podem ser reveladoras

Esta semana foi semana de birras – da mãe.

Nem nós, adultos, reparamos o quanto às vezes andamos às voltas para dizer o que realmente sentimos e necessitamos.

Nem nós, adultos, reparamos o quanto nos é difícil pedir um abraço, uma palavra de reconhecimento, uma experiência diferente, ou qualquer coisa que o nosso coração sente.

Nem nós, adultos, reparamos como o nosso comportamento muitas vezes não revela o que realmente desejamos e precisamos.

E exigimos isso das crianças – pedindo “bom comportamento” à força – sem olhar o que está além.

Mas isto não vem do nada – fomos educados a comunicar de forma desligada do nosso coração: “Não digas isso que o senhor fica zangado”, “Isso não se diz que é feio”, “Não fales isso! Assim não comes o gelado”. E assim vamos engolido o que não nos serve com medo de assumir a nossa verdade.

Nestes últimos dias tenho andado a pensar nisto. Apesar de todo o trabalho de desenvolvimento pessoal continuo a vivenciar isto: dificuldade em dizer que não, em comunicar os meus limites, em assumir a minha verdade. Principalmente esta última.

O meu filho mais velho já me pergunta: “O que se passa Mãe?”. Este meu polícia sinaleiro indica-me logo que o caminho não é por ali.

A minha verdade. Parece que às vezes fica entalada na garganta por medo do que os outros pensam e dizem. E assim fico: frustrada, zangada, ansiosa. E como estas emoções têm que sair do meu corpo de alguma forma – os outros (os mais próximos) é que pagam. E reparo nisto porque hoje em dia já consigo observar com algum distanciamento – mindful – o meu comportamento. E o meu comportamento revela logo que algo não está bem: que é preciso assumir aquilo que o meu coração sente para deixar de ter necessidade de fazer as tais birras.

Um exemplo de uma birra da mãe esta semana: aborreci-me de forma exagerada com o meu marido por causa de uma lâmpada fundida que não foi trocada, que nunca mais é trocada! E torno-me uma verdadeira chata obsessiva com o raio da lâmpada! Faço uma daquelas birras!

Mas isto é apenas o que é visível. Não revela o que vai por dentro. O que queria mesmo não era a lâmpada trocada – era um “acredito em ti, tu és capaz”. E ao tomar consciência disto, nesse momento, pum: sei que está na altura de assumir o que verdadeiramente preciso.

Podia viver nestas embirrações constantes mas a questão é que a partir do momento em que ganhas consciência deste facto –  que o comportamento é um sintoma de que existe uma necessidade que precisa de ser satisfeita– não podes continuar a fugir. É que esta interrogação não te larga: “o que se passa afinal?”

Saber a causa da minha birra permitiu-me ter consciência do que precisava e, por consequência, transformar a birra em entendimento.

Hoje decidi “falar” das minhas birras mas este processo também se aplica às birras dos meus filhos. Ter consciência de que o comportamento deles não é senão um pedido de ajuda faz de mim uma mãe diferente. É que com esta consistência, repito: transformo a birra em entendimento.

Vejamos um exemplo:

A manhã com o meu filho de 2 anos. Não se quer vestir. Não se quer calçar. O choro em alto e bom som começa. Birra certa.

O que fazer?
Acordo mais cedo do que o habitual para lhe dar espaço e tempo para se preparar. Pode ser uma necessidade de maior controlo, rotina, segurança. Não resulta. Começo a ter um momento a sós – eu e ele – para um ataque de beijos e abraços. Pode ser uma necessidade de maior conexão, vínculo, presença. Não resulta. Crio então um cenário imaginário de como os seus amiguinhos da escola precisam que o Patrulha Pata – ele – os vá salvar. Pode ser uma necessidade de maior brincadeira, experiência, novidade. Não resulta. A única alternativa é obrigá-lo a vestir. Não. Decido parar e respirar. É então que me baixo ao seu nível e simplesmente lhe pergunto: “posso ajudar a vestir-te por favor para irmos para a escola?” E é assim que ele me responde com um ar de compreensão: “Tim” (tradução: sim). Pronto, era só isto: pedir, pedir com educação. Era uma necessidade de maior significância, reconhecimento, importância, respeito, que precisava de ser satisfeita.

