Mãe e se eu errar?

“Mãe e se eu errar?”.

Tinha 6 anos e esta pergunta repetiu-se, todos os dias, durante o seu 1º ano de escola primária: “Mãe, e se eu errar?”.

Tentei explicar-lhe, através de exemplos adequados à sua idade, que errar era o mais normal do mundo mas ele não ficou convencido. A pergunta continuou durante todo o ano, com muito choro à mistura, o que prova o pânico que ele sentia em relação ao erro. Mais tarde percebi: a bota não batia com a perdigota. O discurso não encaixava com o exemplo: eu tinha um medo enorme de errar. Como se errar me retirasse valor, me anulasse, me desumanizasse. Errar é o que nos torna humanos!

Na verdade, dentro de mim, existe um crítico. Costumo chamá-lo de: o homem do chicote – é tenebroso e assustador. Esse senhor traz-me inquilinos que não aprecio receber: a culpa, a vergonha, o medo, a ansiedade. No passado fazia-me contrair e duvidar de quem era. Foi preciso um longo caminho para deixar de acreditar nesse carrasco e perceber que: o erro não me define. Eu sou mais, muito mais. Assim como os meus filhos. Assim como tu. Assim como o teu filho.

Na escola que o meu filho frequenta, recebo o que eles chamam de ocorrências, um nome que serve nada mais nada menos para apontar os erros/falhas que os jovens cometem naquele dia na escola. São deste género: “perturbou a aula com comentários inadequados”, “não trouxe teste assinado”, “distraiu-se com frequência”,… Não é que não queira ser informada do que se passa mas o que observo é que qualquer coisa serve para receber uma ocorrência. Eles informam as crianças que vão enviar uma ocorrência para casa porque, lá está, cometeram um ERRO!

Este é apenas um exemplo, mas não é exclusivo daquela escola, não! O síndrome da “perfeição” infiltrou-se em todos nós. Parece que estamos obcecados em ser perfeitos e ter crianças perfeitas. Queremos tanto a harmonia e perfeição que tudo o que remeta para o erro e conflito nos assusta. Procuramos resoluções imediatas sem pensar nas consequências a longo prazo. Na verdade, o erro é uma oportunidade de crescimento. Porque nos esquecemos disto?

Segundo um relatório da Direção Geral de Saúde de 2015, as crianças portuguesas até aos 14 anos estão a consumir mais de 5 milhões de fármacos por ano.

Está na hora de acordar. Está na hora de olharmos para nós.

Que mensagem estamos a passar às nossas crianças com este tipo de exemplos?

Para usufruirmos de todo o nosso potencial temos que errar muitas vezes, não é?

Porque é que eu não recebo mensagens diárias das suas conquistas, dos seus feitos? 

Há cerca de 1 ano fiz uma promessa ao meu filho no meu facebook pessoal. 

Por isso, hoje volto, em maiúsculas, a reafirmar a promessa feita ao meu filho: FILHO, ERRA MUITO, FALHA MUITO, MAS NUNCA, EM TEMPO ALGUM, DEIXES DE TENTAR, DE IR, DE VIAJAR, DE AMAR, DE DANÇAR, DE CANTAR, DE ESTUDAR, DE FAZER O QUE QUER QUE SONHES, POR MEDO DE ERRAR. EU PROMETO: VOU ERRAR SEM HESITAR!

Desde esta promessa tenho errado muito mas, curioso, também tenho acertado muito.

Eu vou continuar este caminho de amor pela imperfeição que nos torna perfeitos, e tu?

Até que ponto te permites errar? E até que ponto permites que o teu filho erre? E como reages ao erros? Observa. Com Atenção. 

 

Se sentires que te posso ajudar, envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com.

Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

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