Medo, para que te quero em tempo de crise?

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“Estou sem ar, não consigo respirar. O coração bate rápido. Os pensamentos são negros e lamacentos. A catástrofe é o final mais certo. Vai tudo correr mal. Vou morrer. Fiquei sem chão. E os meus?”

 

O medo está instalado nos nossos corações. A sensação é que ficámos sem chão, sem base, sem estrutura. As nossas necessidades mais básicas estão a ser ameaçadas. Quem é o ser humano sem dinheiro, sem segurança, sem comida, sem conexão, sem toque, sem respiração?
E se, e se, aquilo que mais temo acontecer?

Ansiedade, pânico, insónia, confusão, incerteza, insegurança.

Hoje quero partilhar contigo algo que me deixa muito vulnerável mas que sinto que pode ajudar-te se sentires com medo neste momento tão desafiante.

E a partilha é: eu estou nesse estado de vulnerabilidade há 6 meses. Num estado de medo e ansiedade aterrador. Nada é seguro na minha vida. Nada. O medo tem sido a emoção mais constante. Viver e atravessar o medo diariamente tem sido duro. Mas eu faço essa travessia diariamente com amor e fé. A travessia não é fácil. É difícil, dolorosa, escura.

Mas o medo, uma das emoções mais básicas do ser humano, não é feio, mau ou errado.

O medo, como qualquer emoção, tem uma mensagem. O medo, ao ser atravessado, é uma oportunidade para irmos mais longe, para sermos melhores, mais inteiros, mais humanos, melhores mães e pais. Porra, isto tem um sentido!

O meu divórcio que há meses me faz dormir mal, que me faz sentir uma merda, que colocou a minha vida de pantanas, que mexeu e desestabilizou todas as áreas da minha vida tem um sentido. E o sentido não acredito que seja de me colocar doente mentalmente (ainda que às vezes ter sentido isso ;)) mas o sentido é o de evoluir. E para mim, é uma mensagem de amor. Olha mais para ti Carla Filipa! Para de ser depende de alguém para te amares! Sabe que és mais forte do que aquilo que tu pensas!

Um dia dormi tão mal, mas dormi mal. Foi, o que chamo, uma noite escura da alma. Tive medo por tanto. Eram pensamentos negativos interruptos. Um verdadeiro terror.

Dias mais tarde decidi olhar para ele de frente e questionar: qual a tua mensagem? E a mensagem foi:

Tens de ouvir mais a tua intuição.Tens dar mais atenção àquilo que é verdadeiramente importante. Tens de cuidar mais de ti.Tens de confiar mais na vida. Tens de amar mais os outros. Tens de verbalizar mais que amas os outros. Tens de te dar mais colo.

Acho que é importante a prevenção. Acho que é importante informação.

Mas, falando como uma mulher mãe que tem vivenciado e atravessado o medo nos últimos meses, digo-te: é preciso olhar para além do medo.
Olhar para além do medo e ter esperança: isto também passará.
Olhar para além do medo e ver um sentido evolutivo: o que é realmente importante.

Temos vivido sem tempo para nada. Temos vivido sem tempo para as nossas famílias. Para os nossos filhos. Não há tempo para a conexão. Para escutarmos os nossos filhos com atenção. Para estarmos presentes de coração.

Temos vivido com medo. Com medo da falta, da escassez, da crise.

Há uma oportunidade por detrás da crise.
Oportunidade de crescimento, de cura, de autenticidade, de conexão.
Foi assim quando me fizeram a operação à tiróide e me cortaram o pescoço.
Foi assim quando tive 3 abortos repetidos.
Foi assim quando tive uma gravidez de risco e estive internada.
E assim será com um divórcio que desmontou tudo na minha vida.

É nisto que acredito. Acredito que podemos escolher a luz ou a sombra. Acredito que podemos escolher. Eu escolho a luz.

Se escolheres ficar no terror e no medo vais paralisar.
Se escolheres ficar na esperança e no amor vais agir. Agir em prol do teu bem estar. Agir em prol do bem estar do teu filho. Agir em prol da comunidade. Agir no sentido do que é mais importante Agora.

Para mim Agora o importante é ajudar de alguma forma, apesar do medo, da desilusão, da dor, do terror. Para mim o mais importante agora é trazer LUZ, ESPERANÇA, apesar da escuridão.

Por isso, convido-te a falares comigo sobre amor e conexão com o teu filho em tempos de crise. Que é, como quem diz, conectares-te contigo. O medo, aumenta o stress, sobe o cortisol e baixa a imunidade. A tua e a do teu filho. O amor, a esperança, a fé, a conexão, aumenta a felicidade,  a serotonina,  a imunidade.

E é isto. É isto que vamos fazer. Vamos aumentar a nossa imunidade através do amor, da conexão, da união com os nossos filhos. Imagina… imagina se cada um de nós, fizer isto em sua casa. Se cada um de nós, no seu microcosmo, criar uma ponte com aqueles que são verdadeiramente importantes.

Não sei o que vai acontecer mas sei o que tenho de fazer algo de diferente.

Chega Carla. Chega de desculpas.

As Minhas e se escolheres: as tuas. Vamos juntas?

Caso sintas, toma um chá virtual gratuito comigo.
Agenda aqui:
Abraço imenso da tua Coach Parental,
Carla Patrocínio

O Mito do Amor Romântico

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Finalmente deitei-me na cama e chorei. Chorei sem resistir. Chorei, acolhendo toda a dor, raiva, ansiedade, medo, angústia, desespero. Visitantes que ao longo dos meses passados habitaram dentro de mim mas que teimava em não dar atenção. Porque doía tanto, tanto. E eu, sempre perita em fugas, optei por não olhar. Mas nesse dia rendi-me. E em simultâneo, repetia incessantemente para mim: “não precisas de ninguém para te salvar, não precisas de ninguém para cuidar de ti, não precisas…porque só tu podes fazer isso”. A mente tentava ao máximo focar-se nisto – numa mensagem empoderadora – mas… mas existia uma parte de mim que não conseguia deixar de sentir-se desempoderada, pouca, vazia, pequenina. Era a minha criança. A menina que se sentia abandonada, traída, desamparada, com medo.

E essa dor era tão profunda, escura, lamacenta que a sensação é que o meu coração sangrava. Era um buraco que não tinha fim. Era visceral! As palavras não cabiam no meu sentir. Era uma dor crua. A ferida estava aberta e era insuportável. A garganta parecia não ter capacidade de engolir. O coração batia desalmadamente. A ansiedade subia para níveis nunca antes sentidos. Até que comecei a ouvir a canção que a minha avó me cantava, quando era pequenina, enquanto me embalava: ” alecrim, alecrim aos molhos por causa de ti choram os meus olhos…”

Este foi o momento em que finalmente decidi iniciar o luto. O luto pela separação de uma relação de 16 anos. E este foi o motivo pela minha pouca presença nos últimos meses. Perdoem-me. Estou certa que compreenderão. Nos próximos emails aprofundarei este assunto, no que me for possível expor, sempre com o intuito de vos ajudar. Por ora, e na sequência deste acontecimento e aproveitando o dia da Mulher que foi ontem, vou abordar o mito que nos impede de termos relações amorosas verdadeiramente felizes. E este é o mito do Amor Romântico.

Fomos educadas, enquanto mulheres, a esperar que alguém nos venha salvar. Os filmes da Disney do “viveram felizes para sempre” estão no nosso inconsciente como uma memória romântica do que seria uma relação amorosa perfeita. Por isso, esperamos, esperamos pelo princípe encantado, pelo principe encantado que nos vem salvar da bruxa má.

Já agora, qual é o teu conto de fadas favorito ou o que te recordas mais nitidamente da infância? Porquê?

