Medo, para que te quero em tempo de crise?

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“Estou sem ar, não consigo respirar. O coração bate rápido. Os pensamentos são negros e lamacentos. A catástrofe é o final mais certo. Vai tudo correr mal. Vou morrer. Fiquei sem chão. E os meus?”

 

O medo está instalado nos nossos corações. A sensação é que ficámos sem chão, sem base, sem estrutura. As nossas necessidades mais básicas estão a ser ameaçadas. Quem é o ser humano sem dinheiro, sem segurança, sem comida, sem conexão, sem toque, sem respiração?
E se, e se, aquilo que mais temo acontecer?

Ansiedade, pânico, insónia, confusão, incerteza, insegurança.

Hoje quero partilhar contigo algo que me deixa muito vulnerável mas que sinto que pode ajudar-te se sentires com medo neste momento tão desafiante.

E a partilha é: eu estou nesse estado de vulnerabilidade há 6 meses. Num estado de medo e ansiedade aterrador. Nada é seguro na minha vida. Nada. O medo tem sido a emoção mais constante. Viver e atravessar o medo diariamente tem sido duro. Mas eu faço essa travessia diariamente com amor e fé. A travessia não é fácil. É difícil, dolorosa, escura.

Mas o medo, uma das emoções mais básicas do ser humano, não é feio, mau ou errado.

O medo, como qualquer emoção, tem uma mensagem. O medo, ao ser atravessado, é uma oportunidade para irmos mais longe, para sermos melhores, mais inteiros, mais humanos, melhores mães e pais. Porra, isto tem um sentido!

O meu divórcio que há meses me faz dormir mal, que me faz sentir uma merda, que colocou a minha vida de pantanas, que mexeu e desestabilizou todas as áreas da minha vida tem um sentido. E o sentido não acredito que seja de me colocar doente mentalmente (ainda que às vezes ter sentido isso ;)) mas o sentido é o de evoluir. E para mim, é uma mensagem de amor. Olha mais para ti Carla Filipa! Para de ser depende de alguém para te amares! Sabe que és mais forte do que aquilo que tu pensas!

Um dia dormi tão mal, mas dormi mal. Foi, o que chamo, uma noite escura da alma. Tive medo por tanto. Eram pensamentos negativos interruptos. Um verdadeiro terror.

Dias mais tarde decidi olhar para ele de frente e questionar: qual a tua mensagem? E a mensagem foi:

Tens de ouvir mais a tua intuição.Tens dar mais atenção àquilo que é verdadeiramente importante. Tens de cuidar mais de ti.Tens de confiar mais na vida. Tens de amar mais os outros. Tens de verbalizar mais que amas os outros. Tens de te dar mais colo.

Acho que é importante a prevenção. Acho que é importante informação.

Mas, falando como uma mulher mãe que tem vivenciado e atravessado o medo nos últimos meses, digo-te: é preciso olhar para além do medo.
Olhar para além do medo e ter esperança: isto também passará.
Olhar para além do medo e ver um sentido evolutivo: o que é realmente importante.

Temos vivido sem tempo para nada. Temos vivido sem tempo para as nossas famílias. Para os nossos filhos. Não há tempo para a conexão. Para escutarmos os nossos filhos com atenção. Para estarmos presentes de coração.

Temos vivido com medo. Com medo da falta, da escassez, da crise.

Há uma oportunidade por detrás da crise.
Oportunidade de crescimento, de cura, de autenticidade, de conexão.
Foi assim quando me fizeram a operação à tiróide e me cortaram o pescoço.
Foi assim quando tive 3 abortos repetidos.
Foi assim quando tive uma gravidez de risco e estive internada.
E assim será com um divórcio que desmontou tudo na minha vida.

É nisto que acredito. Acredito que podemos escolher a luz ou a sombra. Acredito que podemos escolher. Eu escolho a luz.

Se escolheres ficar no terror e no medo vais paralisar.
Se escolheres ficar na esperança e no amor vais agir. Agir em prol do teu bem estar. Agir em prol do bem estar do teu filho. Agir em prol da comunidade. Agir no sentido do que é mais importante Agora.

Para mim Agora o importante é ajudar de alguma forma, apesar do medo, da desilusão, da dor, do terror. Para mim o mais importante agora é trazer LUZ, ESPERANÇA, apesar da escuridão.

Por isso, convido-te a falares comigo sobre amor e conexão com o teu filho em tempos de crise. Que é, como quem diz, conectares-te contigo. O medo, aumenta o stress, sobe o cortisol e baixa a imunidade. A tua e a do teu filho. O amor, a esperança, a fé, a conexão, aumenta a felicidade,  a serotonina,  a imunidade.

E é isto. É isto que vamos fazer. Vamos aumentar a nossa imunidade através do amor, da conexão, da união com os nossos filhos. Imagina… imagina se cada um de nós, fizer isto em sua casa. Se cada um de nós, no seu microcosmo, criar uma ponte com aqueles que são verdadeiramente importantes.

Não sei o que vai acontecer mas sei o que tenho de fazer algo de diferente.

Chega Carla. Chega de desculpas.

As Minhas e se escolheres: as tuas. Vamos juntas?

Caso sintas, toma um chá virtual gratuito comigo.
Agenda aqui:
Abraço imenso da tua Coach Parental,
Carla Patrocínio

O Mito do Amor Romântico

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Finalmente deitei-me na cama e chorei. Chorei sem resistir. Chorei, acolhendo toda a dor, raiva, ansiedade, medo, angústia, desespero. Visitantes que ao longo dos meses passados habitaram dentro de mim mas que teimava em não dar atenção. Porque doía tanto, tanto. E eu, sempre perita em fugas, optei por não olhar. Mas nesse dia rendi-me. E em simultâneo, repetia incessantemente para mim: “não precisas de ninguém para te salvar, não precisas de ninguém para cuidar de ti, não precisas…porque só tu podes fazer isso”. A mente tentava ao máximo focar-se nisto – numa mensagem empoderadora – mas… mas existia uma parte de mim que não conseguia deixar de sentir-se desempoderada, pouca, vazia, pequenina. Era a minha criança. A menina que se sentia abandonada, traída, desamparada, com medo.

E essa dor era tão profunda, escura, lamacenta que a sensação é que o meu coração sangrava. Era um buraco que não tinha fim. Era visceral! As palavras não cabiam no meu sentir. Era uma dor crua. A ferida estava aberta e era insuportável. A garganta parecia não ter capacidade de engolir. O coração batia desalmadamente. A ansiedade subia para níveis nunca antes sentidos. Até que comecei a ouvir a canção que a minha avó me cantava, quando era pequenina, enquanto me embalava: ” alecrim, alecrim aos molhos por causa de ti choram os meus olhos…”

Este foi o momento em que finalmente decidi iniciar o luto. O luto pela separação de uma relação de 16 anos. E este foi o motivo pela minha pouca presença nos últimos meses. Perdoem-me. Estou certa que compreenderão. Nos próximos emails aprofundarei este assunto, no que me for possível expor, sempre com o intuito de vos ajudar. Por ora, e na sequência deste acontecimento e aproveitando o dia da Mulher que foi ontem, vou abordar o mito que nos impede de termos relações amorosas verdadeiramente felizes. E este é o mito do Amor Romântico.

Fomos educadas, enquanto mulheres, a esperar que alguém nos venha salvar. Os filmes da Disney do “viveram felizes para sempre” estão no nosso inconsciente como uma memória romântica do que seria uma relação amorosa perfeita. Por isso, esperamos, esperamos pelo princípe encantado, pelo principe encantado que nos vem salvar da bruxa má.

Já agora, qual é o teu conto de fadas favorito ou o que te recordas mais nitidamente da infância? Porquê?

Hoje em dia são vários os movimentos que nos levam a despertar para um paradigma diferente. Um paradigma em que a mulher só pode ser salva por si mesma, em que a mulher só pode esperar amor se se amar em primeiro lugar, em que a mulher quer igualdade mas respeitando a sua natureza feminina.