Descodificares o que existe por detrás daquele comportamento desafiante do teu filho pode ser muito apaziguador para ti, para o teu filho, para a vossa relação.

Como é óbvio as birras vão continuar a existir mas tu com este conhecimento dás-lhes um novo significado. E isso muda tudo.

Mas então como fazer isto? Como descobrir o que está por detrás daquele comportamento desafiante?

Agenda uma sessão estratégica gratuita aqui: http://www.carlapatrocinio.com/agendamento

P. S – A minha birra revelou-me que preciso de assumir mais e mais a minha verdade, que quem tem que dizer que “tu és capaz” sou eu própria.

Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

 

O teu filho pode ser o teu mestre ou o teu pior pesadelo – qual vai ser a tua escolha?

O meu filho está ansioso, desatento, teimoso, agitado, desafiante.

Posso culpá-lo ou olhar para mim. Posso dizer “tens que ser menos ansioso” ou ir à procura de respostas concretas de forma a ajudá-lo. Posso pôr-me com sermões ou escutá-lo de verdade para desvendar a causa. Posso julgá-lo, rotulá-lo, menorizá-lo ou aprender a comunicar de uma forma mais empática para não debilitar a sua autoestima. Posso também ficar ansiosa ou abraça-lo. E as escolhas não têm fim…

Às vezes estamos tão imersos na nossa dor, com tanto medo do que possa acontecer, tão agarrados ao nosso manual de instruções de como educar, tão apegados aos nossos padrões familiares passados, que nos esquecemos que podemos ESCOLHER qual a reação mais adequada face aos desafios que os nossos filhos nos colocam. Sim, podemos escolher!

Eu escolhi ir à procura de respostas mais conscientes e amorosas para ajudar o meu filho. Quando o meu filho foi diagnosticado com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção eu podia ter escolhido um caminho mais fácil mas em vez disso optei por outro – o do amor incondicional. Não o pratico sempre, é certo, mas faço “tripas coração” para que isso aconteça a maior parte das vezes. Mas deu (dá) trabalho, foi (é) preciso persistência, paciência e disciplina mas foi esta a minha escolha. Eu optei por desaprender, sair do meu pedestal, olhar para mim sem medo do que por ai vinha. Realmente é preciso coragem: o caminho não é em linha reta e cheio de cenários bonitos, não. Existem várias encruzilhadas, estradas tortuosas, tempestades e tufões mas se a tua escolha for a do amor incondicional posso garantir-te – não existe viagem mais bonita e libertadora. Porque algures nesta jornada descobres o amor verdadeiro por ti – aquele amor que não se abala se não tiveres o trabalho, a casa, o carro, a viagem que queres, aquele amor que não depende do que tens ou fazes. Aquele amor que ninguém te pode tirar. Aquele amor que te ama por aquilo que és. E quando descobres este tesouro – ai sim, podes sim amar incondicionalmente (mais vezes) o teu filho.

O meu filho podia ser o meu mestre ou o meu pior pesadelo. Eu escolhi que a primeira opção. Não vou mentir. Existiram momentos em que duvidei, questionei, chorei, desconfiei. Nesses momentos de confusão mental escolhi sempre parar e ouvir o meu coração, o meu instinto, a minha intuição, como quiseres chamar.

Poderia ter preferido outra resposta – uma mais simples, fácil, rápida – mas teria perdido tanto de mim. E tanto dele.

Porque os meus filhos são os meus mestres e os teus também – se assim o escolheres.

O que te quero dizer é que és livre. És livre para escolher que tipo de mãe/pai queres ser. Não encontres mais desculpas, não visualizes mais becos sem saída, não te habitues à relação em constante conflito, não te condiciones com obstáculos que não são senão criados pela tua mente, não desacredites do amor sem condições – existe sempre uma escolha. Não existe nenhuma prisão.

Se o teu filho te desafia, te irrita, te “mexe com as entranhas”, te faz sentir culpada, triste, zangada pela mãe/pai que estás a ser, está na altura de escolheres: que caminho quero fazer? Porque tu podes escolher! És livre para o fazer.

Qual vai ser a tua escolha?

É que a tua escolha de hoje vai ditar o amanhã do teu filho: que tipo de adulto essa criança – o teu filho – será. 

Eu quando percebi isto senti de imediato que não existia escolha possível.

