O meu filho é rude, e agora?

Cheguei a casa cheia de amor para dar ao meu filho.

Fui a um workshop de adolescência com o Prof. Dr. Daniel Sampaio. Cheguei de lá cheia de consciência amorosa. Estivemos a abordar casos daqueles mesmo difíceis. Quem me dera ouvirem o que ouvi. Casos de crianças mesmo daquelas desafiantes – crianças abandonadas por várias famílias – que afinal eram crianças que simplesmente pediam amor.

E vim para casa cheia de gratidão pela vida, cheia de vontade de dar um abraço ao meu filho, cheia de expectativas, cheia de amorrrr….mas ………ele com apenas um comentário defrauda completamente as minhas expectativas: “Mãe agora não posso ouvir-te!”. Seco, direto, desligado. E o meu coração ficou tão pequenino. Apeteceu-me mesmo assumir o modo explosivo em mim: “Quem pensas que és? Como te atreves? Quem manda aqui sou eu!”

E respirei, respirei, respirei, … olhei para dentro, …. porque me doeu tanto?

As minhas expetativas é que o meu pré-adolescente seria fofinho e carinhoso comigo.

Mas depois de respirar percebi: Não é suposto um adolescente ser fofinho e amoroso!

Então fiquei triste mas recolhi-me para refletir: como posso abordar esta questão sem violência?

E, aqui entre nós, fiquei magoada.

Foram 2 horas de silêncio. Poderia ter entrado em modo chata. Em modo autoritária. Em modo quero dialogar para me achares fofinha. Em modo castigar. Mas decidi entrar simplesmente em modo não fazer nada.

Com dor. Mas sem querer controlar.

Vá, a verdade, é que ainda fui lá perguntar qualquer coisa sem importância com desejo de me conectar mas ele afastou-me: “Agora Não!”.

Voltou a magoar-me. Olhei para dentro. Voltei aos meus 13 anos. Eu era terrível, respostas tortas atrás de respostas tortas.

E então optei: vou ficar aqui a fazer as minhas coisas.

E sem eu esperar, de surpresa, aparece o meu adolescente com uma torrada com manteiga no prato para a sua mãe.

E pronto: foi isto.

Às vezes a “torrada” não aparece e eu não fico assim tão inspirada. Mas aparecendo ou não a torrada, há algo que confirmo: não optar pela ameaça, suborno, grito, castigo, violência, humilhação, e etc… dá um resultado maravilhoso: CONEXÃO.

Só precisamos de aprender a ser adultos, a regular as nossas emoções, a recordar-nos da nossa adolescência, a esperar, a acreditar no amor e a resssssssssssssssssssspirrrarrrr muito………….

Esta partilha foi feita em modo impulsivo, quase à uma da manhã, para te mostrar que também tenho desafios e que faz parte. Por isso chamo os meus filhos de Mestres.

Abraço,

da tua Coach Parental, Carla Patrocínio

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