Mas como fazer isto agora na prática se crescemos tão condicionadas por mensagens do sistema patriarcal que nos desvalorizaram e nos colocaram numa posição inferior, a depender sempre da valorização externa para gostarmos de nós? Como?

Quantas vezes és apanhada a dizer: “o meu marido, ou ex-marido, ajuda-me….”. Upss!

Como podemos mudar todas estas crenças que bloqueiam relações amorosas saudáveis?

Sim, porque aos esperarmos que o “homem” nos venha salvar criamos expectativa em relação ao outro impossíveis de alcançar. Esperamos que os homens caibam num molde de um princípe encantado que nos vem salvar e desresponsabilizamo-nos pelo nosso amor próprio. E depois dizemos que se transformou num sapo.

São sapos mas… que se lixe, vamos ficando. Vamos ficando porque é menos mal do que estar sozinhas e nos confrontarmos com aquela dor de abandono. Vamos permitindo. Vamo-nos atropelando. Um bocadinho aqui e ali e acabamos por nos habituar. E estamos nesse lugar. Porque é preferível viver amorfas, calar a nossa voz e alma, do que sermos as nossas próprias salvadoras. Alguém nos ensinou isso?

E os homens?. Os homens perdidos, vazios, com o seu masculino ferido não entendem, não percebem o porquê do nosso desagrado, da nossa irritação, da nossa inquietação. Já não sabem o que é ser homem. Já não sabem se é para ser forte ou frágil, silencioso ou comunicativo, ….

Há um desencontro. Há um desencontro que acontece porque ambos estão feridos e vazios. Porque não integram de forma equilibrada, mulheres e homens, a energia feminina e masculina dentro de si. Porque não olham para as suas dores, para as crianças interiores feridas, porque não podem ser vulneráveis.

Como é natural tenho refletido muito sobre relações amorosas – aquelas que duas pessoas são dependentes uma da outra de forma tóxica. Porque sinto que de uma forma geral é isso que se vive. Confesso que o meu filtro é esse. Observo muitas relações de dependência que não cumprem com o propósito de crescimento em conjunto: casais que discutem ou que ficam em silêncio, que se acomodam, que vão morrendo por dentro, que encontram fugas em relações extraconjugais, na bebida, nas saídas noturnas, … para não se confrontarem com a sua própria ferida.

Como podemos mudar isto e criar relações amorosas saudáveis? Relações onde não esperamos que o outro não nos venha salvar da dor da criança ferida mas onde outro seja, simultaneamente, nosso aprendiz e mestre? Relações onde cada um pode ser autêntico e livre para ser quem é? Como podemos fazer isto?

Tudo bate, mais uma vez, no mesmo ponto: na educação.

E como podes ensinar o teu filho a ter uma relação saudável futura?

E, mais uma vez, tudo começa na educação, que é como quem diz: na tua reeducação.

Reeduca-te para puderes educar o teu filho de forma a que, tanto tu como ele, possam ter uma relação amorosa plena e consciente.

E é nesta temática que a minha alma tem andando nos últimos meses . Meses de descida, – uma descida profunda, escura, visceral – sem dúvida, mas também de grandes descobertas e aprendizagens. Aprender a salvar-me a mim própria, a ser a minha própria cuidadora, a acolher esta menina perdida, não é um caminho sempre a subir e cheio de flores mas, sem dúvida, é uma caminho de regresso a casa.

Uma coisa posso já revelar-te: só podemos ter relações de dependência saudáveis (e não tóxica) se nos vincularmos. A autonomia pressupõe dependência.

Se sentires, agenda uma sessão estratégica comigo aqui: http://www.carlapatrocinio.com/agendamento

O caminho faz-se caminhando…

Abraço,

Carla Patrocínio

O meu filho é rude, e agora?

Cheguei a casa cheia de amor para dar ao meu filho.

Fui a um workshop de adolescência com o Prof. Dr. Daniel Sampaio. Cheguei de lá cheia de consciência amorosa. Estivemos a abordar casos daqueles mesmo difíceis. Quem me dera ouvirem o que ouvi. Casos de crianças mesmo daquelas desafiantes – crianças abandonadas por várias famílias – que afinal eram crianças que simplesmente pediam amor.

E vim para casa cheia de gratidão pela vida, cheia de vontade de dar um abraço ao meu filho, cheia de expectativas, cheia de amorrrr….mas ………ele com apenas um comentário defrauda completamente as minhas expectativas: “Mãe agora não posso ouvir-te!”. Seco, direto, desligado. E o meu coração ficou tão pequenino. Apeteceu-me mesmo assumir o modo explosivo em mim: “Quem pensas que és? Como te atreves? Quem manda aqui sou eu!”

E respirei, respirei, respirei, … olhei para dentro, …. porque me doeu tanto?

As minhas expetativas é que o meu pré-adolescente seria fofinho e carinhoso comigo.

Mas depois de respirar percebi: Não é suposto um adolescente ser fofinho e amoroso!

Então fiquei triste mas recolhi-me para refletir: como posso abordar esta questão sem violência?

E, aqui entre nós, fiquei magoada.

Foram 2 horas de silêncio. Poderia ter entrado em modo chata. Em modo autoritária. Em modo quero dialogar para me achares fofinha. Em modo castigar. Mas decidi entrar simplesmente em modo não fazer nada.

Com dor. Mas sem querer controlar.

Vá, a verdade, é que ainda fui lá perguntar qualquer coisa sem importância com desejo de me conectar mas ele afastou-me: “Agora Não!”.

Voltou a magoar-me. Olhei para dentro. Voltei aos meus 13 anos. Eu era terrível, respostas tortas atrás de respostas tortas.

E então optei: vou ficar aqui a fazer as minhas coisas.

E sem eu esperar, de surpresa, aparece o meu adolescente com uma torrada com manteiga no prato para a sua mãe.

E pronto: foi isto.

Às vezes a “torrada” não aparece e eu não fico assim tão inspirada. Mas aparecendo ou não a torrada, há algo que confirmo: não optar pela ameaça, suborno, grito, castigo, violência, humilhação, e etc… dá um resultado maravilhoso: CONEXÃO.

Só precisamos de aprender a ser adultos, a regular as nossas emoções, a recordar-nos da nossa adolescência, a esperar, a acreditar no amor e a resssssssssssssssssssspirrrarrrr muito………….

Esta partilha foi feita em modo impulsivo, quase à uma da manhã, para te mostrar que também tenho desafios e que faz parte. Por isso chamo os meus filhos de Mestres.

Abraço,

da tua Coach Parental, Carla Patrocínio

Muda de vida se não te sentires satisfeita!

MUDA DE VIDA SE NÃO TE SENTIRES SATISFEITA,

já dizia António Variações

Havia algo que me faltava. Era uma sensação de insatisfação constante apesar de aparentemente ter tudo o que precisava. A verdade é que não estava a investir a minha vida naquilo que era verdadeiramente importante.

O que é verdadeiramente importante para ti Agora?

E estás a colocar o que te faz feliz e te realiza na tua vida em primeiro lugar ou andas em piloto automático numa espiral de ansiedade, reatividade, desesperança e nem tens tempo para pensar nisso?

Sempre tive um medo muito grande: o medo da escassez. Sinceramente não sei de onde veio porque, felizmente, os meus pais nunca me faltaram com nada mas era um medo que me assombrava – que me faltasse algo a mim ou ao meu filho. Então os primeiros anos de vida do meu filho foram com este medo: sempre a correr, em piloto automático, em stress porque nada nos podia faltar. Controlava tudo e todos.

Nessa altura trabalhava numa multinacional, eram muitas horas de trabalho, muita pressão, um ambiente de competição constante, ganhava bem – é certo – mas chegava a casa completamente esgotada e a más horas, nem conseguia ouvir e estar com o meu filho. A minha paciência era muito pouca e tudo o que ele fazia era considerado desobediência.

E era mesmo um stress: primeiro não queria entrar no banho, depois não queria sair do banho, … a rotina engolia-me e fazia-me estar completamente ausente quando estava com o meu filho. O meu nível de presença era pouco ou mesmo nada.

Não podia parar. E discutia constantemente com o meu filho.