#tupodesescolher

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Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

Como educar uma criança feliz?

Um dia, já adulta, no momento certo, alguém me disse: “Tu Bastas!”. Eu olhei com ar espantado para a pessoa e respondi: “A sério!?”. Respirei como que a digerir aquela verdade e respondi: “então a partir de hoje posso ser verdadeiramente feliz!”. A visão que tive foi milhões de caminhos a abrirem-se: afinal podia fazer e ser tudo o que quisesse!

E naquele exato momento, para além daquela sensação de liberdade que me atingiu de uma forma como nunca antes sentida, percebi que, como mãe, a maior herança que podia deixar aos meus filhos era esta – uma autoestima saudável. Não importa o que és. Não importa o que fazes. És perfeito tal como és. Tu bastas!

E se não fosse preciso fazer nada, ter nada, ser nada para sermos aceites e amados? E como seria o relacionamento com os nossos filhos se utilizássemos esta premissa? E que adultos seríamos se tivessem utilizado connosco (em criança) esta premissa?

Não importa o que tenho. Não importa o que faço. Sinto-me bem tal como sou. Eu sou perfeito como sou.

Como seria o mundo se cada um de nós tivesse esta afirmação bem instalada no seu coração?

E como exerceríamos parentalidade? 

Como nos sentimos quando os nossos filhos não correspondem às expetativas que criámos sobre o que eles deviam ter ou fazer? Colocamos em causa o nosso valor? Colocamos em causa os deles?

“Se tiveres boas notas… “

“Se ficares quietinho à mesa…”

” Se te portares bem…”

“O João come a papinha toda e tu não”

“A Raquel teve melhor nota do que tu”

“A Maria conseguiu ter um bom desempenho e tu não?” 

“É sempre a mesma porcaria, só fazes asneiras”

“Estou farto de te dizer como se faz”

Muito facilmente estes comentários que comparam, menosprezam, desvalorizam saem, sem dar conta, da nossa boca e minam a sua autoestima – a semente da felicidade.

A maternidade trouxe-me um processo de autoconhecimento diário. Tudo em busca de Amor Incondicional. Mas às vezes é difícil. Às vezes quero que eles sejam o que não fui. Quero ser alguém através deles. São momentos de inconsciência mas depois desperto e percebo: eles não têm que ser nada, eles já São!

O primeiro passo para educar crianças felizes é trabalharmos a nossa autoestima para não precisarmos dos nossos filhos para mostrar quão somos especiais. 

Uma boa autoestima é o alicerce de tudo o que fazemos, de tudo o que somos. E começa a ser cultivada desde tenra idade. A forma como nós, pais, nos comportamos e comunicamos com os nossos filhos é o adubo que a vai fazer crescer ou não.

Crianças com uma autoestima saudável podem ficar tristes por terem más notas, por se chatearem com um amigo, por não pertencerem ao grupo mas não ficam ansiosas pelo seu desempenho escolar, não precisam de comportamentos agressivos para provar seja o que for ao amigo, não sofrem de bullying porque sabem colocar limites, …  porque sabem que, independentemente do que lhes acontece, fazem ou conseguem têm valor.

E isto não acaba por aqui, não, tem repercussões futuras: crianças com uma autoestima saudável em adultos podem ficar tristes por não conseguirem aquela promoção, por determinada relação amorosa terminar, por não atingirem a meta a que se propuseram mas não precisam de fugas, adições, máscaras para deixar de sentir porque sabem que, independentemente do que lhes acontece, fazem ou conseguem têm valor.

Crianças com uma autoestima saudável são crianças e futuros adultos verdadeiramente FELIZES!

Gostavas de ajudar o teu filho a sentir-se assim?

Caso queiras saber mais sobre este assunto então envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com e requisita uma sessão introdutória de 1H comigo via skype ou telefone para conversarmos sobre isso.

Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

Um apelo da criança que te desafia todos os dias: vai mais além!

Será que o comportamento mostra realmente o que sinto ou necessito?

Hoje quero dar voz às crianças que acompanho – as que desafiam – e surgiu este Apelo: pela aceitação e compreensão de todas as crianças.

Este APELO vai ser feito na primeira pessoa, como de uma criança se tratasse (e não será?!) : 

HOJE GOSTARIA DE TE PEDIR UMA COISA

EXPERIMENTA OUTRO CAMINHO: O DO AMOR.

