Como educar uma criança feliz?

Um dia, já adulta, no momento certo, alguém me disse: “Tu Bastas!”. Eu olhei com ar espantado para a pessoa e respondi: “A sério!?”. Respirei como que a digerir aquela verdade e respondi: “então a partir de hoje posso ser verdadeiramente feliz!”. A visão que tive foi milhões de caminhos a abrirem-se: afinal podia fazer e ser tudo o que quisesse!

E naquele exato momento, para além daquela sensação de liberdade que me atingiu de uma forma como nunca antes sentida, percebi que, como mãe, a maior herança que podia deixar aos meus filhos era esta – uma autoestima saudável. Não importa o que és. Não importa o que fazes. És perfeito tal como és. Tu bastas!

E se não fosse preciso fazer nada, ter nada, ser nada para sermos aceites e amados? E como seria o relacionamento com os nossos filhos se utilizássemos esta premissa? E que adultos seríamos se tivessem utilizado connosco (em criança) esta premissa?

Não importa o que tenho. Não importa o que faço. Sinto-me bem tal como sou. Eu sou perfeito como sou.

Como seria o mundo se cada um de nós tivesse esta afirmação bem instalada no seu coração?

E como exerceríamos parentalidade? 

Como nos sentimos quando os nossos filhos não correspondem às expetativas que criámos sobre o que eles deviam ter ou fazer? Colocamos em causa o nosso valor? Colocamos em causa os deles?

“Se tiveres boas notas… “

“Se ficares quietinho à mesa…”

” Se te portares bem…”

“O João come a papinha toda e tu não”

“A Raquel teve melhor nota do que tu”

“A Maria conseguiu ter um bom desempenho e tu não?” 

“É sempre a mesma porcaria, só fazes asneiras”

“Estou farto de te dizer como se faz”

Muito facilmente estes comentários que comparam, menosprezam, desvalorizam saem, sem dar conta, da nossa boca e minam a sua autoestima – a semente da felicidade.

A maternidade trouxe-me um processo de autoconhecimento diário. Tudo em busca de Amor Incondicional. Mas às vezes é difícil. Às vezes quero que eles sejam o que não fui. Quero ser alguém através deles. São momentos de inconsciência mas depois desperto e percebo: eles não têm que ser nada, eles já São!

O primeiro passo para educar crianças felizes é trabalharmos a nossa autoestima para não precisarmos dos nossos filhos para mostrar quão somos especiais. 

Uma boa autoestima é o alicerce de tudo o que fazemos, de tudo o que somos. E começa a ser cultivada desde tenra idade. A forma como nós, pais, nos comportamos e comunicamos com os nossos filhos é o adubo que a vai fazer crescer ou não.

Crianças com uma autoestima saudável podem ficar tristes por terem más notas, por se chatearem com um amigo, por não pertencerem ao grupo mas não ficam ansiosas pelo seu desempenho escolar, não precisam de comportamentos agressivos para provar seja o que for ao amigo, não sofrem de bullying porque sabem colocar limites, …  porque sabem que, independentemente do que lhes acontece, fazem ou conseguem têm valor.

E isto não acaba por aqui, não, tem repercussões futuras: crianças com uma autoestima saudável em adultos podem ficar tristes por não conseguirem aquela promoção, por determinada relação amorosa terminar, por não atingirem a meta a que se propuseram mas não precisam de fugas, adições, máscaras para deixar de sentir porque sabem que, independentemente do que lhes acontece, fazem ou conseguem têm valor.

Crianças com uma autoestima saudável são crianças e futuros adultos verdadeiramente FELIZES!

Gostavas de ajudar o teu filho a sentir-se assim?

Caso queiras saber mais sobre este assunto então envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com e requisita uma sessão introdutória de 1H comigo via skype ou telefone para conversarmos sobre isso.

Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

Um apelo da criança que te desafia todos os dias: vai mais além!

Será que o comportamento mostra realmente o que sinto ou necessito?

Hoje quero dar voz às crianças que acompanho – as que desafiam – e surgiu este Apelo: pela aceitação e compreensão de todas as crianças.

Este APELO vai ser feito na primeira pessoa, como de uma criança se tratasse (e não será?!) : 

HOJE GOSTARIA DE TE PEDIR UMA COISA

EXPERIMENTA OUTRO CAMINHO: O DO AMOR.

NÃO TENHAS MEDO, EU, QUE ESTOU À TUA FRENTE, SOU SIMPLESMENTE UM SER TAL COMO TU

TAMBÉM MUITAS VEZES PERDIDO, SEM SABER O QUE FAZER OU SER

E POR ISSO, MUITAS VEZES, ESCUDO-ME NO COMPORTAMENTO

E ÀS VEZES, EU SEI, CONSIGO MESMO TIRAR-TE DO SÉRIO, EU SEI…

MAS ÀS VEZES, NÃO CONSIGO EXPLICAR PORQUÊ, É MAIS FORTE DO QUE EU

MAS NÃO TE  ENGANES A MEU RESPEITO: O MEU COMPORTAMENTO NÃO MOSTRA O QUE REALMENTE SINTO E NECESSITO

ÀS VEZES O QUE QUERO É ATENÇÃO, OUTRAS CONEXÃO

TAMBÉM FAZES ISSO DE VEZ EM QUANDO, NÃO É? QUANTAS VEZES TENS UM DETERMINADO COMPORTAMENTO MAS O QUE QUERES MESMO É UM ABRAÇO, UM CARINHO, UMA PALAVRA DE RECONHECIMENTO

O MESMO SE PASSA COMIGO, MUITAS VEZES NÃO SEI EXPRESSAR O QUE REALMENTE NECESSITO

MAS NÃO TENHAS RECEIO, EU SOU SIMPLESMENTE UM SER TAL COMO TU

TAL COMO TU TAMBÉM ESTOU A FAZER O MELHOR QUE POSSO E SEI.

TAL COMO TU TAMBÉM TENHO NECESSIDADES, IDEAIS, SONHOS

TAL COMO TU TAMBÉM TENHO MEDOS, INSEGURANÇAS, SEGREDOS

TAL COMO TU TAMBÉM SOFRO, CHORO, SINTO

TAL COMO TU TAMBÉM GOSTO DE SER ACARINHADO, ACEITE, RECONHECIDO, OLHADO, ACOLHIDO,  AMADO

POR ISSO PEÇO-TE: NÃO ME ENVERGONHES, DESVALORIZES, REBAIXES OU DESPREZES

VAI MAIS ALÉM!

TENHO ALGO PARA TE MOSTRAR, PARA TE ENSINAR, PARA TE OFERECER

SÃO OS CASTIGOS, AS FALTAS DISCIPLINARES, AS PALAVRAS INCONSEQUENTES, OS OLHARES REPROVADORES

SABES, É QUE ESSAS ATITUDES MAGOAM, MAGOAM MUITO, MUITO MESMO!

EU SEI, MUITAS VEZES, NÃO SABES FAZER DE OUTRA FORMA, NÃO É?

TAMBÉM FICAS PERDIDO, CONFUSO, REVOLTADO, TRISTE

MAS PEÇO-TE: VAI MAIS ALÉM!

E  QUE ESSAS ATITUDES: CONDICIONAM, LIMITAM, MENORIZAM E PERPETUAM O MEU COMPORTAMENTO

E ASSIM: EU QUE, SE DEVIDAMENTE ENCAMINHADO, PODIA SER ALTAMENTE INSPIRADOR, ACABO POR ME SENTIR INFERIOR

EXPERIMENTA. EXPERIMENTA UM CAMINHO DIFERENTE: O DO AMOR

DÁ-ME AS MÃOS, ESTABELECE CONEXÃO, OLHA- ME COM OS OLHOS DO CORAÇÃO

E QUANDO A INCERTEZA VIER BATER À TUA PORTA E NÃO SOUBERES COMO REAGIR

DIZ-ME, DIZ-ME TODOS OS DIAS, CASO SEJA NECESSÁRIO: 

ÉS UM SER ÚNICO E ESPECIAL

ÉS TUDO O QUE PRECISAS SER

TENS TUDO O QUE PRECISAS TER

NÃO TENS FALHA, DEFEITO OU LIMITAÇÃO.