Se estás em discussão constante com o teu filho é bom fazeres estas questões a ti própria: Como é que eu estou? Como é a minha rotina? Como me nutro? Qual o meu nível de realização em cada área da minha vida?

Naquela altura fartava-me de gritar e castigar o meu filho. E juro que até tentava fazer diferente mas o cansaço era tanto que não conseguia mudar.

E o meu filho estava cada vez mais desafiante e desregulado. Até que surgiu com sintomas que me levaram a começar a questionar onde andava a colocar o meu foco de atenção: atraso na fala, gaguez, agressividade, impulsividade, ansiedade, agitação… e tão resistente, tão resistente a tudo.

Neste momento houve uma altura em que fui obrigada a parar pois tive que retirar a tiroide por suspeitas de um tumor. Tinha 27 anos. Nos 2 meses que fiquei em casa a recuperar (felizmente não era maligno) percebi que não podia continuar como estava.

Disse “Basta” e decidi que tinha que fazer mudanças na minha vida. Não podia continuar a chegar tarde e a más horas, cansada, sem paciência, a casa. Nessa altura o meu filho era um dos últimos a sair da creche. Era algo que, apesar da minha inconsciência da altura, sentia que não era certo. Estar 11 horas numa creche!
Aos seus 2 anos de idade sai da multinacional onde ganhava 2000 euros na altura e decidi ser empresária. Porque queria ir buscar o meu filho à creche. Porque sabia que a minha não-presença estava a impactar no meu filho. Eu sabia. Foi preciso foi uma grande dose de coragem porque não tinha grande fundo de maneio e tinha que ajudar a prover a família.

Coloquei a minha família, o meu filho, em primeiro lugar. A controladora cheia de medo da escassez decidiu que bastava. Sabes… sentia que estava a morrer aos poucos se continuasse ali.

Confesso que quando me despedi houve uma parte minha que me dizia que estava a saltar para um precipício e que me ia estatelar. Ok, tinha mais ou menos planos para o que ia fazer mas, ainda assim, será que ia correr bem?

Depois de trabalho árduo tornei-me assim, muito resumidamente, numa empresária de sucesso. Ganhei muito dinheiro e tinha tempo para estar com o meu filho. Foi algo que me trouxe uma sensação muito grande de realização. E mais importante: pude ajudar o meu filho a ultrapassar os seus sintomas.

E com a minha atenção, presença e ajuda o meu filho começou a aceder a outro estado. Mais calmo, sereno, equilibrado. E sabes o que descobri? A resistência da criança é falta de conexão, é um pedido de ajuda!

Conto-te isto porque tenho falado com mães muito cansadas, esgotadas, em “burnout”, que estão muito preocupadas com os comportamentos dos seus filhos mas que preferem ficar na sua zona de conforto porque têm medo. Medo da escassez, medo do desconhecido, medo que a vida não as apoie e por isso ficam onde estão. Porque pensam que não podem sair daquele lugar escuro. E são legítimos esses medos.

A vida acompanhou-me. Seguir o meu sentir, o meu instinto, levou-me a ter oportunidades e fazer coisas que nunca sonhei. Mas o mais importante: foi ter espaço e tempo para acompanhar o meu filho.

Há 6 anos voltei a saltar novamente para o “precipício” quando tomei a decisão de seguir mais uma vez o meu instinto e encerrar a empresa que me tinha dado tanto.

Alguns chamaram-me de louca mas aquela sensação de “morrer aos poucos” estava a começar a aparecer e eu senti que era a hora. E foi assim que materializei aquilo que considero ser o meu propósito de vida: ajudar as crianças a serem livres para serem quem são através dos seus maiores especialistas, os seus pais.
Não vou romantizar: o caminho não é sempre a subir – há obstáculos, há medos, há dúvidas, há muito trabalho mas há uma verdade que supera tudo: sentes-te viva!

Viva!

E quando coloco tudo em retrospetiva descobri algo maravilhoso: quando saltas para aquilo que pensas que é o “precipício” lá em baixo há uma rede, há uma rede que te ampara. Há uma rede que não te deixa estatelar e desmembrar. A vida apoia-te. A vida acompanha-te. Quando segues o teu sentir, o teu coração, quando tens a ousadia de avançares, há uma mão que te ampara e te suporta.

E por isso quando acompanho mulheres que estão ou querem mudar de vida porque sentem que não estão a ser as mães que sonharam ser, sinto o meu coração expandir. Sinto mesmo o meu coração expandir. Ajudá-las a descobrir o seu potencial, a desconstruir uma série de crenças que as impedem de avançar, a atravessar os seus medos de falhar, de cair, do julgamento, etc… é algo brutal para mim porque sei que para além de acederem ao seu potencial vão ajudar os seus filhos a fazer o mesmo.

É lindo!

“Mas não há tempo, não há dinheiro, ainda não é o momento”. Estas são as desculpas que normalmente utilizamos para não avançar. Esquece! Isso não são os verdadeiros obstáculos. Eu sei que poderá até ser ofensivo para algumas pessoas o que estou a partilhar porque têm mesmo pouco dinheiro e contam todos os meses os tostões. E o que te posso dizer é que eu também já estive ai. Eu sei o que é isso. E sei que dá um medo daqueles. Mas se o chamamento para mudar vem de dentro não hesites.

Se houver trabalho, disciplina, foco há uma rede que te ampara.

O CANSAÇO DE UMA MÃE IMPACTA NO SEU FILHO

MUDA DE VIDA SE NÃO TE SENTIRES SATISFEITA POR TI E PELO TEU FILHO!

Vou iniciar a 4ª edição do meu Programa em Maio. Se sentires que chegou o momento de colocares a ti ou à tua família em primeiro lugar agenda a sessão estratégica gratuita aqui: www.carlapatrocinio.com/agendamento

A tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

A minha verdade é esta, e a tua?

Já há muito tempo que não escrevo por aqui… mas nas últimas semanas a Vida trouxe-me esta pergunta muitas vezes: qual é a tua verdade? o que te move afinal? qual é o centro do teu propósito?

Então foi desconstruir novamente tudo. E se por um lado, odeio ser fundamentalista, por outro, há verdades que não posso continuar a calar. E ainda que não as consiga sempre materializar na minha vida (sim, às vezes também sou incongruente) são elas que me movem e que dão sentido a tudo o que vivi e que hoje em dia sou.

Então afinal qual é e minha verdade?

Vou ser um bocado bruta mas encara como “tough love”. 

E a verdade é:

Não há crianças/ jovens com problemas. Quem tem os problemas somos nós. Há um sistema com problemas. Um sistema que no “alto do seu pedestal” tem medo de ser destruído. Um sistema que procura obediência a qualquer custo porque todo e qualquer ato de desobediência ameaça a sua manutenção. Um sistema patriarcal que simplesmente está focado em produzir, fazer, metas, objetivos. Tudo o que coloca em causa o seu funcionamento é mal visto.

Vivemos uma espécie de hipnose coletiva. O mais importante é o desempenho comportamental e escolar das crianças. O foco de atenção das respostas mais tradicionais é resolver o comportamento e desempenho escolar das crianças.

A sério???? Really?

A maioria de nós portou-se bem e realizou cursos superiores e onde é que isso nos levou?

Estás feliz, realizado, pleno?

Ou sentes um vazio, cansaço, escuro que não consegues explicar?

Depressão, Neurose, Ansiedade, Perturbações Mentais…. parece que cada vez existe mais disto.

Vamos lá, olhar as coisas de frente: Não são as crianças que estão desatentas, agitadas, ansiosas, impulsivas, … SOMOS NÓS!!!!

NÓS, ADULTOS, é que vivemos cegos, surdos e desconectados da nossa alma. E depois criamos seres desconectados da sua alma.

O que é que a tua Alma te está a pedir? 

Responde a esta pergunta e esquece lá a mente… porque essa vai achar a pergunta estúpida … ouve aquela parte de ti que sabe…. TU SABES!

Sim, é verdade, não é fácil ouvir essa parte porque o sistema ensinou-nos a estar atentos só à nossa mente. A mente é que tem razão.