NÃO TENHAS MEDO, EU, QUE ESTOU À TUA FRENTE, SOU SIMPLESMENTE UM SER TAL COMO TU

TAMBÉM MUITAS VEZES PERDIDO, SEM SABER O QUE FAZER OU SER

E POR ISSO, MUITAS VEZES, ESCUDO-ME NO COMPORTAMENTO

E ÀS VEZES, EU SEI, CONSIGO MESMO TIRAR-TE DO SÉRIO, EU SEI…

MAS ÀS VEZES, NÃO CONSIGO EXPLICAR PORQUÊ, É MAIS FORTE DO QUE EU

MAS NÃO TE  ENGANES A MEU RESPEITO: O MEU COMPORTAMENTO NÃO MOSTRA O QUE REALMENTE SINTO E NECESSITO

ÀS VEZES O QUE QUERO É ATENÇÃO, OUTRAS CONEXÃO

TAMBÉM FAZES ISSO DE VEZ EM QUANDO, NÃO É? QUANTAS VEZES TENS UM DETERMINADO COMPORTAMENTO MAS O QUE QUERES MESMO É UM ABRAÇO, UM CARINHO, UMA PALAVRA DE RECONHECIMENTO

O MESMO SE PASSA COMIGO, MUITAS VEZES NÃO SEI EXPRESSAR O QUE REALMENTE NECESSITO

MAS NÃO TENHAS RECEIO, EU SOU SIMPLESMENTE UM SER TAL COMO TU

TAL COMO TU TAMBÉM ESTOU A FAZER O MELHOR QUE POSSO E SEI.

TAL COMO TU TAMBÉM TENHO NECESSIDADES, IDEAIS, SONHOS

TAL COMO TU TAMBÉM TENHO MEDOS, INSEGURANÇAS, SEGREDOS

TAL COMO TU TAMBÉM SOFRO, CHORO, SINTO

TAL COMO TU TAMBÉM GOSTO DE SER ACARINHADO, ACEITE, RECONHECIDO, OLHADO, ACOLHIDO,  AMADO

POR ISSO PEÇO-TE: NÃO ME ENVERGONHES, DESVALORIZES, REBAIXES OU DESPREZES

VAI MAIS ALÉM!

TENHO ALGO PARA TE MOSTRAR, PARA TE ENSINAR, PARA TE OFERECER

SÃO OS CASTIGOS, AS FALTAS DISCIPLINARES, AS PALAVRAS INCONSEQUENTES, OS OLHARES REPROVADORES

SABES, É QUE ESSAS ATITUDES MAGOAM, MAGOAM MUITO, MUITO MESMO!

EU SEI, MUITAS VEZES, NÃO SABES FAZER DE OUTRA FORMA, NÃO É?

TAMBÉM FICAS PERDIDO, CONFUSO, REVOLTADO, TRISTE

MAS PEÇO-TE: VAI MAIS ALÉM!

E  QUE ESSAS ATITUDES: CONDICIONAM, LIMITAM, MENORIZAM E PERPETUAM O MEU COMPORTAMENTO

E ASSIM: EU QUE, SE DEVIDAMENTE ENCAMINHADO, PODIA SER ALTAMENTE INSPIRADOR, ACABO POR ME SENTIR INFERIOR

EXPERIMENTA. EXPERIMENTA UM CAMINHO DIFERENTE: O DO AMOR

DÁ-ME AS MÃOS, ESTABELECE CONEXÃO, OLHA- ME COM OS OLHOS DO CORAÇÃO

E QUANDO A INCERTEZA VIER BATER À TUA PORTA E NÃO SOUBERES COMO REAGIR

DIZ-ME, DIZ-ME TODOS OS DIAS, CASO SEJA NECESSÁRIO: 

ÉS UM SER ÚNICO E ESPECIAL

ÉS TUDO O QUE PRECISAS SER

TENS TUDO O QUE PRECISAS TER

NÃO TENS FALHA, DEFEITO OU LIMITAÇÃO.

TENS SIM UM POTENCIAL ENORME NO TEU CORAÇÃO

Assinado: A CRIANÇA QUE TE DESAFIA A SERES A MELHOR VERSÃO DE TI PRÓPRIO

“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.” – Jung, C.