TENS SIM UM POTENCIAL ENORME NO TEU CORAÇÃO

Assinado: A CRIANÇA QUE TE DESAFIA A SERES A MELHOR VERSÃO DE TI PRÓPRIO

“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.” – Jung, C.

A TODOS OS PROFESSORES, EDUCADORES, PAIS E OS QUE LIDAM COM CRIANÇAS -AS QUE DESAFIAM – VAMOS SER O EXEMPLO QUE QUEREMOS VER NESTES MENINOS. É que se eles têm, como tanto verbalizamos, de saber viver em sociedade, nós, como adultos, temos a responsabilidade de lhes mostrar como isso se faz. Violência gera violência. Amor gera Amor.

Termino este artigo com um pequeno excerto do filme “Circo das Borboletas” que mostra o impacto que o sistema onde estamos inseridos tem no desenvolvimento de cada um de nós. A diferença entre um sistema que minoriza e um sistema que acredita que somos capazes de ir mais além. Um exemplo – cruel, bonito, profundo, revelador, emocionante – de como o sistema que nos rodeia tem um papel determinante na expansão do potencial de cada um de nós. Não existe limitação, deficiência, handicap, se a mensagem for: TU ÉS CAPAZ! EU ACREDITO EM TI!
https://www.youtube.com/watch?v=ZQc8DWekUeQ

E se partíssemos do Amor e não do Medo, o que surgiria? 

Vai mais além!

Queres compreender o que existe por detrás do comportamento do teu filho ou educando  mas não consegues? Então envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com e requisita uma sessão introdutória de 1H comigo via skype ou telefone para conversarmos sobre isso.

Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

 

 

Queres reagir ao teu filho de uma forma mais serena mas não consegues?

Como?!! Como é que o meu filho me podia tirar tanto do sério?

Emoções fortes chegavam, obrigando o meu corpo a reagir. E assim insurgia-me, sem pensar nas consequências a longo prazo. Reações automáticas, impulsivas, agressivas: gritos estridentes, palavras ameaçadoras, olhares reprovadores, comentários despropositados,…

A seguir à tempestade, ao transbordo emocional, vinha a acalmia. E a minha consciência não perdoava – aquilo magoava-o, debilitava-o, menorizava-o. Aquela vozinha era chata e incómoda: “Mas que exemplo estás a dar?, “É esse o modelo que queres ser para o teu filho?”.

E depois, o que se passava?

Era mergulhar para um poço escuro: chegava a culpa, a tristeza, a vergonha.

Às vezes pedia – lhe desculpa; outras tentava convencer-me de que ele era o culpado; outras fugia, ocupando-me com um entretenimento qualquer. A seguir, perdoava-me e prometia que ia mudar, que da próxima vez ia ser diferente, …. Da próxima vez é que era! Até que me esquecia… e, aqui, a vida até era simpática para comigo: o seu ritmo acelerado permitia-me ocupar a mente com outras coisas – metas, objetivos, problemas – e abandonar facilmente o sucedido.

Mas era mentira. Quando o seu comportamento me desafiava, voltava a acontecer o mesmo. Não conseguia fazer nada de diferente. O meu filho era capaz de virar-me do avesso, de despoletar o pior de mim.

Porquê? Porque é que eu não conseguia mudar?

Tentei muitas vezes – mas era um círculo vicioso sem fim à vista.

O seu comportamento acabava sempre por me levar a ter a reação que tanto prometera nunca mais acontecer.

Este círculo vicioso desgastava-me, colocando a minha autoestima em causa, mas não conseguia sair.

E cheguei a uma determinada altura que me conformei.

Sim, resignei-me.

(e , aqui entre nós, dava muito trabalho mudar, não tinha tempo nem dinheiro para isso) 

Até ao dia. Até ao dia que percebi que já não era mais possível adiar, esconder, apagar aquele assunto. Nesse momento “dei um murro na mesa”. Não! O meu filho não tinha culpa que eu não me soubesse controlar, ele não era o meu “saco de boxe”, ele era o MEU filho, que eu dizia amar incondicionalmente. Prometi: ia fazer tudo ao meu alcance para agir em conformidade com aquilo que eu sentia que era o melhor para ele.

Foram várias os caminhos que segui: Educação Transpessoal… Mindfulness … Parentalidade Consciente…  Estes cursos permitiram-me não só adquirir conhecimentos teóricos mas, principalmente, trabalhar o meu autoconhecimento e apreender a regular as minhas emoções. Foram anos, para mim, muito enriquecedores e curadores – e, claro, isto espelhou-se no meu filho de forma muito positiva.

Digo-te, por experiência própria, – vinda de uma pessoa que tinha muitas dificuldades em regular as suas emoções, que explodia muito facilmente, que pensava que era quase impossível mudar – é possível! É possível sair desse círculo vicioso. Dá trabalho, claro: tens de ser paciente, persistente, corajoso, humilde, compassivo, mas é a melhor viagem que podes fazer.

Mas como materializar isto? Como podes reagir de uma forma mais serena? Qual é o ponto de partida para reagires de acordo com as intenções da mãe/ pai que queres ser?

Vamos começar pelo princípio.

O primeiro passo é saberes quais são as tuas intenções:

  • Qual é a tua intenção, enquanto mãe/pai? Que mãe/pai queres ser?

Atenção! Para responderes a esta questão não é para o teu filho que tens de olhar, é para ti: o que tu podes fazer – que passos/exemplos/palavras/ações/ gestos – para ajudar o teu filho a ser aquilo que tu gostavas que ele fosse? És o exemplo.

A minha intenção é dar-lhes todo o meu AMOR. E a partir desta palavra surgiu: 

A de Aceitação – aceitar-me e aceitá-los tal como são. Libertar-me das minhas expetativas.

M de Minfulness – Observar-me e observá-los sem julgamentos e com compaixão. Estar presente e atenta às suas e minhas necessidades.

O de Otimismo – Confiar que tudo o que nos acontece é para o nosso crescimento. Libertar-me dos medos e ansiedades. Focar-me no positivo e confiar no Universo.

R de Respeito – Respeitar as suas ideias, opiniões e sonhos tal como gosto que eles respeitem as minhas. 

Fiz as minhas intenções há uns bons anos e afixei-as no meu frigorífico. Sabes porquê? Para me voltar a realinhar nos momentos mais desafiantes, nos momentos em que me descentro. Sim, porque as intenções não são meras metas que consigas a todos os momentos atingir. As intenções são o teu Norte – por onde te orientas sempre que te perdes no caminho.

O próximo passo:

  •  Como podes reagir de acordo com as tuas intenções?

Aqui é, como se costuma dizer, que “a porca torce o rabo”, não é?

É tão fácil sermos levados pelas nossas emoções…

Mas é simples: basta criar um espaço entre emoção (que te surge quando o teu filho tem um comportamento que te desafia) e reação.

Já dizia V. Frankl, um reconhecido médico psiquiatra:

“Existe um espaço entre estímulo e a resposta. Nesse espaço, reside a capacidade de escolhermos a nossa resposta. E nessa resposta estão o nosso crescimento e a nossa liberdade”

Como conseguir criar esse espaço e responder aos nossos filhos de uma forma que esteja de acordo com as nossas intenções – como aceder a essa liberdade?

Respondes ao teu filho de uma forma que te leva a sentir culpa, vergonha, tristeza mas não consegues libertar-te desse círculo vicioso? Observas que existe uma discrepância entre as tuas intenções e as tuas reações? 