E claro, a mente é importante, não é para descartar, mas a verdade é que também pode ser a nossa pior inimiga. A nossa mente vai dizer que tudo vai correr mal e que o futuro dos nossos filhos vai ser uma porcaria e cenários dantescos…  e vamos ficar no purgatório… eu sei lá… Tanto lixo que nos condiciona.

Que apareçam cada vez mais crianças que nos desafiam

Que apareçam cada vez mais crianças que nos retirem do centro

Que apareçam cada vez mais crianças que coloquem em causa as nossas verdades

Que apareçam cada vez mais crianças desobedientes

Porque é urgente!

É URGENTE OLHARMOS PARA NÓS!

E o estado emocional dos educadores (pais e professores) conta muito mais do que aquilo que se fala

Não era pelos comportamentos das crianças que devíamos começar

Era pelo nosso

Respondemos aos seus comportamentos desobedientes conotados de “mal educados” com gritos, castigos, ameaças e subornos!

Isto é ser bem educado? Será este o exemplo mais indicado? E afinal: está a resolver a questão a longo prazo?

Desenvolvimento Pessoal para todos, devia ser obrigatório!

Vamos à procura de estratégias, dicas, ferramentas lá fora.

Lemos livros, vamos palestras, pesquisamos na internet.

Somos uns verdadeiros especialistas! Sabemos tudo!

Só que esquecemo-nos de uma coisa simples:

INFORMAÇÃO NÃO QUER DIZER TRANSFORMAÇÃO!

Para isso, querido educador/a, tens que meter a mão na massa

E às vezes, não é fácil. Não há tempo, dinheiro, ainda não é o momento. Essas desculpas que todos damos (eu também ; ))

E depois é o sistema que nos passa a mensagem que temos de encontrar soluções rápidas e eficazes. Só que a maioria delas não estão focadas em desenvolver uma autoestima saudável na criança. Estão centradas que a criança se comporte corretamente na sala de aula, que se sente direitinha à mesa, que não responda à professora, que se cale e fique quietinha, que pertença a um determinado padrão – que é cada vez mais exigente.

Foi preciso uma coragem daquelas: VISCERAL! Uma  coragem para criar uma bolha à minha volta e ouvir aquela parte de mim que sabe. Que sabe qual o caminho certo!

E agora vou partilhar uma coisa que nunca confessei: o meu filho desde os 3 anos que deveria tomar medicação. Nunca lha dei.

E mais uma vez: não julgo ou condeno quem dê. Sinceramente, até acho que essa discussão nos desfoca do principal. E até acho que há crianças que precisam.

O que tenho pena é que nos esqueçamos de olhar para o sistema que acolhe e apoia as crianças.

Fico é triste que, em simultâneo, não procuremos , enquanto sociedade, colocarmo-nos em causa e trabalhar a Aceitação.

Mas porque raio temos há uns que são superiores aos outros? Porque não podemos aprender sem ser sentados e quietos?

Aceitar cada criança tal como é.

Procurar o seu potencial e não falha.

Desvendar a necessidade e não o erro. É o meu sonho.

Só que para aceitarmos as crianças tal como são, e aqui a “porca torce o rabo”, precisamos de nos aceitar. Precisamos de nos aceitar. Pois é…

Precisamos de saber quais os nossos limites e comunicá-los sem ser de forma violenta (eu ainda estou em aprendizagem…).

E isso, com a educação que tivemos, com o sistema que temos, isso é tão difícil.

Porque temos de voltar ao nosso passado, revisitar a criança que fomos, fazer as pazes com os nossos pais, conhecer a nossa sombra, aprender a atender as nossa necessidades que não foram satisfeitas.

É um caminho duro… é preciso compromisso, disciplina, foco, tempo, paciência,…. qualidades que hoje em dia não são muito desenvolvidas…. mas é tão LIBERRRRTADORRRRRRRRRRRR…….

Libertas-te das amarras que te prendem

Libertas-te das vozes que te culpabilizam

Libertas-te dos medos que te condicionam

Libertas-te aos poucos mas consistentemente

E encontras … ao princípio de forma envergonhada, depois muito clara, aquilo que nasceste para ser

Estás livre para seres quem és! ESTÁS LIVRE!

E dás finalmente permissão ao teu filho para ser quem é!

Então o cerne do meu propósito, aquilo que me move é: UM MUNDO ONDE TODAS AS CRIANÇAS POSSAM SER ACEITES TAL COMO SÃO!

E é nesse sentido que hoje te peço:

Ouve aquela parte de ti que é sábia

Ouve aquela parte de ti que é Amor – que sabe que está tudo bem!

OUVE AQUELA PARTE QUE SABE QUE O TEU FILHO NÃO PRECISA TER NADA, SER NADA, FAZER NADA, PARA SER AMADO TAL COMO É!

Como fazer isto?

Tens de mergulhar, reeducar-te, centrar-te, reencontrar-te. É fácil?

Talvez não. Mas, caramba, é tão LIBERTADORRRRRR!

A Páscoa significa Renascimento – este é o momento ideal para dar um novo sentido à nossa vida. Acalmar a nossa alma e ouvir a nossa voz.

Esta partilha  significa o meu Renascimento – mais perto da minha verdade, fiz novos compromisso internos. E a tua verdade, qual é?

E a do teu filho?

Se quiseres dar esse mergulho no sentido de ouvires a tua voz, se sentires que este caminho é para ti, agenda aqui uma sessão estratégica individual gratuita comigo: http://www.carlapatrocinio.com/agendamento

Vamos conversar sobre como ativares o modo Aceitação!

P.S- Uma curiosidade: a menina na foto acima é a minha criança, sou eu. Porque achas que coloquei essa foto a acompanhar este artigo? ,; )

Abraço apertado,

Carla

 

 

 

 

Quando os filhos crescem e o coração de mãe aperta, o que fazer?

Fechou a porta do quarto e pediu para ficar sozinho. O meu coração, sem estar à espera, ficou pequenino.

O meu filho Gui de 12 anos já começa a pedir privacidade, já diz que tem vida própria, já tem conversas secretas com os amigos…
É uma ambivalência ver um filho crescer: se por um lado, a felicidade emerge por observar a sua vontade de autonomia e maturidade, por outro lado – confesso – dói. Dói ver que aos poucos o que digo, faço e sou tem cada vez menos peso no que ele diz, faz ou é. Dói por saber que existirão momentos que já não poderei ajudá-lo a saltar todas as pedras que aparecerão no seu caminho. Dói porque sei que haverá estórias que ele não me contará. Dói por saber que existirão quedas que não poderei amparar.

As vezes observo o medo a cercar-me…

O mais pequenino, o de 3 anos, também já quer ser autónomo. Claro que é diferente da fase do mano mais velho mas não deixo de fazer um certo paralelismo. Quer ir à casa de banho sozinho, quer subir a árvore sem ajuda, quer ir para o mar sem amparo. E é tão bom observar isso! Mas depois existe o mesmo misto de emoções: alegria, medo, admiração, contentamento, ansiedade, … Ainda no outro dia era bebé… e hoje já quer escorregar sozinho lá do alto sem ajuda. É um grande aventureiro este meu filho.

As vezes observo o medo a cercar-me…

Há uns anos para fugir da emoção “medo” provavelmente não os deixaria sozinhos no quarto ou no escorrega. Mas hoje dou por mim a confiar. A confiar no caminho de ambos. Claro que o medo continua presente mas agora não me deixo arrastar por ele, observo simplesmente o que me traz essa emoção. E faço uma escolha: decido confiar. Porque sabem o que acontece quando o medo nos arrasta, não é?

Gritamos, somos do contra, entramos em erupção, transmitimos o nosso medo e insegurança. 

Hoje decido confiar. Para mim, que sempre fui medrosa, não é fácil.

A respiração, o voltar ao aqui e agora, ajuda-me a centrar.

Dou um passo atrás e respiro.

E atenção: confiar não é deixar de estar atenta, presente.

Confiar é lembrar ao meu coração que o meu medo não lhes pertence. É libertar os meus filhos das minhas prisões, dos meus fantasmas, das minhas ilusões, das minhas heranças, dos meus quereres. 

Não é fácil. Mas os meus filhos ensinaram-me isto  – a largar as expetativas de como deveria ser. A aceitar o que é. A deixar de controlar quando a vida assim me pede.

Mas quando o medo regressa forte e feio recordo–me deste poema de Gibran Khalil Gibran :

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável

Que sejamos este arco que permanece estável.

E tu, quando observas o teu filho a querer crescer o que fazes: confias ou controlas?

Pede ao teu coração permissão para confiar. A confiança é um dos pilares para uma autoestima saudável.

Como?

1 – Para

2 -Mete a mão no teu coração

3 – Respira com atenção à respiração

4 – Repete o mantra: eu confio no meu filho

5 – Sorri

Um bom fim de semana,

Carla

 

 

“O meu filho não tem direito a zangar-se!”

“O meu filho não tem direito a zangar-se!”

Escrevi um dia quando me perguntaram sobre as minhas expetativas em relação ao seu comportamento. A zanga do meu filho era algo que me afastava do meu centro. “Que direito tinha ele de zangar-se, que direito!”. Nesses momentos ficava muito focada em acabar com esse comportamento o mais rápido possível, utilizando várias estratégias que, no final, acabavam sempre em explosão: gritos, ofensas, comparações, menorizações, enfim… tudo aquilo que não queria e que me fazia sentir mal enquanto mãe.

A resposta final que oferecia a maior parte das vezes à sua zanga era zangar-me. O que não sabia é que por detrás desta zanga existia outra emoção que não queria olhar. A verdade é que aquele comportamento despertava em mim muitas memórias e sensações que não sabia como lidar.

Um dos maiores desafios para a maioria dos pais é lidar com a zanga dos filhos. Mas antes de desvendar como lidar com a zanga nos nossos filhos, vamos desconstruir alguns mitos que existem em relação à emoção zanga.

MITOS EM RELAÇÃO À ZANGA

 – A zanga não é necessária

A zanga, que muitas vezes é expressa de forma violenta, é a emoção mais incómoda que pode existir em todos os contextos de forma geral. Por este motivo, persiste o mito de que para um ambiente ser harmónico não pode existir zanga. Nos ambientes mais formais, a tendência é reprimir esta emoção. Uma curiosidade a referir é que os seres humanos são os primeiros mamíferos a reprimir reações emocionais. Nos ambientes informais, como em casa com a família, dá-se muitas vezes o oposto: a explosão. Uma educação consciente deve mostrar o caminho para canalizar a zanga de forma saudável – para que esta não se expresse de forma agressiva e violenta – mas não a deve proibir. Mas em primeiro lugar temos de largar este mito: a zanga tem direito a existir! A zanga é necessária! Em nós, nos nossos filhos, na nossa família e por aí fora. Porque, como observamos no mundo de hoje, quando não existe espaço para a zanga, ela acaba por se manifestar de formas terríveis. A questão é como não me posso zangar vou-me maltratar e/ou maltratar os que me rodeiam.

– A zanga é uma emoção negativa

Não existem emoções negativas ou positivas. Todas fazem parte da natureza humana e devem honradas. Qualificar dessa forma as emoções faz-nos querer fugir do sentir que as adjetivadas como negativas nos provocam. Honremos por igual todas as emoções. A nossa zanga, quando acolhida com gentileza, permite-nos comunicar os nossos limites e encontrar o nosso lugar no mundo. Nesse sentido pode ser bastante positiva, não é?

A sugestão é substituir emoção negativa por emoção contrativa. Existem emoções que nos fazem expandir, como a alegria, e outras que nos fazem contrair, como a zanga. Por ser uma emoção que nos contrai a sua intenção é que olhemos para dentro de nós. E desse olhar podem surgir descobertas muito positivas e empoderadoras.

– A zanga tem que ser extinta

Esta crença deixa que informação muito importante e poderosa acerca de nós nos passe ao lado sem nos darmos conta. Informação essa que pode ser deveras impactante no nosso crescimento. Se estamos apenas focados em fazer com que essa zanga desapareça, dificilmente conseguimos ver o que está para além. É possível converter aquilo que até agora consideramos o nosso pior inimigo em nosso maior aliado ao olhar para esta emoção como uma oportunidade de autoconhecimento. Essa zanga não tem que ser extinta pois isso gera respostas de fuga (vamos acabar/ fugir da zanga) em relação à mesma. Essa zanga tem sim que ser transformada, ou seja, sentida, observada, acolhida e questionada com compaixão. Qualquer emoção tem dentro de si uma mensagem mágica a desvendar. Que tenhamos a ousadia de a descobrir…

 O IMPACTO DA ZANGA NÃO TRANSFORMADA

Poderia enumerar uma série de consequências em relação à zanga não transformada, isto é, em relação à zanga que fica cá dentro escondida ou que sai de forma descontrolada sem olhar a meios. A nível macro, os exemplos são vários e aterradores. A nível micro – porque é algo que é uma “bola de neve” e acaba por impactar em todas as áreas da nossa vida, inclusive na nossa autoestima (como te sentes quando explodes com o teu filho?)- é devastadora. Mas uma consequência que acho importante referir e urgente de olhar é a desconexão que gera entre pais e filhos. A falta de ligação sentida pelos jovens em relação aos seus cuidadores primários está a tornar-se muito perigosa. Existem cada vez mais jovens com ataques que ansiedade, pânico, a mutilarem-se… É urgente, é urgente saber como podemos transformar a zanga num espaço de autodescoberta e crescimento e como podemos ajudar os nossos filhos a fazer o mesmo.

DICAS PARA OS PAIS LIDAREM COM A ZANGA DOS FILHOS

O artigo de hoje é sobre isto: como lidar com a zanga dos nossos filhos?

As crianças desenvolvem uma parte considerável das suas capacidades emocionais através da observação e da imitação. Hoje em dia fala-se muito sobre os neurónios-espelho que são um circuito de neurónios existentes no cérebro cujo o principal fim é aprender através da observação. Isto faz com que, por exemplo, quando uma criança vê o pai ficar zangado, o seu cérebro imagina-a igualmente zangada. Neste sentido, no processo de ensinarmos os nossos filhos a transformar a sua zanga, o primeiro passo é proporcionar bons modelos que a criança possa imitar. Educamos pelo exemplo. Mas como o podemos fazer se não nos ensinaram?

A maior parte de nós reage à sua zanga de duas formas: ou reprime ou explode. No meu caso, eu era a mestre da explosão. Independentemente de qual das formas que utilizamos, ambas são prejudiciais à saúde. Mas a zanga “dá-nos jeito” (digo eu, ironicamente) porque é a desculpa – inconsciente – perfeita para não nos fazer entrar em contato com aquilo que verdadeiramente sentimos. A zanga quando não observada é uma fuga a uma sensação que pode ser muito assustadora numa sociedade como a nossa: a nossa fragilidade, que é como quem diz, a nossa humanidade.

A boa notícia é que aceder a essa humanidade pode levar-nos a caminhos poderosos nunca antes navegados. E, apesar de não nos ensinarem a lidar com a zanga, podemos aprender – mesmo – em adultos, se assim o quisermos. Neuroplasticidade é um conceito recente que descobriu que o nosso cérebro, ao contrário do que se pensava, tem capacidade para se remodelar e regenerar ao longo de toda a vida através das experiências externas. Quer isto dizer que ninguém está fadado a ser como é, podemos sempre aprender e mudar velhos padrões.

Reeducação é a palavra chave. Vamos a isso?

Chegas a casa e o teu filho não quer tomar banho, depois de vários avisos. E começa aí a espiral até que pum: reprimes (deixas fazer o que o teu filho quer não colocando limites), explodes (ofende-o…) ou …. será que existe outra saída?