A TODOS OS PROFESSORES, EDUCADORES, PAIS E OS QUE LIDAM COM CRIANÇAS -AS QUE DESAFIAM – VAMOS SER O EXEMPLO QUE QUEREMOS VER NESTES MENINOS. É que se eles têm, como tanto verbalizamos, de saber viver em sociedade, nós, como adultos, temos a responsabilidade de lhes mostrar como isso se faz. Violência gera violência. Amor gera Amor.

Termino este artigo com um pequeno excerto do filme “Circo das Borboletas” que mostra o impacto que o sistema onde estamos inseridos tem no desenvolvimento de cada um de nós. A diferença entre um sistema que minoriza e um sistema que acredita que somos capazes de ir mais além. Um exemplo – cruel, bonito, profundo, revelador, emocionante – de como o sistema que nos rodeia tem um papel determinante na expansão do potencial de cada um de nós. Não existe limitação, deficiência, handicap, se a mensagem for: TU ÉS CAPAZ! EU ACREDITO EM TI!
https://www.youtube.com/watch?v=ZQc8DWekUeQ

E se partíssemos do Amor e não do Medo, o que surgiria? 

Vai mais além!

Queres compreender o que existe por detrás do comportamento do teu filho ou educando  mas não consegues? Então envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com e requisita uma sessão introdutória de 1H comigo via skype ou telefone para conversarmos sobre isso.

Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

 

 

Queres reagir ao teu filho de uma forma mais serena mas não consegues?

Como?!! Como é que o meu filho me podia tirar tanto do sério?

Emoções fortes chegavam, obrigando o meu corpo a reagir. E assim insurgia-me, sem pensar nas consequências a longo prazo. Reações automáticas, impulsivas, agressivas: gritos estridentes, palavras ameaçadoras, olhares reprovadores, comentários despropositados,…

A seguir à tempestade, ao transbordo emocional, vinha a acalmia. E a minha consciência não perdoava – aquilo magoava-o, debilitava-o, menorizava-o. Aquela vozinha era chata e incómoda: “Mas que exemplo estás a dar?, “É esse o modelo que queres ser para o teu filho?”.

E depois, o que se passava?

Era mergulhar para um poço escuro: chegava a culpa, a tristeza, a vergonha.

Às vezes pedia – lhe desculpa; outras tentava convencer-me de que ele era o culpado; outras fugia, ocupando-me com um entretenimento qualquer. A seguir, perdoava-me e prometia que ia mudar, que da próxima vez ia ser diferente, …. Da próxima vez é que era! Até que me esquecia… e, aqui, a vida até era simpática para comigo: o seu ritmo acelerado permitia-me ocupar a mente com outras coisas – metas, objetivos, problemas – e abandonar facilmente o sucedido.

Mas era mentira. Quando o seu comportamento me desafiava, voltava a acontecer o mesmo. Não conseguia fazer nada de diferente. O meu filho era capaz de virar-me do avesso, de despoletar o pior de mim.

Porquê? Porque é que eu não conseguia mudar?

Tentei muitas vezes – mas era um círculo vicioso sem fim à vista.

O seu comportamento acabava sempre por me levar a ter a reação que tanto prometera nunca mais acontecer.

Este círculo vicioso desgastava-me, colocando a minha autoestima em causa, mas não conseguia sair.

E cheguei a uma determinada altura que me conformei.

Sim, resignei-me.

(e , aqui entre nós, dava muito trabalho mudar, não tinha tempo nem dinheiro para isso) 

Até ao dia. Até ao dia que percebi que já não era mais possível adiar, esconder, apagar aquele assunto. Nesse momento “dei um murro na mesa”. Não! O meu filho não tinha culpa que eu não me soubesse controlar, ele não era o meu “saco de boxe”, ele era o MEU filho, que eu dizia amar incondicionalmente. Prometi: ia fazer tudo ao meu alcance para agir em conformidade com aquilo que eu sentia que era o melhor para ele.

Foram várias os caminhos que segui: Educação Transpessoal… Mindfulness … Parentalidade Consciente…  Estes cursos permitiram-me não só adquirir conhecimentos teóricos mas, principalmente, trabalhar o meu autoconhecimento e apreender a regular as minhas emoções. Foram anos, para mim, muito enriquecedores e curadores – e, claro, isto espelhou-se no meu filho de forma muito positiva.

Digo-te, por experiência própria, – vinda de uma pessoa que tinha muitas dificuldades em regular as suas emoções, que explodia muito facilmente, que pensava que era quase impossível mudar – é possível! É possível sair desse círculo vicioso. Dá trabalho, claro: tens de ser paciente, persistente, corajoso, humilde, compassivo, mas é a melhor viagem que podes fazer.

Mas como materializar isto? Como podes reagir de uma forma mais serena? Qual é o ponto de partida para reagires de acordo com as intenções da mãe/ pai que queres ser?

Vamos começar pelo princípio.

O primeiro passo é saberes quais são as tuas intenções:

  • Qual é a tua intenção, enquanto mãe/pai? Que mãe/pai queres ser?

Atenção! Para responderes a esta questão não é para o teu filho que tens de olhar, é para ti: o que tu podes fazer – que passos/exemplos/palavras/ações/ gestos – para ajudar o teu filho a ser aquilo que tu gostavas que ele fosse? És o exemplo.

A minha intenção é dar-lhes todo o meu AMOR. E a partir desta palavra surgiu: 

A de Aceitação – aceitar-me e aceitá-los tal como são. Libertar-me das minhas expetativas.

M de Minfulness – Observar-me e observá-los sem julgamentos e com compaixão. Estar presente e atenta às suas e minhas necessidades.

O de Otimismo – Confiar que tudo o que nos acontece é para o nosso crescimento. Libertar-me dos medos e ansiedades. Focar-me no positivo e confiar no Universo.

R de Respeito – Respeitar as suas ideias, opiniões e sonhos tal como gosto que eles respeitem as minhas. 

Fiz as minhas intenções há uns bons anos e afixei-as no meu frigorífico. Sabes porquê? Para me voltar a realinhar nos momentos mais desafiantes, nos momentos em que me descentro. Sim, porque as intenções não são meras metas que consigas a todos os momentos atingir. As intenções são o teu Norte – por onde te orientas sempre que te perdes no caminho.

O próximo passo:

  •  Como podes reagir de acordo com as tuas intenções?

Aqui é, como se costuma dizer, que “a porca torce o rabo”, não é?

É tão fácil sermos levados pelas nossas emoções…

Mas é simples: basta criar um espaço entre emoção (que te surge quando o teu filho tem um comportamento que te desafia) e reação.

Já dizia V. Frankl, um reconhecido médico psiquiatra:

“Existe um espaço entre estímulo e a resposta. Nesse espaço, reside a capacidade de escolhermos a nossa resposta. E nessa resposta estão o nosso crescimento e a nossa liberdade”

Como conseguir criar esse espaço e responder aos nossos filhos de uma forma que esteja de acordo com as nossas intenções – como aceder a essa liberdade?

Respondes ao teu filho de uma forma que te leva a sentir culpa, vergonha, tristeza mas não consegues libertar-te desse círculo vicioso? Observas que existe uma discrepância entre as tuas intenções e as tuas reações? 

Deixa-te de te conformar, é possível mudar. Com Amor. Pelo teu filho mas antes de tudo: por ti.  Vem, dou-te a mão

Se sentires que te posso ajudar envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com.

Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

Ama-te Mãe!

Eu não queria que o meu filho tivesse qualquer tipo de limitação. Eu não queria que o meu filho tivesse nenhum comportamento desadequado. Eu não queria que o meu filho…. Eu não queria que…

A verdade? Eu queria que o meu filho fosse perfeito!

A vida é sábia e trouxe-me um ser que me desafia todos os dias a ser a melhor versão de mim própria. Na altura, não tinha consciência deste facto, simplesmente resistia ao que se apresentava. Então fazia muitas birras. Eu é que fazia birras, não ele!

E ele? Bem… ele não podia fazer birras, não podia questionar as minhas ordens, não podia fazer e ser …na verdade, NÃO PODIA SER ELE… E acreditem que este “não poder” não significava que eu fosse uma mãe autoritária e que em casa existissem uma série de regras inflexíveis. Nada disso. Pelo contrário, sempre fui uma mãe simpática, até um pouco permissiva… mas exercia uma pressão. Uma pressão que não estava tão relacionada com regras mas sim com a minha energia. Uma energia que se expressava através da minha linguagem não verbal. Uma energia de ansiedade. E a verdade é que as crianças sabem ler o não-dito de uma forma que nós, adultos, já nos esquecemos.