Hoje em dia são vários os movimentos que nos levam a despertar para um paradigma diferente. Um paradigma em que a mulher só pode ser salva por si mesma, em que a mulher só pode esperar amor se se amar em primeiro lugar, em que a mulher quer igualdade mas respeitando a sua natureza feminina.

Mas como fazer isto agora na prática se crescemos tão condicionadas por mensagens do sistema patriarcal que nos desvalorizaram e nos colocaram numa posição inferior, a depender sempre da valorização externa para gostarmos de nós? Como?

Quantas vezes és apanhada a dizer: “o meu marido, ou ex-marido, ajuda-me….”. Upss!

Como podemos mudar todas estas crenças que bloqueiam relações amorosas saudáveis?

Sim, porque aos esperarmos que o “homem” nos venha salvar criamos expectativa em relação ao outro impossíveis de alcançar. Esperamos que os homens caibam num molde de um princípe encantado que nos vem salvar e desresponsabilizamo-nos pelo nosso amor próprio. E depois dizemos que se transformou num sapo.

São sapos mas… que se lixe, vamos ficando. Vamos ficando porque é menos mal do que estar sozinhas e nos confrontarmos com aquela dor de abandono. Vamos permitindo. Vamo-nos atropelando. Um bocadinho aqui e ali e acabamos por nos habituar. E estamos nesse lugar. Porque é preferível viver amorfas, calar a nossa voz e alma, do que sermos as nossas próprias salvadoras. Alguém nos ensinou isso?

E os homens?. Os homens perdidos, vazios, com o seu masculino ferido não entendem, não percebem o porquê do nosso desagrado, da nossa irritação, da nossa inquietação. Já não sabem o que é ser homem. Já não sabem se é para ser forte ou frágil, silencioso ou comunicativo, ….

Há um desencontro. Há um desencontro que acontece porque ambos estão feridos e vazios. Porque não integram de forma equilibrada, mulheres e homens, a energia feminina e masculina dentro de si. Porque não olham para as suas dores, para as crianças interiores feridas, porque não podem ser vulneráveis.

Como é natural tenho refletido muito sobre relações amorosas – aquelas que duas pessoas são dependentes uma da outra de forma tóxica. Porque sinto que de uma forma geral é isso que se vive. Confesso que o meu filtro é esse. Observo muitas relações de dependência que não cumprem com o propósito de crescimento em conjunto: casais que discutem ou que ficam em silêncio, que se acomodam, que vão morrendo por dentro, que encontram fugas em relações extraconjugais, na bebida, nas saídas noturnas, … para não se confrontarem com a sua própria ferida.

Como podemos mudar isto e criar relações amorosas saudáveis? Relações onde não esperamos que o outro não nos venha salvar da dor da criança ferida mas onde outro seja, simultaneamente, nosso aprendiz e mestre? Relações onde cada um pode ser autêntico e livre para ser quem é? Como podemos fazer isto?

Tudo bate, mais uma vez, no mesmo ponto: na educação.

E como podes ensinar o teu filho a ter uma relação saudável futura?

E, mais uma vez, tudo começa na educação, que é como quem diz: na tua reeducação.

Reeduca-te para puderes educar o teu filho de forma a que, tanto tu como ele, possam ter uma relação amorosa plena e consciente.

E é nesta temática que a minha alma tem andando nos últimos meses . Meses de descida, – uma descida profunda, escura, visceral – sem dúvida, mas também de grandes descobertas e aprendizagens. Aprender a salvar-me a mim própria, a ser a minha própria cuidadora, a acolher esta menina perdida, não é um caminho sempre a subir e cheio de flores mas, sem dúvida, é uma caminho de regresso a casa.

Uma coisa posso já revelar-te: só podemos ter relações de dependência saudáveis (e não tóxica) se nos vincularmos. A autonomia pressupõe dependência.

Se sentires, agenda uma sessão estratégica comigo aqui: http://www.carlapatrocinio.com/agendamento

O caminho faz-se caminhando…

Abraço,

Carla Patrocínio