Deixa-te de te conformar, é possível mudar. Com Amor. Pelo teu filho mas antes de tudo: por ti.  Vem, dou-te a mão

Se sentires que te posso ajudar envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com.

Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

Ama-te Mãe!

Eu não queria que o meu filho tivesse qualquer tipo de limitação. Eu não queria que o meu filho tivesse nenhum comportamento desadequado. Eu não queria que o meu filho…. Eu não queria que…

A verdade? Eu queria que o meu filho fosse perfeito!

A vida é sábia e trouxe-me um ser que me desafia todos os dias a ser a melhor versão de mim própria. Na altura, não tinha consciência deste facto, simplesmente resistia ao que se apresentava. Então fazia muitas birras. Eu é que fazia birras, não ele!

E ele? Bem… ele não podia fazer birras, não podia questionar as minhas ordens, não podia fazer e ser …na verdade, NÃO PODIA SER ELE… E acreditem que este “não poder” não significava que eu fosse uma mãe autoritária e que em casa existissem uma série de regras inflexíveis. Nada disso. Pelo contrário, sempre fui uma mãe simpática, até um pouco permissiva… mas exercia uma pressão. Uma pressão que não estava tão relacionada com regras mas sim com a minha energia. Uma energia que se expressava através da minha linguagem não verbal. Uma energia de ansiedade. E a verdade é que as crianças sabem ler o não-dito de uma forma que nós, adultos, já nos esquecemos.

O meu filho tinha que ser igual aos outros, desse por onde desse. E esta luta (para que ele fosse o que não era) criou um afastamento entre nós.

(Se não pudesses ser tu, o que farias? Ficavas impávida e serena? Pois…)

Já alguma vez conversaste contigo (de forma verdadeira, sem filtros) sobre a causa, a origem, da relação difícil com o teu filho? Eu fi-lo, num momento de grande sofrimento, em que não tinha mais saída, e o meu diálogo interno foi este:

– Porque sofres tanto com os comportamentos do teu filho? 

– Porque … não o aceito.

– E porque não o aceitas?

– Porque … porque… (dor) ele mostra-me que não valho… na verdade … eu não me amo o suficiente para lidar com as suas limitações… fazem-me confirmar a minha crença que não sou suficiente, que não sou merecedora, que não sou igual aos outros…

– Mas tu és! O teu filho, através destes desafios, está a mostrar-te simplesmente o quão importante é cuidares de ti e amares-te. 

Foi tão doloroso confortar-me com esta realidade… mas, na verdade, percebi mais tarde, naquele momento renasci.

Confesso que para chegar a este diálogo interno, a este despertar, tive de ter ajuda. Sozinha não consegui. O medo e a culpa apoderavam-se de mim e fugia constantemente. Tive que ter apoio para perceber que dentro de mim, para além da voz da culpa e do medo, existiam outras vozes que me podiam acompanhar neste processo doloroso: o amor, a compaixão, a bondade…

No momento em que ele foi diagnosticado com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção percebi que tinha que optar por um caminho. O dilema (inconsciente) que ele me colocou foi: ou me desconecto de ti ou aprendes a amar-te sem dependeres de mim (do que eu faço, do que tenho, do que eu sou). Eu optei pela segunda. E tu?

Foi provavelmente a maior lição que o meu filho me deu até hoje, e nos momentos mais desafiantes que o meu filho me apresenta, é com este ensinamento que me conecto:

Ama-te Mãe!
Ama-te independentemente dos meus feitos
Ama-te independentemente dos meus dons
Ama-te independentemente das minhas conquistas
Ama-te independentemente do meu desempenho escolar
Ama-te Mãe!
O amor por ti não deve depender das minhas qualidades, dos meus talentos, das minhas notas, das minhas ações
O amor por ti deve ser à prova de qualquer momento desafiante que eu te possa colocar
O amor por ti não deve depender do que que possa fazer ou ter
Se não for talentoso a jogar futebol, deves amar-te na mesma
Se não tiver notas xpto, deves amar-te na mesma
Se não souber matemática como os meus colegas, deves amar-te na mesma
Se não for extrovertido como tu, deves amar-te na mesma
AMAR-TE DEVE SER A MAIOR PRIORIDADE DA TUA VIDA!
Ouves Mãe? Quero que te ames, que te escutes, que te vejas, que te acarinhes, que te cuides, que te aches merecedora!
Porque só assim podes olhar para mim a partir do amor que és
Porque só assim podes relacionar-te comigo em paz, livre das tuas feridas, das tuas crenças, …
PORQUE SÓ ASSIM PODES AMAR-ME INCONDICIONALMENTE
PORQUE SÓ ASSIM EU POSSO AMAR-ME VERDADEIRAMENTE
Ama-te Mãe!

Assinado: o teu filho

Na verdade, os nossos filhos não nasceram para nos irritar, para nos fazer sofrer. Não. Eles nasceram para nos fazer crescer, para nos reaprendermos a amar. A amar como somos, com tudo o que somos. Honremos então os nossos filhos com tudo o que são e estejamos atentas às suas lições empoderadoras.


Um exercício para ti – que te reveste neste artigo:

Retira um tempo. Está só contigo. Instala-te num lugar confortável onde possas estar descontraída mas atenta.

Fecha os olhos e leva a atenção ao teu coração … detém-te nessa zona e respira a partir desse local… Respira lenta e suavemente… Deixa que esse Amor Incondicional que existe dentro de ti se active… Se vierem pensamentos, deixa-os passar gentilmente e volta a focar a tua atenção na respiração do coração… A seguir, põe a mão no teu coração e sente os batimentos que acompanham essa respiração… O Amor por ti é o maior presente que podes dar a ti e ao teu filho… Sente esse Amor que és e que ninguém te pode tirar… Abraça-te, perdoando todas as culpas ou erros… Está contigo durante algum tempo e permite-te sentir a chama dessa intenção carinhosa para contigo mesma… Ama-te Mãe!


Ou me desconecto de ti ou aprendes a amar-te sem dependeres de mim (do que eu faço, do que eu tenho, do que eu sou). Eu optei pela segunda. E tu?

Se sentires que te posso ajudar envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com.

Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

 

 

Mãe e se eu errar?

“Mãe e se eu errar?”.

Tinha 6 anos e esta pergunta repetiu-se, todos os dias, durante o seu 1º ano de escola primária: “Mãe, e se eu errar?”.

Tentei explicar-lhe, através de exemplos adequados à sua idade, que errar era o mais normal do mundo mas ele não ficou convencido. A pergunta continuou durante todo o ano, com muito choro à mistura, o que prova o pânico que ele sentia em relação ao erro. Mais tarde percebi: a bota não batia com a perdigota. O discurso não encaixava com o exemplo: eu tinha um medo enorme de errar. Como se errar me retirasse valor, me anulasse, me desumanizasse. Errar é o que nos torna humanos!

Na verdade, dentro de mim, existe um crítico. Costumo chamá-lo de: o homem do chicote – é tenebroso e assustador. Esse senhor traz-me inquilinos que não aprecio receber: a culpa, a vergonha, o medo, a ansiedade. No passado fazia-me contrair e duvidar de quem era. Foi preciso um longo caminho para deixar de acreditar nesse carrasco e perceber que: o erro não me define. Eu sou mais, muito mais. Assim como os meus filhos. Assim como tu. Assim como o teu filho.

Na escola que o meu filho frequenta, recebo o que eles chamam de ocorrências, um nome que serve nada mais nada menos para apontar os erros/falhas que os jovens cometem naquele dia na escola. São deste género: “perturbou a aula com comentários inadequados”, “não trouxe teste assinado”, “distraiu-se com frequência”,… Não é que não queira ser informada do que se passa mas o que observo é que qualquer coisa serve para receber uma ocorrência. Eles informam as crianças que vão enviar uma ocorrência para casa porque, lá está, cometeram um ERRO!

Este é apenas um exemplo, mas não é exclusivo daquela escola, não! O síndrome da “perfeição” infiltrou-se em todos nós. Parece que estamos obcecados em ser perfeitos e ter crianças perfeitas. Queremos tanto a harmonia e perfeição que tudo o que remeta para o erro e conflito nos assusta. Procuramos resoluções imediatas sem pensar nas consequências a longo prazo. Na verdade, o erro é uma oportunidade de crescimento. Porque nos esquecemos disto?

Segundo um relatório da Direção Geral de Saúde de 2015, as crianças portuguesas até aos 14 anos estão a consumir mais de 5 milhões de fármacos por ano.

Está na hora de acordar. Está na hora de olharmos para nós.

Que mensagem estamos a passar às nossas crianças com este tipo de exemplos?

Para usufruirmos de todo o nosso potencial temos que errar muitas vezes, não é?

Porque é que eu não recebo mensagens diárias das suas conquistas, dos seus feitos? 

Há cerca de 1 ano fiz uma promessa ao meu filho no meu facebook pessoal. 

Por isso, hoje volto, em maiúsculas, a reafirmar a promessa feita ao meu filho: FILHO, ERRA MUITO, FALHA MUITO, MAS NUNCA, EM TEMPO ALGUM, DEIXES DE TENTAR, DE IR, DE VIAJAR, DE AMAR, DE DANÇAR, DE CANTAR, DE ESTUDAR, DE FAZER O QUE QUER QUE SONHES, POR MEDO DE ERRAR. EU PROMETO: VOU ERRAR SEM HESITAR!

Desde esta promessa tenho errado muito mas, curioso, também tenho acertado muito.

Eu vou continuar este caminho de amor pela imperfeição que nos torna perfeitos, e tu?

Até que ponto te permites errar? E até que ponto permites que o teu filho erre? E como reages ao erros? Observa. Com Atenção. 

 

Se sentires que te posso ajudar, envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com.

Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

A jovem rebelde vai fazer o quê?!

Esta semana iniciou-se um novo desafio – Terapia Familiar. Assim dito, sem contextualizar, até dá uma certa graça. Recordo-me de um episódio em que os meus pais me levaram ao consultório de um destes especialistas e de eu, uma jovem muito rebelde, ter-me escarrapachado no sofá porque tinha visto aquilo nos filmes americanos. Foi uma hora em que gozei literalmente com o prato: respostas evasivas e sem nexo, riso pateta e despropositado, atitude indomável e efusiva. O terapeuta pensou definitivamente que eu tinha uma perturbação qualquer e os meus pais saíram de lá tão envergonhados que ainda hoje me falam desse dia. Quando me recordo deste e de outros episódios menos ortodoxos da minha juventude acho curioso este caminho que agora se abre. Será que, enquanto profissional, também me irá acontecer o mesmo? Entrar-me-á pelo consultório um jovem rebelde com modos irreverentes? E como será a minha reação?

Amor será a resposta. Talvez porque já estive nesse lugar. Nesse lugar em que o comportamento – mesmo o pior que possam imaginar – não espelha o que nos vai na alma. Pelo contrário. O comportamento só diz uma coisa: preciso que me vejas, que me ouças, que me orientes, que me guies, que me reconheças, que me respeites, que me ames!

O meu filho mais velho tem 11 anos e está a entrar na adolescência. Os seus comportamentos às vezes já conseguem fazer-me tremer por dentro. Mas, em vez de ficar fora de mim, respiro. Respiro e recordo a minha adolescente.

Aquela jovem que queria ser livre.

Irreverente e inconsequente. A favor de tudo o que fosse politicamente incorreto. Gostava de chocar e de abanar. A sua presença era extasiante: corpo destravado, gestos tentaculares, voz altifalante, … A sua energia metia toda a gente a andar. Depressa e com atitude! Tudo o que fosse bonitinho, fofinho, queridinho provocava-lhe tremeliques e arrepios. A sua missão era literalmente despentear, mas despentear até ficar com nós nos cabelos, daqueles mesmo mesmo muito complicados de soltar.  O imprevisto desnorteado seduzia-lhe. Viviam todos cheios de sorrisinhos, sonhos cor-de-rosa, biquínis amarelos e lacinhos com bolinhas. Tudo isto tirava-lhe do sério e, mais, era pouco: limitava-lhe! O Mundo não podia ser isto, não, não, não, tinha que ser muito mais!

À primeira vista os adjetivos mais fáceis de a definir seriam: destravada, louca, despassarada, desorganizada, desatenta, elétrica,…. Mas no fundo deste iceberg existia mais, muito mais. Existia um ser (vá coragem!) – muito lamechas. Muito parecido com aqueles seres fofinhos e bonitinhos que aparentemente tanto abominava: de meiguice apurada, doçura enfeitiçada, humanidade exagerada.

Acham que o comportamento mostrava isto? Não, nada disso. O slogan era “comigo ninguém se mete, eu é que mando aqui, todos fazem o que quero e ponto final!”. E ai de quem!

Uma total discrepância total entre aquilo que aparentava (comportamento) e aquilo que precisava (necessidade).

E neste processo de enfiar-me na máquina do tempo, respiro, e abro o coração para o meu filho. Para este meu adolescente que está a aprender a crescer.

Este exercício de voltar ao passado ensina-me muito sobre o meu filho. Hoje voltei a ser Carla adolescente, a calçar os seus sapatos, a sentir os seus “desesperos” e foi assim que escrevi uma carta aos meus pais:

Sei que não sou a filha perfeita.
Sei que às vezes faço coisas que não devo.
Sei que salto de uma emoção para outra muito facilmente e vos deixo perdidos na melhor atitude a tomar.
Sei que às vezes é muito difícil acolherem-me porque vos afasto com os meus gritos e bateres de porta.
Sei que não é fácil aceitarem as escolhas que faço: os amigos, as roupas, as manias, …
Sei que não é fácil. Na verdade, nem para mim o é…
Quero ter espaço para ser eu mas não sei quem sou.
Quero expressar o que sinto mas não sei às vezes nem sei o que é.
Parece que sei tudo mas, na verdade, às vezes, não sei nada e sinto-me perdida.
Há uns anos era tudo tão fácil… Era isto ou era aquilo. Agora, entre isto e aquilo, há muitas áreas cinzentas e tudo fica confuso. Depois sinto coisas novas cá dentro que nunca senti…
Falam-me muito do meu futuro. Do que hei-de fazer. Que curso tirar. Que opções tomar. Que relações perpetuar.
Mas o que quero mesmo, mesmo, saber é do que se passa Agora. Agora como lido com as emoções novas que me estão a chegar?

Eu sei que não aparenta mas as vossas palavras contam, os vossos gestos contam, as vossas atitudes contam, por isso, e aqui que ninguém nos ouve, abracem-me quando gritar. O que preciso mesmo, mesmo, mesmo é de saber como lidar com as emoções novas que estão a chegar.

Este regresso ao passado traz-me informações valiosas para saber como lidar de forma calma e serena aos desafios que este meu mestre me coloca.

Desafia-te a viajares até ao sentir do teu adolescente. Talvez desvendes mais facilmente quais são as verdadeiras necessidades do teu filho. O que existe para além do seu comportamento? Opta pelo silêncio e observa. Escava e vai. 

Se sentires que te posso ajudar, envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com.

Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

Este ano ACOLHE todas as emoções. As tuas e as do teu filho.