O meu filho tinha que ser igual aos outros, desse por onde desse. E esta luta (para que ele fosse o que não era) criou um afastamento entre nós.

(Se não pudesses ser tu, o que farias? Ficavas impávida e serena? Pois…)

Já alguma vez conversaste contigo (de forma verdadeira, sem filtros) sobre a causa, a origem, da relação difícil com o teu filho? Eu fi-lo, num momento de grande sofrimento, em que não tinha mais saída, e o meu diálogo interno foi este:

– Porque sofres tanto com os comportamentos do teu filho? 

– Porque … não o aceito.

– E porque não o aceitas?

– Porque … porque… (dor) ele mostra-me que não valho… na verdade … eu não me amo o suficiente para lidar com as suas limitações… fazem-me confirmar a minha crença que não sou suficiente, que não sou merecedora, que não sou igual aos outros…

– Mas tu és! O teu filho, através destes desafios, está a mostrar-te simplesmente o quão importante é cuidares de ti e amares-te. 

Foi tão doloroso confortar-me com esta realidade… mas, na verdade, percebi mais tarde, naquele momento renasci.

Confesso que para chegar a este diálogo interno, a este despertar, tive de ter ajuda. Sozinha não consegui. O medo e a culpa apoderavam-se de mim e fugia constantemente. Tive que ter apoio para perceber que dentro de mim, para além da voz da culpa e do medo, existiam outras vozes que me podiam acompanhar neste processo doloroso: o amor, a compaixão, a bondade…

No momento em que ele foi diagnosticado com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção percebi que tinha que optar por um caminho. O dilema (inconsciente) que ele me colocou foi: ou me desconecto de ti ou aprendes a amar-te sem dependeres de mim (do que eu faço, do que tenho, do que eu sou). Eu optei pela segunda. E tu?

Foi provavelmente a maior lição que o meu filho me deu até hoje, e nos momentos mais desafiantes que o meu filho me apresenta, é com este ensinamento que me conecto:

Ama-te Mãe!
Ama-te independentemente dos meus feitos
Ama-te independentemente dos meus dons
Ama-te independentemente das minhas conquistas
Ama-te independentemente do meu desempenho escolar
Ama-te Mãe!
O amor por ti não deve depender das minhas qualidades, dos meus talentos, das minhas notas, das minhas ações
O amor por ti deve ser à prova de qualquer momento desafiante que eu te possa colocar
O amor por ti não deve depender do que que possa fazer ou ter
Se não for talentoso a jogar futebol, deves amar-te na mesma
Se não tiver notas xpto, deves amar-te na mesma
Se não souber matemática como os meus colegas, deves amar-te na mesma
Se não for extrovertido como tu, deves amar-te na mesma
AMAR-TE DEVE SER A MAIOR PRIORIDADE DA TUA VIDA!
Ouves Mãe? Quero que te ames, que te escutes, que te vejas, que te acarinhes, que te cuides, que te aches merecedora!
Porque só assim podes olhar para mim a partir do amor que és
Porque só assim podes relacionar-te comigo em paz, livre das tuas feridas, das tuas crenças, …
PORQUE SÓ ASSIM PODES AMAR-ME INCONDICIONALMENTE
PORQUE SÓ ASSIM EU POSSO AMAR-ME VERDADEIRAMENTE
Ama-te Mãe!

Assinado: o teu filho

Na verdade, os nossos filhos não nasceram para nos irritar, para nos fazer sofrer. Não. Eles nasceram para nos fazer crescer, para nos reaprendermos a amar. A amar como somos, com tudo o que somos. Honremos então os nossos filhos com tudo o que são e estejamos atentas às suas lições empoderadoras.


Um exercício para ti – que te reveste neste artigo:

Retira um tempo. Está só contigo. Instala-te num lugar confortável onde possas estar descontraída mas atenta.