DAR COLO À TUA ZANGA

Sim, existe outro caminho que é: dar colo à tua zanga. Como podes fazer isso? Lê abaixo:

 – Cria um espaço

Para, sai da zona de conflito. Este passo é crucial para conseguires criar um espaço de quietude. Quando os nossos filhos têm um comportamento que nos desafia é como se nos sentíssemos ameaçados. Nesse momento é como se houvesse uma batalha entre as nossas expetativas e a realidade. Por isso, respira e renda-te ao que está a acontecer. Se fizeres uma respiração profunda, lenta e abdominal conseguirás desligar esses mecanismos de alerta e criar um espaço entre a emoção intensa e a reação. Está com a tua respiração durante algum tempo …

– Olha para dentro

Sente a energia da emoção. Coloca-te no “olho do furação” acompanhado pela tua respiração. Não tentes modificar, julgar, fugir dessa emoção. Observa-a simplesmente, com gentileza e curiosidade: em que zonas do teu corpo se tende a esconder e intensificar?  Nessas áreas podes, inclusive, visualizar se essa emoção tem cor, forma ou textura. E continua respirar a emoção. Sente a força que tem no teu corpo. E continua a respirar… dando colo à tua zanga.

– Torna-te amigo da zanga

Pergunta-lhe o que te quer dizer: que mensagem tens para mim? Que necessidade minha não está a ser atendida?

Um dia percebi que a emoção primária da zanga era o medo e continuei a respirar… surgiu o medo de não ser respeitada… e deixei-me ir …. surgiu o medo de não ser suficiente, de não ser boa mãe… e deixei-me ir… e lembrei-me da minha criança que muitas vezes não foi ouvida e respeitada. E percebi: era por medo de aceder a essa vulnerabilidade que me zangava. Um dia olhei-me ao espelho no momento da explosão e vi… vi uma criança assustada. A mensagem da zanga nesse dia foi: é altura de cuidar de ti.

Se queres transformar a zanga e relacionares-te com o teu filho de uma forma mais consciente o truque é olhares para dentro de ti. Muda o paradigma: não é o teu filho que te faz zangar, é a tua pessoa que fica zangada. Os gatilhos não estão fora de ti, estão dentro de ti. Reflete: porque é que o mesmo comportamento de um filho pode ser desafiante para um dos progenitores (levando à explosão) e para o outro não?

Quando aprendes a lidar com a tua zanga já tens quase todo o caminho feito para lidar com a zanga do teu filho. Já não vais ficar perdido, atrapalhado, irritado porque já tens recursos para ajudar o teu filho nessa jornada. No entanto, existem algumas dicas que gostaria de te transmitir para te ajudar a lidar com a zanga teu filho (que, muitas vezes, porque se volta contra ti – com agressões físicas ou verbais – se torna difícil de suster).

DICAS PARA LIDAR COM A ZANGA DO TEU FILHO

– Reconhece o direito à zanga do teu filho

Reconhecer que o teu filho tem direito a zangar-se é ensinar-lhe que as suas emoções/ necessidades têm valor, ainda que, às vezes, precise de aprender a expressá-las de outro modo. Se, por exemplo, a criança te chama nomes deves ensiná-la que não pode fazer isso (limitar gentilmente mas de forma clara) mas sem reprovar as suas emoções. “Não podes fazer isso mas podes sentir essa emoção, eu vou ensinar-te a expressá-la de forma saudável…”, é esta a mensagem que deves transmitir.

– Valoriza a zanga do seu filho e dá-lhe espaço

Quantas vezes em pequenos ouvimos frases deste género quando estávamos zangados: “Mas estás zangado por causa disso?, “ Olha este jogo, esquece isso, já passa!”, “ Chega ou levas uma palmada! “.

A criança ou jovem está zangado por alguma razão. Ignorar, distrair ou explodir não é a resposta mais acertada para o ensinar a lidar com essa emoção. Nesse momento não desvalorizes, simplesmente está presente com um abraço ou, se não for possível, em silêncio. Isso também passará…

– Percebe qual a necessidade que está por detrás da zanga

Nesse momento faz de conta que és um super-herói e coloca os teus “óculos supervisão”. Em vez de tentar corrigir o comportamento, olha para o que está submerso: a necessidade. “Todo comportamento é comunicação” é um dos axiomas da Teoria da Comunicação. O que será que ele está a tentar comunicar? Que necessidade terá por satisfazer?

 – Transforma zanga em conexão

Quando o comportamento de explosão da criança terminar, em vez de passar à conversa do que ela pode ou não fazer ou como fazer, foca-te antes de tudo em estabelecer ligação.

– Ajuda-o a acolher essa emoção

Ajuda-o a identificar a emoção que surgiu no momento da desregulação emocional, reafirma o direito de ele a sentir e procura alternativas com ele para que possa expressá-la sem passar ao ataque ao outro. Algo que o meu filho me sugeriu foi ter um saco de boxe para conseguir libertar a sua zanga.

Não consigo deixar de explodir!

Transformar zanga em harmonia é possível mas isso não quer dizer que os momentos de impaciência deixem de existir, continuamos a ser humanos. O que posso partilhar é que agora quando explodo procuro sempre não apontar o dedo para fora mas sim para dentro e, se tiver que gritar, que seja para verbalizar as minhas emoções e necessidades e não para maltratar o outro.  

Mas não consigo deixar de explodir? Esta é uma observação que normalmente me colocam alguns pais que procuram a minha ajuda. Claro que não é fácil deixar de explodir. Reeducarmo-nos exige esforço, paciência, repetição, disciplina e treino. E este caminho tem várias etapas que neste artigo não é possível trabalhar, no entanto o que é importante referir é que não explodir é uma Escolha. Pode escolher sempre não explodir. É uma escolha que exige treino porque pressupõe mudança de hábitos, que há anos estão instituídos em nós, mas que é possível. Sim, é possível! Se eu consegui, também consegues!

– Se de repente as emoções tomam conta de ti e sem dar por isso explodes com o teu filho, sentindo-te culpada;
– Se te sentes triste com esses teus comportamentos mas não sabes como fazer diferente;
– Se tens um filho ansioso, agitado, reativo, impulsivo e queres ajudá-lo mas não sabes como o fazer;
– Se queres urgentemente mudar essa situação;

agenda uma sessão estratégica gratuita comigo aqui para saber como podes alcançar essa intenção aqui: http://www.carlapatrocinio.com/agendar

Abraço,

Carla Patrocínio

 

Como pode um ser (não nascido) despertar uma mãe?

Já tinha desistido ou pelo menos adiado o sonho até que engravidei novamente sem saber muito bem como. Foi uma gravidez complicada. Perdi sangue várias vezes, estive meses de repouso em casa, fui internada 3 vezes.

Houve um dia por volta das 12 semanas de gestação que, depois de mais um episódio assustador, me agarrei à barriga e lhe perguntei do mais profundo do meu ser: “do que precisas?, o que queres de mim?”. E a resposta foi muito clara: “Respira, Confia, Ama”. Nesse momento Rendi-me.

Eu estava com medo. Medo de o Amar. Amar, depois de perder 3 vezes sem aviso, é como saltar de um penhasco sem pára-quedas. É mesmo aterrador. Um salto de fé. Mas foi com este mantra na cabeça e no coração que sobrevivi e me entreguei ao que viesse. Foi este ser que me ensinou o verdadeiro significado da palavra Confiança. Foi este ser que me ensinou que Agora, neste milésimo de segundo, está tudo bem. Foi este ser que me ensinou que o Amor Incondicional não quer saber do amanhã. Foi este ser que me ensinou que a honrar a natureza feminina. Foi este ser que me ensinou a saber receber.

É isto que os filhos fazem por nós. Os nossos filhos têm esta generosidade de nos indicar o caminho da liberdade se assim nos disponibilizarmos a sair do nosso pedestal.

Não sabia qual ia ser o desfecho mas fiz o que ele me pediu. Respirei, Confiei, Amei. Sempre que ia fazer uma ecografia ou que acontecia algo assustador acontecia era esse o mantra que repetia incessantemente.

Podia ter dado em maluca. Podia ter descompensado. Podia ter deprimido. Podia ter ficado doente. Nada disso aconteceu porque o meu bebé me salvou.

Só lhe fiz um pedido: que ele nascesse o mais rápido possível mas dentro do tempo de segurança.

Nasceu a 3 de janeiro de 2015 no dia que fazia 37 semanas. (será coincidência ?)

Não te entregues ao papel da vítima. Mereces melhor. Tu e o teu filho.

As perguntas são:

– Permito a mim própria ser levada para um lugar de Aprendiz na relação que tenho com o meu filho?

– Como posso ser uma mãe que olha para o seu interior, acolhendo tudo o que vem com amor e compaixão?

– Como posso ouvir a mãe sábia que existe em mim e cuidar de forma sagrada da relação que tenho com o meu filho?

– Atrevo-me a ir contra os paradigmas existentes e a ouvir a voz do Amor (e não a do medo, do julgamento, da crítica)?

Hoje este ser faz 3 anos. Umas vezes ainda tento controlar, umas vezes ainda quero ser perfeita, umas vezes ainda quero fugir, umas vezes ainda me esqueço de respirar … mas outras vezes vejo-me tão diferente do que era que eu própria não me reconheço. Gratidão ao meu mais pequenino que me fez redescobrir a mulher que há em mim.

Parabéns pelos teus 3 anos de vida.

Mãe querida, por muito que os tempos sejam difíceis, o teu filho é teu Mestre, sempre.

Se quiseres ir mais além, estou aqui.

Abraço,

Carla Patrocínio

Que sentido dás à tua história?

Hoje quero contar-vos uma história. A minha história até aqui.

CAPÍTULO 1

Era uma vez uma menina.

Uma menina intitulada de “difícil”, “inconveniente”, “problemática”, “desafiante” e por ai fora.

Como tinha muitas dificuldades em gerir as suas emoções e reações a menina cresceu a pensar que tinha um problema qualquer. Que não tinha potencial, dom, talento. E sentia-se muito triste com isso.

CAPÍTULO 2

Calculam como foi a fase da adolescência? Seria demasiado perturbador para os mais sensíveis por isso abstenho-me de entrar em pormenores. Posso dizer que a jovem fugiu. Fugiu do mundo do sentir. Era rebelde. Queria chocar o mundo.

CAPÍTULO 3

A menina cresceu e teve um filho. A dificuldade em lidar com as suas emoções, reações, impulsividades continuava e por isso o que aconteceu a seguir foi muito desafiante.

Os problemas começaram quando o seu filho tinha 2 anos e pouco. Já devia falar e não dizia uma única palavra. Não obedecia a nenhum pedido. Não parava um único momento.

Com 3 anos as queixas continuam e vai à primeira consulta com o pediatra de desenvolvimento. Recomenda-lhe terapia da fala. Ela estupefacta pergunta: “Como? Se ele não pára quieto!” Resposta: “Medica-o com risperdal.”

Vai à internet, pesquisa sobre o assunto: “A sua principal indicação é para o tratamento de sintomas psicóticos, especialmente os pacientes esquizofrênicos que não melhoraram com outras medicações anti psicóticas.” O QUÊ? Fica em choque. Ele tem 3 anos.

Começa o seu desespero. Procura outros médicos. Pesquisa, liga, pede opiniões, vai a várias consultas. Após uma procura intensa consegue finalmente encontrar uma pediatra de desenvolvimento que a inspira: calma, serena e equilibrada.

Nesse momento o seu objetivo é encontrar os especialistas certos para que o seu filho possa ultrapassar as suas limitações. Resumindo e baralhando o seu menino tem consultas regulares de: pediatria, pediatria de desenvolvimento, terapia da fala, otorrinolaringologia e oftalmologia.

Vários despistes. Vários anos de sofrimento, de incógnita, de desespero, de confusão, de turbulência.

Chega aos 6 anos. A pediatra de desenvolvimento, que o acompanha há 2 anos, diz ter chegado o momento de saber. As suas palavras são: ele tem perturbação de hiperatividade e défice de atenção. Na sua opinião, devia começar já a tomar medicação e ver se fazia efeito.

Nesse momento fez uma escolha. Decidiu ouvir a mãe sábia que havia em si. Não sentiu que fosse por aí o caminho. (Existirão outras verdades, esta é a sua, acreditemos nas mães sábias). Decidiu mergulhar em si: porque é que esta situação lhe tirava tanto do sério? porque é que os comportamentos do seu filho mexiam tanto consigo? como podia ajudar o seu filho? Foi à procura. Decidiu começar pelo princípio: olhar para si e começar a estudar sobre como educar com o coração.

Este filho levou-lhe a dar o primeiro mergulho em si.

CAPÍTULO 4

Estava mais centrada, equilibrada, ponderada. Decidiu ter outro filho. Teve 3 corações que ouviu bater dentro de si e que passado um tempo, sem avisar, pararam. Foi duro, visceral, um murro no seu coração. Ao final do segundo, a dor dilacerou-a por completo e não aguentou: ou tomava comprimidos para a depressão ou dava mais um mergulho. Fez uma escolha e decidiu submergir por completo. Retiro da sombra. Desta vez uma imersão bem profunda.

CAPÍTULO 5

Foram anos de descida. Anos de sombra. Anos a olhar para aquelas partes suas que sempre escondera, até de si própria. Aquelas partes que a envergonhavam. Aquelas partes suas de que sempre fugira.

Foram anos a estudar. Sobre Educação, Comunicação, Atenção, Presença, Amor Incondicional. Sobre vínculo entre pais e filhos.

Foram anos de dor mas também de renascimento.

CAPÍTULO 6

Engravidou mais uma vez.  Não sabia o que ia acontecer. Foram 37 semanas de mais um mergulho mas desta vez diferente. Existia algo de conforto neste mergulho. Desta vez foi um mergulho a viver no agora. De entrega, de rendição, de presença. Porque decidiu amar sem saber o que iria acontecer.  Um salto de fé. A 3 de Janeiro de 2015, depois de um longo caminho, de estar de repouso em casa, internada, a perder sangue, nasceu o seu segundo filho. Este ensinou-a a confiar, a dar-se colo, a saber receber.

CAPÍTULO 7

Um dia, depois deste olhar intenso em si que os seus filhos lhe trouxeram, percebeu: afinal não tinha nada de mal.  Afinal era Imensa, tal como tu, tal como o teu filho.  O olhar (para o que nunca quis olhar) trouxe-lhe algo que nunca pensara: o amor por si.

CAPÍTULO 8

A criança difícil, a adolescente rebelde, a jovem adulta reativa, impulsiva, descontrolada deu lugar a uma nova pessoa. Não. Ela não mudou. Na essência continua a ser a mesma mas agora sabe quem é e sente-se bem com quem é. Continua a ser imperfeita. Como mãe, amiga, filha, companheira, … comete erros. Mas agora não se castiga quando isso acontece. Dá-se colo e procura ajuda, se assim o sentir.

CAPÍTULO 9

A criança difícil, a adolescente rebelde, a jovem adulta reativa, impulsiva, descontrolada, já deves calcular, sou eu. Hoje em dia sou Coach Parental e ajudo pais e filhos a desbloquearem todo o seu potencial. Mães, pais, filhos. Precisam de colo, de um olhar sem julgamentos. De alguém que os ajude na sua jornada de procura por ligações verdadeiras, autênticas, conectadas. Porque sei que apesar do medo, para além do medo, existe Amor. Porque sei que para além do medo, existe Paz.

PORQUE CONTEI A MINHA HISTÓRIA ?

Contei porque observo. Mães cansadas, esgotadas, perdidas. Em sofrimento. Pais que se escondem, fogem, fingem não ver. Em sofrimento. Mas a minha grande dor: filhos perdidos, sozinhos, desnorteados, alheados, revoltados. Em sofrimento. E eu sei o que é estar nesse lugar. Eu sei. A minha criança e adolescente sabe bem. Hoje deita para o lixo a mentalidade que te diz que o teu filho te está a testar os limites, a faltar-te ao respeito, a ver até onde pode chegar. Esquece isso. Hoje vai mais fundo: dá sentido à tua história – o que será que o teu filho te quer ensinar? o que ele já te ensinou? O crescimento é feito em conjunto se assim o desejares. Ligados pelo coração.