“Estás a chorar porquê?”, “Não chores!”, “Estás triste por causa disso?”, “Não é preciso chorar!”, “Os homens não choram!”, “Isso que estás a sentir não tem razão de ser”…

Muitos de nós crescemos a ouvir estas frases. E assim, copiando o que ouvimos dos nossos pais, as verbalizamos aos nossos filhos. E desta forma as emoções mais contrativas são reprimidas e ficam na sombra. É como que um “engolir” e enterrar bem fundo. E o que acontece a seguir? Crescemos e, porque não achamos estes sentires naturais, tentamos escondê-los a todo o custo. E é então que para os anestesiarmos surgem os: vícios – as habituais fugas (comer demais, consumir demais, beber demais,…) – para não lidar com aquilo que aparece sem aviso prévio. O mais perverso é que isto não para por aqui. Não! Estas dificuldades e todas as consequências em “meter para dentro” vão-se perpetuando de geração em geração.

Não é fácil ver um filho a chorar. Não é fácil ver um filho triste. Não é fácil ver um filho em sofrimento. Não é fácil estar em silêncio e não fazer nada. Simplesmente estar. Presente.

Eu cresci a acreditar que estar triste, que chorar, era sinónimo de inferioridade, de fraqueza. Para mim o mundo não era um lugar seguro para expressar as minhas emoções. Hoje em dia, mesmo depois de muito trabalho de desenvolvimento pessoal, continua a ser (confesso) difícil.

Durante muitos anos fugi: desse sentir. Chegava a dizer orgulhosamente que não tinha paciência para estar triste. Que esse sentimento não fazia parte do meu ADN. Mas era mentira: coloquei uma máscara.

É doloroso ver que, por vezes, o meu filho mais velho também utiliza o mesmo disfarce. Porque sei quais são as consequências desse fingir: a dificuldade em dizer que não, a vergonha em assumir o que realmente se quer, o medo de expor o que sentimos, no final … a ignorância de quem somos.

Sim é isto!  É isto que aquelas frases, aparentemente tão inofensivas, podem criar: o total desconhecimento do que sentimos e, por consequência, do que somos, do que gostamos, do que queremos. 

Só depois de um “kamikase” ter arremessado a minha vida por completo é que fui obrigada a questionar-me: quem sou eu? o que realmente estou a sentir? como posso lidar com estas emoções que me provocam este sofrimento atroz?

E se tivesse sido ensinada a conhecer-me, enquanto criança? E se eu soubesse lidar com estas emoções, enquanto criança? 

Quando o meu filho chora estar simplesmente sem fazer nada, estar só presente, atenta à necessidade que pode surgir, é um desafio. Existe uma parte de mim – a salvadora – que quer livrar o meu filho daquele sentir. Muitas vezes, no passado, mesmo tendo consciência que não era o mais construtivo, resvalava e assumia esse papel. Hoje em dia consigo fazer diferente; pelo menos já dou espaço para que essa emoção se expresse sem interferir. Mas pergunto-me: será que a mais poderosa forma de educar o meu filho nesse sentido – através do meu exemplo – está a ser realizada? A verdade é que já não fujo destas emoções mas … e conseguir expressá-la, a partir do coração? Hum… acho que ainda tenho um caminho longo a percorrer até chegar ai. Expor-me dessa forma, mostrar a minha vulnerabilidade, continua a ser um processo complicado.

Questiono-me muitas vezes: como o posso fazer?

Hoje dou um passo nesse sentido.

Ao refletir sobre as minhas intenções para 2017 decidi, como forma de “selá-las”, torná-las públicas.

Em 2017 tenho como intenção Sentir e Acolher todas as emoções. Com amor. Senti-las no meu corpo e observá-las com compaixão.  Partilhá-las, sem vergonha, a partir do coração. Ter coragem de assumir o que quero e não quero sem medo do que os outros pensam. Não vou mentir: para mim isto não é fácil, é mesmo visceral. Custa, dói, mexe com as entranhas. Sinto-me insegura quando o faço. Mas o curioso é que tenho verificado que sempre que dou este passo algo em mim RENASCE. Sinto-me mais próxima da minha essência. Tenho 2 filhos rapazes e o que mais desejo é que possam chorar sem medos nem vergonhas. PORQUE OS HOMENS TAMBÉM CHORAM!

Este ano é o meu desejo para ti: que SINTAS todas as emoções.

Aceita TODAS sem culpa, medo ou vergonha. As tuas e as do teu filho. Resiste ao impulso de fugir ou de interferir quando vires o teu filho chorar, gritar, bater a porta. Dá-lhe espaço para que a tristeza, a raiva, … possam existir na sua vida. Quando me permiti (o) sentir todas as minhas emoções, sem fugas nem subterfúgios, algo em mim se libertou (a). Quando me permiti (o) partilhá-las com os outros algo em mim se transmutou (a). E os meus filhos ganharam (am) uma mãe mais autêntica e presente.

Continua a doer mas o que é um bálsamo para a minha alma é que eu já sei como lidar com essas emoções. Não as preciso de as afugentar, nem de as agarrar. Saber como lidar com estas emoções é urgente!

Como seria o mundo se todos pudessem sentir todas as emoções sem terem que encontrar fugas para as esconder? Se todos pudessem expressar aquilo que verdadeiramente sentem sem medo de ser julgados? Se todos soubessem como lidar com as suas emoções ?

Mostrar aos nossos filhos que a tristeza é tão natural como a alegria, que chorar é tão curador como rir,  que verbalizar o que sentem não é sinónimo de fraqueza mas sim de respeito por si próprios pode prevenir uma série de problemas futuros. Mas para isto acontecer temos antes de tudo que nós, pais, saber como lidar com estas emoções.

Permites-te sentir todas as tuas emoções ou preferes fugir? 

Uma das práticas que me ajudou neste propósito foi o Mindfulness. Neste sentido criei um desafio GRATUITO – 14 dias de mindfulness para mães de crianças agitadas, hiperativas, ansiosas –  para iniciares o ano aceitando – todas – as emoções, as tuas e as do teu filho, com amor. Começa a 16 de Janeiro e vai até dia 29. Caso estejas interessada é só inscreveres-te no link que se segue:

https://carlapatrocinio.leadpages.co/14-dias-de-mindfulness-para-m-es-/

Se sentires que te posso ajudar, envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com.

Um abraço apertado,

da tua Coach Parental, Carla Patrocínio

Estás disposta a abrandar ou vais continuar a lutar?

O meu bebé e os seus ensinamentos.

Foram 30 minutos para caminhar cerca de 50 metros. “Tão pouca distância em tanto tempo?!”, perguntam.

Hoje fui ver o mundo a partir dos seus olhos.

Simplesmente segui o meu Mestre. Decidi somente ir atrás dele. Observando… com ATENÇÃO…

Inicialmente, notei o meu impulso de querer apressá-lo. Não o fiz. Senti a ansiedade a chegar ao meu corpo. Comecei a pensar nos milhentos afazeres que tinha de realizar ao longo do dia. “Mas porque é que o modo “Fazer” nos invade constantemente ao ponto de não observarmos o que nos rodeia?”. 

Optei por seguir o meu Mestre. Escolhi por simplesmente segui-lo na sua caminhada. Com o mínimo de interferências possíveis.

Vi como ficou radiante com a terra. Pegava num pedaço de terra e a seguir, a rir-se, vinha dar-ma como se de um presente do céu se tratasse. Um bocadinho de terra… Alguns grãos passavam no intervalo dos seus dedinhos e aterravam no chão. Ele ficava com um ar surpreendido e feliz. “Como é que um pedaço de terra pode trazer tanta felicidade? Quando é que parámos de usufruir e de valorizar estas coisas? “. 

A seguir, decidiu fazer corta-mato. Pés na relva que, com a humidade da noite, ainda se encontrava molhada. Corria para trás e para a frente desenfreado. Por momentos, surgiu na minha mente a preocupação de que a sua roupa ficaria suja. Observei este pensamento e ri-me. Resisti ao impulso de o querer interromper na sua aventura de atenção plena.

Segui o meu Mestre.

Um barulho surgiu. Ficou alerta. Uma senhora, jardineira da Junta de Freguesia, estava a aspirar as folhas do jardim para que a via ficasse desimpedida para as caminhadas habituais. O aparelho fazia barulho. Começou a correr no seu sentido. A senhora sorriu para ele. Perguntou-lhe o nome. Ele não respondeu mas riu-se. Estava admirado com o som do aspirador. Com o efeito que provocava nas folhas. Elas voavam em direção à estrada.

A senhora desligou o aparelho e apresentou-se: “sou a Madalena, olá!”

A Madalena era simpática. Brincou com ele. Mostrou-lhe o aspirador. Enquanto comunicavam entre eles, observei a Madalena. Tinha um sorriso acolhedor, uma postura amigável e uma comunicação muito fofinha… Trocámos algumas palavras. A senhora do aspirador deixou de ser a senhora que limpava o jardim para ser a Madalena. Eu vi a Madalena! O meu Mestre…

Despedimo-nos.

Mas a volta não tinha acabado. O parque ainda tinha de ser reconhecido. O escorrega foi a tentação. Quis subir sozinho. Tive medo que caísse mas optei por Confiar. Observei a sua desenvoltura durante a subida e fiquei de boca aberta. “Mas ainda há pouco tempo não andavas?”

Escorregou. Observei o vento que lhe batia no seu rostinho, assim que descia do escorrega. “Mais”, dizia ele. Observei, simplesmente Observei.

Os meus filhos têm uma diferença de quase 10 anos. Isso leva-me a refletir sobre a diferença entre a Carla Mãe de hoje da Carla Mãe de há 10 anos. Faz-me tomar consciência de como estava ausente. De como, apesar de presente fisicamente, não estava verdadeiramente PRESENTE. De como não respeitava o seu ritmo. De como o meu medo, a minha ansiedade, condicionavam a minha presença autêntica. Hoje percebo: estava em Luta. Por uma vida perfeita.

Estava em Luta, vivia somente no futuro, e esquecia-me que se vive é: Aqui e Agora!

Hoje, mais uma vez, decidi sair do meu pedestal e colocar-me no lugar de Aprendiz. À disposição dos ensinamentos que este bebé tem para me transmitir.

E sabem quais foram?

Abranda Mãe. O teu ritmo não é o meu. Estou a descobrir o mundo! Tenho tantas coisas para conhecer! A flor amarelinha, a borboleta colorida, o cheiro da terra molhada, a textura da folha de outono,  … Tenho tanto para observar, para cheirar, para tocar, para sentir, para saborear, para ouvir. Gosto de andar devagarinho, de mudar de direção, de me desafiar, de me aventurar. Só preciso de uma coisa: que estejas ao meu lado, que acompanhes o meu passo, que estejas realmente PRESENTE, neste “trail” que é a vida. Abranda Mãe. 

Com o meu filho mais velho não consegui observar o mundo a partir dos seus olhos. Não tinha os recursos emocionais necessários para isso. Só sabia estar em luta. Já me culpei e já me perdoei. Hoje sei que fiz o melhor que podia mas também sei que há expressões, gestos, palavras suas que as fotografias e vídeos que fiz não conseguiram registar. Acho que é por isso que hoje em dia prefiro não fotografar, opto por simplesmente Observar, utilizando os meus 5 sentidos de forma plena.

E tu, estás disposta a Abrandar ou vais continuar a Lutar ? 

Começa a programar um tempinho para estares realmente com o teu filho, para observares o mundo a partir dos seus olhos. Sem telemóveis, telefones, Ipads, …E enquanto isso, observa também os teus pensamentos, emoções, sensações físicas.

É que, aqui entre nós, estás a perder coisas espetaculares!

Abranda Mãe…

Se sentires que te posso ajudar, envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com.

Um abraço apertado,

da tua Coach Parental, Carla Patrocínio

 

Semanas difíceis…

Estas últimas semanas não foram fáceis. Estive triste, muito triste. O meu filho teve uma atitude que mexeu bastante comigo. Não estava à espera. Várias emoções chegaram, sem bater à porta, e levaram-me a ter reações negativas para com ele. Que foram no sentido oposto às intenções da mãe que quero ser. Que foram mais fortes do que eu. Parecia que não eram minhas, que não me pertenciam. “De onde vieram estas emoções que me fizeram reagir tão impulsivamente com o meu filho? Que me fizeram desconectar dele? De onde veio esta dor? Mas porquê? Porque é que fiquei neste estado tão alterado?”, questionei-me.

ESCOLHI observar o que se passava dentro de mim.

Mergulhei. Doía. Respirei. E fui mais fundo. E dei espaço para todas as emoções se expressarem no meu corpo. O corpo é o que nos liga ao presente. É por aqui que a procura começa. Não fugi. Não reagi. Simplesmente Respirei e Observei. Veio a angústia, a injustiça, a tristeza, a revolta, a decepção… Doía. Senti tudo no meu corpo. Simplesmente Respirei, Observei e deixei-me guiar por elas, pelas emoções.

“Qual a razão de atitudes tão irracionais? Pareço uma criança!”.

E de repente: fez-se luz. Surgiu uma memória que me adentrou pelo corpo e me abalou o coração. Uma menina. Uma menina insegura, sensível e com medo. Uma menina que só queria ser aceite e amada mas que muitas vezes não sabia como o fazer e sentia não o ser. E o meu filho, através do seu comportamento, voltou a confrontar-me com essa menina.

E assim despertei. Não era a Carla adulta que estava naquele momento a relacionar-se com o seu filho. Não. Quem estava ali era aquela menina. A minha criança.

Há dores que não sabemos de onde vêm. Há feridas que não sabemos qual a sua origem. Às vezes nem sabemos que lá estão. Bem tentamos olhar para o lado, escondê-las bem fundo, apagá-las, … São os vícios, os afazeres, as metas.

Até que. Até que um dia chegam os nossos filhos que, com os seus desafios, nos fazem voltar a olhar para a nossa criança. Para as nossas feridas de infância. E assim, se estivermos ATENTOS, observamos que, ao contrário do que pensávamos, essas feridas não estão cicatrizadas, estão bem abertas, a necessitarem de ser olhadas e cuidadas.

Todos temos dentro de nós a criança que fomos um dia. A nossa criança interior.

E naquele momento em que me zanguei com o meu filho, naquele preciso momento que fiquei fora de mim, a Carla adulta tinha desaparecido, e naquela sala, estavam presentes apenas duas crianças: a minha e a dele.  Duas crianças que simplesmente, e apesar do seu comportamento mostrar o contrário, só queriam ser aceites, respeitadas e amadas.

“O que faria a adulta nesse momento? Tinha gritado?”, indaguei-me.

NÃO.

Na verdade, muitas das nossas atitudes, ações e reações para com os nossos filhos são largamente influenciadas por essa criança que fomos e que por vezes zangada, revoltada e ferida simplesmente reage. E, apesar de muitas dessas situações terem sido resolvidas racionalmente, as emoções que sentimos nessas situações continuam a existir dentro de nós e só quando estas são olhadas, aceites e cuidadas deixam de condicionar o nosso comportamento para com os nossos filhos. Sabem aquelas birras que também nós, adultos, muitas vezes temos com os nossos filhos? Aquelas birras que, a seguir ao momento do transbordo emocional acontecer, até achamos que foram algo desporpocionadas, irracionais, infantis? Quem acham que está presente nesses momentos?

Podia ser por estar cansada, podia ser a minha “controladora” a querer ver a sua necessidade de segurança preenchida, podia ser por outros motivos mas … para ter aquela reação, para sentir aquela dor, estes motivos não bastavam. Havia algo mais. A minha criança necessitava de ser ouvida, abraçada, olhada, amada. E foi o que fiz. E é o que vou continuar a fazer.

E tu, quando reages impulsivamente e ficas fora de ti com o teu filho, quem está presente nesse momento: o teu adulto ou a tua criança interior?

Observa.

É tempo. É tempo de olhar para essa criança. Há quanto tempo não falas com ela? Dá-lhe atenção. Escuta-a. Ela precisa do teu abraço.

Estas últimas semanas foram complicadas neste caminho que é a Parentalidade Consciente mas hoje, ao reler este texto, lembrei-me que esta jornada não termina nunca (é feita diariamente, com muito amor e compaixão por todos os envolvidos), e que estes aparentes retrocessos é que me fazem ir descascando cada vez mais e mais camadas. Desta forma, vou-me conhecendo mais e mais, amando-me mais e mais. Grata meu mestre!

Se sentires que te posso ajudar, envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com.

Um abraço apertado,

da tua Coach Parental, Carla Patrocínio

Mindfulness, a prática que mudou o rumo da minha vida…

Passou-me a receita para a mão. Falou-me de todos procedimentos necessários para a sua compra e dos possíveis efeitos secundários. “Ritalina”, lia-se.

Tremi.

A médica continuou a falar muito calma e segura. Deixei de ouvir qualquer som. Só senti. Senti o meu corpo a contrair e paralisar. Senti algo visceral. Senti um misto de emoções: medo, culpa, vergonha, tristeza. Medo pelo que poderia acontecer ao meu filho, culpa pelo que estava a acontecer (de certeza que eu tinha culpa de alguma coisa), vergonha pela situação (o que iriam dizer os outros?), tristeza. Ainda lhe perguntei, esperançada “mas de certeza, não há outra alternativa?”. Ela respondeu-me “eu já vi muitos casos destes e sei qual a sua evolução. Dê-lhe Ritalina!”.

Cheguei a casa e fui pesquisar à Internet. Queria saber tudo sobre aquela medicação. Já sei, não devia fazer isto. Mas era o meu filho!

A pesquisa feita deixou-me ainda mais apavorada. A medicação era um assunto polémico que dividia médicos, terapeutas, psicólogos, professores e pais. Uns a favor, outros contra. Fiquei na mesma.

Afinal quem tinha razão?

Fui então ler o folheto informativo da embalagem da medicação. Sim, porque esse documento devia ser o mais aproximado do que era na realidade aquela medicação. Não foi nada agradável. Arrependi-me seriamente. Os efeitos secundários eram aterradores. Até de morte súbita, a bula mencionava. Arrepio.

Precisava de outras respostas. Decidi então consultar outros médicos. Fui a 3 médicos diferentes, especialistas na área. Todos me asseguraram que aquela medicação era de confiança, largamente experimentada e cuja segurança era atestada por milhões de crianças a quem tinha sido administrada. Fiquei então mais descansada e pronta para dar aquele passo. Mas ainda assim, ainda assim, havia qualquer coisa que não batia certo e que me inquietava o coração: o tratamento farmacológico era seguro mas e quando não o tomasse, como saberia ele gerir as suas emoções, os seus pensamentos, o seu corpo? E a sua autoestima como ficaria quando se apercebesse que sem a medicação não saberia gerir os seus impulsos? Se calhar era melhor esperar e ver….Mas era difícil, existia o sistema de ensino, existia o meu ego. Ambos tinham dificuldade em achar esta ideia de “esperar” simpática: “Esperar? Impossível!”. A escola dizia: “queremos meninos rápidos na aprendizagem e bem comportados.” O meu ego dizia: “quero um filho que me mostre quão perfeita sou.” Qual esperar, qual quê!?

Mas o dilema instalou-se. E uma questão surgiu: e se houvesse outro tratamento que o ensinasse a lidar com os seus sintomas?

“O tratamento farmacológico é o que tem mais eficácia” foi a resposta.

Fui à procura. Sim, é verdade! É o mais eficaz. A curto prazo. Pelo menos, segundo um dos estudos de referência nesta área, o MTA (Multimodal Treatment Study). Nesse estudo realizado ao longo de várias décadas, e onde participaram aproximadamente seiscentas crianças com PHDA dos 7 aos 9 anos de idade, a maioria beneficiou da medicação no primeiro ano. No entanto, os seus efeitos diminuíram até ao terceiro ano, se não antes. As crianças que foram seguidas até aos seus 15/ 16 anos de idade e que tinham tomado medicação não registaram diferenças em relação às que tinham feito outro tipo de tratamento no que diz respeito à avaliação escolar, detenções policiais e hospitalizações psiquiátricas. Os pesquisadores deste estudo concluíram que não havia a longo prazo benefícios em tomar medicação para PHDA (Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção) e sublinharam a necessidade em desenvolver tratamentos que sejam eficazes, acessíveis e suscetíveis de funcionamento na idade adulta.

Impõe-se agora fazer uma ressalva de extrema importância: este artigo não tem como intenção julgar, condenar, demover todos aqueles que acreditam na medicação. Independentemente dos estudos, na Internet, não faltam testemunhos de pais e portadores desta perturbação a relatar experiências de sucesso com a mesma. Em muitos casos, face à forma como a sociedade está organizada, acredito que os fármacos possam ser úteis. E também não julgo que a intenção dos pais que dão essa medicação seja, como muitos dizem, “porque não têm paciência para os seus filhos”. Aliás, tenho acompanhado pais que tomaram essa opção (uma decisão sempre muito pensada) e são pessoas maravilhosas, com um coração enorme, que amam muito os seus filhos. E sinceramente, também não posso dizer que desta água não beberei.

A única reticência que tenho em relação à medicação, e é este um dos motivos pelos quais conto a minha história, é que esta, com a promessa de resultados visíveis imediatos, nos afasta de olhar para nós, enquanto sociedade e enquanto indivíduos. Por isso, na minha opinião, antes de qualquer tratamento farmacológico é urgente olharmo-nos e questionarmo-nos: “que exemplo, estamos/estou a passar?.

Porque, olhando agora para trás, se naquele momento não me tivesse colocado em causa, se não tivesse procurado por outras respostas, se não tivesse questionado o sistema, não teria tido feito descobertas maravilhosas. Não vou mentir o caminho não foi (é) fácil, houve (há) muitas encruzilhadas, curvas apertadas, lombas na estrada, mas sem dúvida foi (é) a viagem mais bela que fiz (faço) na minha vida. Uma viagem ao meu interior que me ensinou (a) a cuidar de mim, a trabalhar a minha ansiedade, impaciência, agitação, instabilidade emocional, …. No final, a amar-me mais e a amar mais o meu filho. Claro que isto teve repercussões muito positivas no meu filho.

Nunca esta frase de S. Tsabary, terapeuta familiar de renome, fez tanto sentido para mim: “uma certa criança entra na nossa vida com os seus problemas, dificuldades, teimosias e desafios temperamentais para nos ajudar a ter noção do quanto nos falta crescer“.

Acredito que a resposta para os desafios que os nossos filhos nos colocam esteja em dentro de nós e não no exterior. Agora a questão que se impõe é: será que somos capazes de Parar para olhar para nós? E este olhar de que falo não pode ser só realizado pelos pais (claro ajuda, mas não basta), tem de feito por todos, por toda a sociedade. Todos temos de Parar. Porque cada vez há mais crianças a serem diagnosticadas com esta perturbação, com ataques de ansiedade, pânico, …

“Mas isso não é possível”, dizem. “Não temos tempo”. Isto é o argumento que oiço normalmente. Não há tempo. Será? Será que não há tempo? Ou será que nós é que fazemos a escolha de não ter tempo? Falo por mim. Muitas vezes digo que não tenho tempo mas isso não é verdade. Eu tenho tempo. Eu não tenho é paciência. Eu não tenho é essa prioridade. Eu não tenho é disciplina. Eu não tenho é coragem. Mas a verdade é que tenho tempo.

Continuei à procura de respostas. Não foi um processo fácil. Sofri. Perguntei muitas vezes: “porquê a mim?”. Mas continuei. Os nossos filhos fazem-nos isto: buscar forças onde não é possível.

Surgiu então uma prática no meu caminho que mudou o rumo da minha vida e do meu filho. Essa prática chama-se Mindfulness, em português, Atenção Plena. Mindfulness, resumidamente, significa prestar atenção ao momento presente sem julgamentos. Com o Mindfulness descobri que não faz mal Parar. Parar não é perder tempo, é sim Ganhar tempo. Tempo para desfrutar de forma plena de mim, dos meus filhos, da minha família, dos meus amigos, do ambiente que me rodeia, … Com o Mindfulness descobri. Novas sensações. Novas emoções. Novos sabores. Novos cheiros. Novas texturas. Novas paisagens. Novos olhares. Com o Mindfulness descobri. A textura da gelatina. O cheiro da terra molhada. O abraço do vento no Verão. Com o Mindfulness descobri. O sinal nas costas do meu filho. O macio da barriguinha do meu bebé. A necessidade por detrás da birra. A essência por detrás do rótulo. O potencial por detrás da limitação. Com o Mindfulness descobri. Respostas mais conscientes às birras. Reações mais ponderadas às teimosias. Um espaço entre emoção e reação. Com o Mindfulness descobri. O milagre que me rodeia. O ser que sou. O amor que sou. Com o Mindfulness descobri. Que não sou só isto ou aquilo. Que não sou só divertida, expansiva, rápida, agitada. Sou muito mais. Sou sensível, humana, profunda, calma. Sou um pouco de tudo. Sou como tu. Como o outro. Como o teu filho. Não tenho limites. Sou Imensa. Com o Mindfulness descobri. Que não há culpa mas sim compaixão. Por mim e pelo meu filho. Com o Mindfulness descobri que Agora está tudo bem.

E o meu filho, através do meu exemplo, foi acalmando.

Mas não tenhamos falsas expetativas. Não é um processo rápido no sentido em que os benefícios observados são imediatos. Não! É preciso tempo, treino, disciplina, paciência. É preciso inclusive não pensar nos benefícios. Só desfrutar da prática.

Também não quero levar ninguém ao engano, eu e o meu filho não passámos a ser “Budas”. Não. Continuamos a ser agitados, rápidos, inquietos. É a nossa essência! E estou a falar no plural (eu e o meu filho) porque entretanto percebi que eu (pelas minhas reações, atitudes, energia,…) tinha uma grande quota de responsabilidade no seu diagnóstico. Talvez eu também fosse/seja hiperativa. Não sei, o certo é que eu mudei, ele mudou e a nossa relação transformou-se. Para melhor, claro. Com o Mindfulness.

Agora estamos mais atentos ao que se passa dentro de nós. Agora temos uma âncora (a respiração) que nos podemos agarrar quando sentimos que estamos a entrar numa espiral de reatividade, impulsividade,….

Eu aprendi a prestar atenção aos meus filhos sem julgamentos, aumentei a minha consciência do momento presente, reduzi as minhas reações automáticas negativas e mais importante (pelo menos para mim que era uma pessoa controladora e perfecionista) aprendi a confiar na vida, o que me levou a perder muita da ansiedade que tinha. E o meu filho. Bem, o meu filho seguiu simplesmente o meu exemplo. Educamos pelo exemplo. Esquecemo-nos tão facilmente disto, não é?

O primeiro contato com o Mindfulness não foi muito agradável. Para mim que era uma pessoa muito mental, agitada, ansiosa, parar era muito difícil, tornava-se quase angustiante. Mas segui e continuei. Pelo meu filho. Entretanto apaixonei-me. Apaixonei-me de tal forma por esta prática que tirei vários cursos na área da Educação e de Mindfulness.

Ao escrever este artigo também senti a necessidade de criar uma página dedicada ao estudo deste tema. Se quiseres obter mais informações sobre o mesmo segue o link: https://www.facebook.com/phdaemindfulness/

Os estudos já realizados (estudos que implementaram um programa com duração de 8 semanas a pais e crianças com PHDA) referem que esta prática pode ser uma intervenção útil para os pais destas crianças e para o tratamento dos sintomas desta perturbação. Esses estudos utilizaram um programa com a duração de 8 semanas e tiveram resultados, agora imaginemos que, em vez de 8 semanas, conseguimos integrar esta prática no nosso dia-a-dia e que esta passa a ser um modo de vida.

Lídia Zylowska, uma psiquiatra americana especializada em mindfulness, que liderou o primeiro estudo piloto de treino mindfulness em adolescentes e adultos com PHDA, faz algumas questões no seu livro dedicado ao estudo que gostaria que refletisses, inclusive que podes perguntar ao teu filho hiperativo:

– Se houvesse um treino mental que melhorasse a tua atenção, impulsividade, e qualidade de vida, tentarias?

– Se pudesses mudar velhos padrões e reações e criar uma nova maneira de lidar com o stress, mudando a tua vida, farias isso?

– Se pudesses ter um maior equilíbrio emocional, estarias disposto a fazer mudanças na sua forma de viver?

– Se pudesses estar mais presente para ti e para os que amas, isso inspirar-te-ia a fazer mudanças?

– Se tivesses mais controlo nos sintomas do PHDA, achas que faria diferença?

– Se pudesses ter uma apreciação positiva de quem tu és, ficarias mais feliz?

Se respondeste “sim” a alguma das questões, convido-te a experienciar esta prática.

“Mas como?”, perguntas. A mudança começa devagarinho. Só tens que fazer um bocadinho todos os dias. E na verdade, vou-te contar um segredo, não é preciso assim tanto tempo. Se não tiveres tempo, basta uma respiração consciente.

Queres experimentar?

Lanço-te então um desafio. Uma das 7 atitudes do Mindfulness é o Não-Julgamento. Adoro este princípio e tento exercitá-lo todos os dias. Eu sei que não é fácil mas gostava de te propor a prática desse princípio, AGORA. Vamos a isso?

Recolhe-te e respira. Uma respiração longa e profunda. Como seres pensantes que somos é perfeitamente natural julgarmos o que se passa connosco e à nossa volta. Julgamos o vizinho que não trata do cão, julgamos o nosso chefe porque não nos valoriza, julgamos o nosso filho porque se esqueceu de fazer os TPC´s, julgamo-nos porque gritamos com o nosso filho,… E não nos enganemos, todos julgamos. Eu julgo, tu julgas, ele julga… ponto. Então agora convido-te a dares-te conta desses julgamentos. Por exemplo, qual é o teu julgamento agora em relação a este artigo? Achas que … ou achas que…. Observa de forma curiosa o julgamento que estás a fazer. Em vez de te deixares levar por esse julgamento, experimenta simplesmente observar e reconhecer essa experiência. És simplesmente o observador. Respira.

Esta é a minha história. Existirão outras histórias, outras verdades. Esta é minha verdade, que poderá servir uns e não a outros. E está tudo bem! A minha história mostrou-me que é possível uma abordagem diferente a estas crianças. Não me parece lógico que estas crianças sejam vistas de forma isolada. Pertencem a uma família. Pertencem a uma comunidade. O Olhar tem que abranger todos. Mas como? Praticando Mindfulness. Todos!

Mas é preciso Parar!

“Não sou capaz. Não tenho tempo. Não tenho paciência”, dizes. Devagarinho. Estou aqui. Vamos juntos?

Um abraço,

Carla

NOTA: Artigo publicado na Academia de Parentalidade Consciente