Fecha os olhos e leva a atenção ao teu coração … detém-te nessa zona e respira a partir desse local… Respira lenta e suavemente… Deixa que esse Amor Incondicional que existe dentro de ti se active… Se vierem pensamentos, deixa-os passar gentilmente e volta a focar a tua atenção na respiração do coração… A seguir, põe a mão no teu coração e sente os batimentos que acompanham essa respiração… O Amor por ti é o maior presente que podes dar a ti e ao teu filho… Sente esse Amor que és e que ninguém te pode tirar… Abraça-te, perdoando todas as culpas ou erros… Está contigo durante algum tempo e permite-te sentir a chama dessa intenção carinhosa para contigo mesma… Ama-te Mãe!


Ou me desconecto de ti ou aprendes a amar-te sem dependeres de mim (do que eu faço, do que eu tenho, do que eu sou). Eu optei pela segunda. E tu?

Se sentires que te posso ajudar envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com.

Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

 

 

Mãe e se eu errar?

“Mãe e se eu errar?”.

Tinha 6 anos e esta pergunta repetiu-se, todos os dias, durante o seu 1º ano de escola primária: “Mãe, e se eu errar?”.

Tentei explicar-lhe, através de exemplos adequados à sua idade, que errar era o mais normal do mundo mas ele não ficou convencido. A pergunta continuou durante todo o ano, com muito choro à mistura, o que prova o pânico que ele sentia em relação ao erro. Mais tarde percebi: a bota não batia com a perdigota. O discurso não encaixava com o exemplo: eu tinha um medo enorme de errar. Como se errar me retirasse valor, me anulasse, me desumanizasse. Errar é o que nos torna humanos!

Na verdade, dentro de mim, existe um crítico. Costumo chamá-lo de: o homem do chicote – é tenebroso e assustador. Esse senhor traz-me inquilinos que não aprecio receber: a culpa, a vergonha, o medo, a ansiedade. No passado fazia-me contrair e duvidar de quem era. Foi preciso um longo caminho para deixar de acreditar nesse carrasco e perceber que: o erro não me define. Eu sou mais, muito mais. Assim como os meus filhos. Assim como tu. Assim como o teu filho.

Na escola que o meu filho frequenta, recebo o que eles chamam de ocorrências, um nome que serve nada mais nada menos para apontar os erros/falhas que os jovens cometem naquele dia na escola. São deste género: “perturbou a aula com comentários inadequados”, “não trouxe teste assinado”, “distraiu-se com frequência”,… Não é que não queira ser informada do que se passa mas o que observo é que qualquer coisa serve para receber uma ocorrência. Eles informam as crianças que vão enviar uma ocorrência para casa porque, lá está, cometeram um ERRO!

Este é apenas um exemplo, mas não é exclusivo daquela escola, não! O síndrome da “perfeição” infiltrou-se em todos nós. Parece que estamos obcecados em ser perfeitos e ter crianças perfeitas. Queremos tanto a harmonia e perfeição que tudo o que remeta para o erro e conflito nos assusta. Procuramos resoluções imediatas sem pensar nas consequências a longo prazo. Na verdade, o erro é uma oportunidade de crescimento. Porque nos esquecemos disto?

Segundo um relatório da Direção Geral de Saúde de 2015, as crianças portuguesas até aos 14 anos estão a consumir mais de 5 milhões de fármacos por ano.

Está na hora de acordar. Está na hora de olharmos para nós.

Que mensagem estamos a passar às nossas crianças com este tipo de exemplos?

Para usufruirmos de todo o nosso potencial temos que errar muitas vezes, não é?

Porque é que eu não recebo mensagens diárias das suas conquistas, dos seus feitos? 

Há cerca de 1 ano fiz uma promessa ao meu filho no meu facebook pessoal. 

Por isso, hoje volto, em maiúsculas, a reafirmar a promessa feita ao meu filho: FILHO, ERRA MUITO, FALHA MUITO, MAS NUNCA, EM TEMPO ALGUM, DEIXES DE TENTAR, DE IR, DE VIAJAR, DE AMAR, DE DANÇAR, DE CANTAR, DE ESTUDAR, DE FAZER O QUE QUER QUE SONHES, POR MEDO DE ERRAR. EU PROMETO: VOU ERRAR SEM HESITAR!

Desde esta promessa tenho errado muito mas, curioso, também tenho acertado muito.

Eu vou continuar este caminho de amor pela imperfeição que nos torna perfeitos, e tu?

Até que ponto te permites errar? E até que ponto permites que o teu filho erre? E como reages ao erros? Observa. Com Atenção. 

 

Se sentires que te posso ajudar, envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com.

Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio