Como as birras – as da mãe – podem ser reveladoras

Esta semana foi semana de birras – da mãe.

Nem nós, adultos, reparamos o quanto às vezes andamos às voltas para dizer o que realmente sentimos e necessitamos.

Nem nós, adultos, reparamos o quanto nos é difícil pedir um abraço, uma palavra de reconhecimento, uma experiência diferente, ou qualquer coisa que o nosso coração sente.

Nem nós, adultos, reparamos como o nosso comportamento muitas vezes não revela o que realmente desejamos e precisamos.

E exigimos isso das crianças – pedindo “bom comportamento” à força – sem olhar o que está além.

Mas isto não vem do nada – fomos educados a comunicar de forma desligada do nosso coração: “Não digas isso que o senhor fica zangado”, “Isso não se diz que é feio”, “Não fales isso! Assim não comes o gelado”. E assim vamos engolido o que não nos serve com medo de assumir a nossa verdade.

Nestes últimos dias tenho andado a pensar nisto. Apesar de todo o trabalho de desenvolvimento pessoal continuo a vivenciar isto: dificuldade em dizer que não, em comunicar os meus limites, em assumir a minha verdade. Principalmente esta última.

O meu filho mais velho já me pergunta: “O que se passa Mãe?”. Este meu polícia sinaleiro indica-me logo que o caminho não é por ali.

A minha verdade. Parece que às vezes fica entalada na garganta por medo do que os outros pensam e dizem. E assim fico: frustrada, zangada, ansiosa. E como estas emoções têm que sair do meu corpo de alguma forma – os outros (os mais próximos) é que pagam. E reparo nisto porque hoje em dia já consigo observar com algum distanciamento – mindful – o meu comportamento. E o meu comportamento revela logo que algo não está bem: que é preciso assumir aquilo que o meu coração sente para deixar de ter necessidade de fazer as tais birras.

Um exemplo de uma birra da mãe esta semana: aborreci-me de forma exagerada com o meu marido por causa de uma lâmpada fundida que não foi trocada, que nunca mais é trocada! E torno-me uma verdadeira chata obsessiva com o raio da lâmpada! Faço uma daquelas birras!

Mas isto é apenas o que é visível. Não revela o que vai por dentro. O que queria mesmo não era a lâmpada trocada – era um “acredito em ti, tu és capaz”. E ao tomar consciência disto, nesse momento, pum: sei que está na altura de assumir o que verdadeiramente preciso.

Podia viver nestas embirrações constantes mas a questão é que a partir do momento em que ganhas consciência deste facto –  que o comportamento é um sintoma de que existe uma necessidade que precisa de ser satisfeita– não podes continuar a fugir. É que esta interrogação não te larga: “o que se passa afinal?”

Saber a causa da minha birra permitiu-me ter consciência do que precisava e, por consequência, transformar a birra em entendimento.

Hoje decidi “falar” das minhas birras mas este processo também se aplica às birras dos meus filhos. Ter consciência de que o comportamento deles não é senão um pedido de ajuda faz de mim uma mãe diferente. É que com esta consistência, repito: transformo a birra em entendimento.

Vejamos um exemplo:

A manhã com o meu filho de 2 anos. Não se quer vestir. Não se quer calçar. O choro em alto e bom som começa. Birra certa.

O que fazer?
Acordo mais cedo do que o habitual para lhe dar espaço e tempo para se preparar. Pode ser uma necessidade de maior controlo, rotina, segurança. Não resulta. Começo a ter um momento a sós – eu e ele – para um ataque de beijos e abraços. Pode ser uma necessidade de maior conexão, vínculo, presença. Não resulta. Crio então um cenário imaginário de como os seus amiguinhos da escola precisam que o Patrulha Pata – ele – os vá salvar. Pode ser uma necessidade de maior brincadeira, experiência, novidade. Não resulta. A única alternativa é obrigá-lo a vestir. Não. Decido parar e respirar. É então que me baixo ao seu nível e simplesmente lhe pergunto: “posso ajudar a vestir-te por favor para irmos para a escola?” E é assim que ele me responde com um ar de compreensão: “Tim” (tradução: sim). Pronto, era só isto: pedir, pedir com educação. Era uma necessidade de maior significância, reconhecimento, importância, respeito, que precisava de ser satisfeita.

Descodificares o que existe por detrás daquele comportamento desafiante do teu filho pode ser muito apaziguador para ti, para o teu filho, para a vossa relação.

Como é óbvio as birras vão continuar a existir mas tu com este conhecimento dás-lhes um novo significado. E isso muda tudo.

Mas então como fazer isto? Como descobrir o que está por detrás daquele comportamento desafiante?

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P. S – A minha birra revelou-me que preciso de assumir mais e mais a minha verdade, que quem tem que dizer que “tu és capaz” sou eu própria.

Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio