Quando os filhos crescem e o coração de mãe aperta, o que fazer?

Fechou a porta do quarto e pediu para ficar sozinho. O meu coração, sem estar à espera, ficou pequenino.

O meu filho Gui de 12 anos já começa a pedir privacidade, já diz que tem vida própria, já tem conversas secretas com os amigos…
É uma ambivalência ver um filho crescer: se por um lado, a felicidade emerge por observar a sua vontade de autonomia e maturidade, por outro lado – confesso – dói. Dói ver que aos poucos o que digo, faço e sou tem cada vez menos peso no que ele diz, faz ou é. Dói por saber que existirão momentos que já não poderei ajudá-lo a saltar todas as pedras que aparecerão no seu caminho. Dói porque sei que haverá estórias que ele não me contará. Dói por saber que existirão quedas que não poderei amparar.

As vezes observo o medo a cercar-me…

O mais pequenino, o de 3 anos, também já quer ser autónomo. Claro que é diferente da fase do mano mais velho mas não deixo de fazer um certo paralelismo. Quer ir à casa de banho sozinho, quer subir a árvore sem ajuda, quer ir para o mar sem amparo. E é tão bom observar isso! Mas depois existe o mesmo misto de emoções: alegria, medo, admiração, contentamento, ansiedade, … Ainda no outro dia era bebé… e hoje já quer escorregar sozinho lá do alto sem ajuda. É um grande aventureiro este meu filho.

As vezes observo o medo a cercar-me…

Há uns anos para fugir da emoção “medo” provavelmente não os deixaria sozinhos no quarto ou no escorrega. Mas hoje dou por mim a confiar. A confiar no caminho de ambos. Claro que o medo continua presente mas agora não me deixo arrastar por ele, observo simplesmente o que me traz essa emoção. E faço uma escolha: decido confiar. Porque sabem o que acontece quando o medo nos arrasta, não é?

Gritamos, somos do contra, entramos em erupção, transmitimos o nosso medo e insegurança. 

Hoje decido confiar. Para mim, que sempre fui medrosa, não é fácil.

A respiração, o voltar ao aqui e agora, ajuda-me a centrar.

Dou um passo atrás e respiro.

E atenção: confiar não é deixar de estar atenta, presente.

Confiar é lembrar ao meu coração que o meu medo não lhes pertence. É libertar os meus filhos das minhas prisões, dos meus fantasmas, das minhas ilusões, das minhas heranças, dos meus quereres. 

Não é fácil. Mas os meus filhos ensinaram-me isto  – a largar as expetativas de como deveria ser. A aceitar o que é. A deixar de controlar quando a vida assim me pede.

Mas quando o medo regressa forte e feio recordo–me deste poema de Gibran Khalil Gibran :

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável

Que sejamos este arco que permanece estável.

E tu, quando observas o teu filho a querer crescer o que fazes: confias ou controlas?

Pede ao teu coração permissão para confiar. A confiança é um dos pilares para uma autoestima saudável.

Como?

1 – Para

2 -Mete a mão no teu coração

3 – Respira com atenção à respiração

4 – Repete o mantra: eu confio no meu filho

5 – Sorri

Um bom fim de semana,

Carla

 

 

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