Não tem sido fácil lidar com os desafios que os meus filhos me trouxeram mas agora sei que o caminho que me apresentaram foram oportunidades. Oportunidades de crescimento, empoderamento, renascimento. Se sofri? Muito. Se tivesse escolha, teria passado por isto? Não, não tinha. Se agora sou mais feliz, inteira, humana, grata, confiante? Sim, sou.

E sabes porquê?

Aquela menina, aquela criança, descobriu que afinal tinha um grande potencial.

E ao desbloquear o meu potencial, desbloqueei o do meu filho.

Hoje quero que dês um sentido à tua história…

O teu filho precisa de ti.

Se não conseguires fazer isto agora sabe que tens uma escolha: podes encontrar esse sentido. Se quiseres ajuda, dou-te a mão.

Abraço imenso da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

Mãe desatenta precisava de filho atento

Estava presente para o meu filho. Estava fisicamente presente, por isso estava presente. Chegava a casa e satisfazia as suas necessidades básicas. Significava que estava presente: atenta. Pensava eu.

Mas hoje sei que, na verdade, não estava presente, não estava atenta. Estava em casa, sim. O meu corpo realmente estava em casa mas a minha cabeça, o meu sentir, vagueava por outros lugares: o trabalho, os objetivos, as metas, as contas para pagar, a barriga gorda, os comentários dos outros e por ai fora. Encontrava-me entre os problemas do passado e as antecipações de cenários dantescos do futuro. Mas a verdade é que não estava em casa. Não estava ali, presente, inteira. Não olhava para os seus olhos, não conhecia os sinais o seu corpo, não me espantava com as suas conquistas, não me apercebia dos seus pedidos de ajuda. Estava desatenta. Não sabia quem era o meu filho. Não conseguia ver o que verdadeiramente importava. Só lhe dava ordens e lhe dizia como devia ser e fazer.

Um dia o meu filho mostrou-me um desenho e eu, de forma automática, disse – lhe “que bonito!”. E ele, muito dececionado, respondeu: “mãe, são só riscos!”. Acho que tive tipo uma mini epifania nesse momento porque ainda me lembro disto hoje. Tocou-me profundamente.

No infantário começaram os alertas que se prolongaram até à escola: o seu filho é muito agitado, impulsivo, ansioso, desatento. Fiquei fora de mim. O meu filho não podia ser assim. Não podia! Irritava-me tanto. Ficava fora de mim. “Tens estar mais quieto, atento, calmo!”.

A mãe desatenta precisava de um filho atento. À força! Sim, ele tinha de estar quieto, ser bem comportado e ter bom desempenho escolar. Ele tinha de mostrar que eu era a mãe perfeita e extremosa. (“O que os outros iam pensar?”). Mas não: ele mostrava o contrário. A minha autoestima ficou um caos. Mesmo. Mas a culpa não era minha, não, nem pensar, a culpa era dele. Especialistas, despistes, correrias.

Comecei a procurar fora uma resposta mas nenhuma me satisfazia por completo. Algo começou a corroer-me. Comecei a sentir que podia fazer algo mais do que simplesmente culpá-lo ou deixar o trabalho para as mãos de outros. Não ia abandonar a ajuda dos especialistas, é certo, mas senti que tinha de começar pelo princípio (que é como quem diz: olhar para mim).

Mas custava tanto…

No entanto procurei ajuda e assim comecei a desenrolar o novelo. E perguntas inconvenientes começaram a aparecer. Onde teria estado nos seus primeiros anos de vida? E como estava emocionalmente? Numa espiral de ansiedade, medo, culpa, irritação.

Até que percebi. Mãe Desatenta Precisava de Filho Atento. Aqui entre nós, que grande incongruência não é?

A criança precisa de alguém que a veja, que a ouça, que a reconheça, que esteja verdadeiramente presente! Que se ligue a ela. E assim sente-se segura e coopera. E assim sente-se vista, fica atenta e aprende. Esta foi a minha história. Esta é a história dos pais que acompanho.

Quando finalmente parei, despertei! Eu não estava atenta, eu não estava presente. Eu pensava que estava mas não estava. Eu estava em luta. O sofrimento tinha-se tornado a minha zona de conforto e eu pensava que a única saída que tinha era ficar por lá. Mas não. Existe outra: dá mais trabalho, é certo, mas é uma oportunidade maravilhosa. Uma oportunidade para nos voltarmos a encontrar.

Acredito que o primeiro passo para as crianças estarem atentas é olharmos para nós: que exemplo estamos a dar?. E às vezes até podemos estar a fazer tudo para ajudar os nossos filhos mas mesmo essa ocupação de fazer tudo pelos nossos filhos também nos leva a ficar desatentos, ou seja, andamos tão ocupados em ajudar, desvendar, resolver, fazer alguma coisa, que nos esquecemos de simplesmente ESTAR com eles de forma inteira, plena. Andamos em modo “Fazer” e esquecemo-nos de “Estar”.

Há algo que não nos podemos esquecer: comportamento gera comportamento, atenção gera atenção, desatenção gera desatenção.

E agora vamos para a escola, outro sistema importante que a criança frequenta. Vamos dar um passeio à escola. Ouve-se que as crianças estão desatentas, agitadas, mais violentas. É um facto. A questão é: o que é que estamos fazer para que elas aprendam a ser atentas, calmas, empáticas? Gritos, castigos, irritação, violência, cansaço são as palavras que se ouvem por parte dos que frequentam este ambiente. E atenção: a minha intenção não é culpar ninguém, acredito que todos estão a fazer o seu melhor que podem com os recursos que têm, mas a verdade é que, de uma forma geral, os adultos que por ali andam estão emocionalmente debilitados: esgotados, cansados, frustrados. Estão a precisar de ajuda!

Estão, pais e professores, todos, a precisar de ajuda! A nossa forma de estar reflete-se nas crianças. Esqueçamo-nos da guerra de quem tem culpa. Isso só nos desvia do que é realmente IMPORTANTE: o olhar para nós. Cada um de nós pode fazer diferença, cada um de nós terá a sua quota de responsabilidade. Na verdade estamos todos no mesmo barco (pais e filhos, professores e alunos): todos queremos ser vistos, ouvidos, reconhecidos, amados, olhados com Atenção. Certo?

Eu exigia ao meu filho atenção mas vivia desatenta. Acredito num caminho mais consciente para responder à desatenção e do que daí advém, como por exemplo, a chamada “má educação”. Se sempre consigo? Não, não consigo por isso continuo no caminho de reeducar-me para ser uma pessoa, mãe, mulher mais inteira e presente.

Não podemos exigir às crianças aquilo que não somos, simplesmente por uma razão, que apesar de óbvia nos esquecemos muito facilmente: Educamos Por Aquilo que Somos! Pelo exemplo!

O que estarão as crianças desatentas a precisar?

Crianças Desatentas precisam de Adultos Atentos.

Vamos olhar para nós sem julgamentos mas com verdade? À primeira vista pode até surgir o medo mas, acreditem, é tão libertador …

Hoje sugiro-te que faças este exercício que eu chamo de “Redescobre o teu mestre” e vê se descobres algo de novo no teu filho (ou até aluno):

Hoje observa esse ser com atenção. Consegues não reagir? Hoje simplesmente Observa, não reajas. Começa pelo exterior e segue até ao seu interior, a partir do teu coração. A partir do Amor que és. Não reajas, simplesmente observa. 

Observa. O seu corpo… a sua face… os seus olhos… as suas mãos… a sua pele… a sua postura… os seus gestos… como se fosse a primeira vez. Detém-te em cada detalhe como se nunca o tivesses observado. Observa. A forma como fala… como olha… como anda…como come…como brinca. Utiliza os teus sentidos: toca-lhe, cheira-o, ouve-o, vê-o, saboreia-o, como se fosse a primeira vez.

Sempre que sentires que a tua mente está a julgar, respira ….

Este exercício é simplesmente para Observar, sem julgamentos, como se fosse a primeira vez.

Durante o dia de hoje faz a escolha de não fazeres nada senão observá-lo com atenção. Nos momentos desafiantes resiste à reação habitual e permanece quieta, em silêncio. Simplesmente observa e respira.

Se quiseres saber mais envia email para: carlapatrocinio33@gmail.com

Um abraço muito atento da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio