Mãe desatenta precisava de filho atento

Estava presente para o meu filho. Estava fisicamente presente, por isso estava presente. Chegava a casa e satisfazia as suas necessidades básicas. Significava que estava presente: atenta. Pensava eu.

Mas hoje sei que, na verdade, não estava presente, não estava atenta. Estava em casa, sim. O meu corpo realmente estava em casa mas a minha cabeça, o meu sentir, vagueava por outros lugares: o trabalho, os objetivos, as metas, as contas para pagar, a barriga gorda, os comentários dos outros e por ai fora. Encontrava-me entre os problemas do passado e as antecipações de cenários dantescos do futuro. Mas a verdade é que não estava em casa. Não estava ali, presente, inteira. Não olhava para os seus olhos, não conhecia os sinais o seu corpo, não me espantava com as suas conquistas, não me apercebia dos seus pedidos de ajuda. Estava desatenta. Não sabia quem era o meu filho. Não conseguia ver o que verdadeiramente importava. Só lhe dava ordens e lhe dizia como devia ser e fazer.

Um dia o meu filho mostrou-me um desenho e eu, de forma automática, disse – lhe “que bonito!”. E ele, muito dececionado, respondeu: “mãe, são só riscos!”. Acho que tive tipo uma mini epifania nesse momento porque ainda me lembro disto hoje. Tocou-me profundamente.

No infantário começaram os alertas que se prolongaram até à escola: o seu filho é muito agitado, impulsivo, ansioso, desatento. Fiquei fora de mim. O meu filho não podia ser assim. Não podia! Irritava-me tanto. Ficava fora de mim. “Tens estar mais quieto, atento, calmo!”.

A mãe desatenta precisava de um filho atento. À força! Sim, ele tinha de estar quieto, ser bem comportado e ter bom desempenho escolar. Ele tinha de mostrar que eu era a mãe perfeita e extremosa. (“O que os outros iam pensar?”). Mas não: ele mostrava o contrário. A minha autoestima ficou um caos. Mesmo. Mas a culpa não era minha, não, nem pensar, a culpa era dele. Especialistas, despistes, correrias.

Comecei a procurar fora uma resposta mas nenhuma me satisfazia por completo. Algo começou a corroer-me. Comecei a sentir que podia fazer algo mais do que simplesmente culpá-lo ou deixar o trabalho para as mãos de outros. Não ia abandonar a ajuda dos especialistas, é certo, mas senti que tinha de começar pelo princípio (que é como quem diz: olhar para mim).

Mas custava tanto…

No entanto procurei ajuda e assim comecei a desenrolar o novelo. E perguntas inconvenientes começaram a aparecer. Onde teria estado nos seus primeiros anos de vida? E como estava emocionalmente? Numa espiral de ansiedade, medo, culpa, irritação.

Até que percebi. Mãe Desatenta Precisava de Filho Atento. Aqui entre nós, que grande incongruência não é?

A criança precisa de alguém que a veja, que a ouça, que a reconheça, que esteja verdadeiramente presente! Que se ligue a ela. E assim sente-se segura e coopera. E assim sente-se vista, fica atenta e aprende. Esta foi a minha história. Esta é a história dos pais que acompanho.

Quando finalmente parei, despertei! Eu não estava atenta, eu não estava presente. Eu pensava que estava mas não estava. Eu estava em luta. O sofrimento tinha-se tornado a minha zona de conforto e eu pensava que a única saída que tinha era ficar por lá. Mas não. Existe outra: dá mais trabalho, é certo, mas é uma oportunidade maravilhosa. Uma oportunidade para nos voltarmos a encontrar.

Acredito que o primeiro passo para as crianças estarem atentas é olharmos para nós: que exemplo estamos a dar?. E às vezes até podemos estar a fazer tudo para ajudar os nossos filhos mas mesmo essa ocupação de fazer tudo pelos nossos filhos também nos leva a ficar desatentos, ou seja, andamos tão ocupados em ajudar, desvendar, resolver, fazer alguma coisa, que nos esquecemos de simplesmente ESTAR com eles de forma inteira, plena. Andamos em modo “Fazer” e esquecemo-nos de “Estar”.

Há algo que não nos podemos esquecer: comportamento gera comportamento, atenção gera atenção, desatenção gera desatenção.

E agora vamos para a escola, outro sistema importante que a criança frequenta. Vamos dar um passeio à escola. Ouve-se que as crianças estão desatentas, agitadas, mais violentas. É um facto. A questão é: o que é que estamos fazer para que elas aprendam a ser atentas, calmas, empáticas? Gritos, castigos, irritação, violência, cansaço são as palavras que se ouvem por parte dos que frequentam este ambiente. E atenção: a minha intenção não é culpar ninguém, acredito que todos estão a fazer o seu melhor que podem com os recursos que têm, mas a verdade é que, de uma forma geral, os adultos que por ali andam estão emocionalmente debilitados: esgotados, cansados, frustrados. Estão a precisar de ajuda!

Estão, pais e professores, todos, a precisar de ajuda! A nossa forma de estar reflete-se nas crianças. Esqueçamo-nos da guerra de quem tem culpa. Isso só nos desvia do que é realmente IMPORTANTE: o olhar para nós. Cada um de nós pode fazer diferença, cada um de nós terá a sua quota de responsabilidade. Na verdade estamos todos no mesmo barco (pais e filhos, professores e alunos): todos queremos ser vistos, ouvidos, reconhecidos, amados, olhados com Atenção. Certo?

Eu exigia ao meu filho atenção mas vivia desatenta. Acredito num caminho mais consciente para responder à desatenção e do que daí advém, como por exemplo, a chamada “má educação”. Se sempre consigo? Não, não consigo por isso continuo no caminho de reeducar-me para ser uma pessoa, mãe, mulher mais inteira e presente.

Não podemos exigir às crianças aquilo que não somos, simplesmente por uma razão, que apesar de óbvia nos esquecemos muito facilmente: Educamos Por Aquilo que Somos! Pelo exemplo!

O que estarão as crianças desatentas a precisar?

Crianças Desatentas precisam de Adultos Atentos.

Vamos olhar para nós sem julgamentos mas com verdade? À primeira vista pode até surgir o medo mas, acreditem, é tão libertador …

Hoje sugiro-te que faças este exercício que eu chamo de “Redescobre o teu mestre” e vê se descobres algo de novo no teu filho (ou até aluno):

Hoje observa esse ser com atenção. Consegues não reagir? Hoje simplesmente Observa, não reajas. Começa pelo exterior e segue até ao seu interior, a partir do teu coração. A partir do Amor que és. Não reajas, simplesmente observa. 

Observa. O seu corpo… a sua face… os seus olhos… as suas mãos… a sua pele… a sua postura… os seus gestos… como se fosse a primeira vez. Detém-te em cada detalhe como se nunca o tivesses observado. Observa. A forma como fala… como olha… como anda…como come…como brinca. Utiliza os teus sentidos: toca-lhe, cheira-o, ouve-o, vê-o, saboreia-o, como se fosse a primeira vez.

Sempre que sentires que a tua mente está a julgar, respira ….

Este exercício é simplesmente para Observar, sem julgamentos, como se fosse a primeira vez.

Durante o dia de hoje faz a escolha de não fazeres nada senão observá-lo com atenção. Nos momentos desafiantes resiste à reação habitual e permanece quieta, em silêncio. Simplesmente observa e respira.

Se quiseres saber mais envia email para: carlapatrocinio33@gmail.com

Um abraço muito atento da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

A verdade inconveniente sobre a falta de tempo para o meu filho

“Mas porque é que isto me estava a acontecer? Porque é que as coisas não estavam a ser resolvidas no tempo suposto? Eu não tinha tempo para esta situação!”

Estes eram os pensamentos que vagueavam na minha mente naquela altura. Na época em que andava à procura de respostas para ajudar o meu filho. Eu não tinha tempo para aquilo. Eu não tinha tempo para perceber o que se passava com o meu filho. Eu não tinha tempo para entender o porquê daquela situação me deixar tão fora de mim. Eu não tinha tempo para saber como não me saltar a tampa com ele. Eu não tinha tempo para aprender a aceder a outros recursos. Eu não tinha tempo!

Eu percorri quilómetros, despendi de MUITO TEMPO, consultei muitos especialistas e especialidades, muito dinheiro em consultas mas não tinha tempo.

Não tinha tempo para … olhar para mim.

Não tenho por hábito ver televisão mas ontem dei por mim completamente vidrada num programa de concurso de música, não sei como se chamava, era parecido com o dos “Ídolos”. Amo música e adoro ver pessoas a lutar pelos seus sonhos. Mas não foi com isso que fiquei emocionada, foi sim com as histórias familiares dos vários concorrentes, de como era importante para todos o apoio e o acreditar da família no seu valor. Foi comovente perceber o impacto que as mensagens da família têm no alcançar dos seus sonhos. Ontem ao assistir ao programa dei por mim a alcançar o verdadeiro valor da frase de uma psicanalista muito reconhecida que estou a estudar no âmbito do curso de Terapia Familiar que estou a frequentar, Virgínia Satir, que é: ao curarmos as famílias podemos curar o mundo. Gostava muito que conhecessem esta senhora. Foi mais de que uma terapeuta, foi uma promotora da paz no mundo. A partir deste microcosmo, da família, acreditava que o mundo podia alcançar a paz. Ontem chorei ao assistir ao dito programa, ao observar de como é importante o apoio da família para o alcançar da nossa felicidade. O como é potenciador aceitarem e acreditarem em nós, o como podem ajudar-nos a expandir todo o nosso potencial … ou não.

O mundo de hoje não é amigo das famílias. O mundo de hoje não tem tempo para as relações. “Não tenho tempo”, é o que mais oiço. Não é o momento certo para cuidar da minha família porque existe sempre algo que se torna prioritário.  Mas será que há algo realmente mais importante do que cuidar das relações com os que nos são mais próximos? Mas eu compreendo esta resistência, eu sei o que é isso, eu vivi isso. Durante muito tempo existiu sempre algo que se colocou à frente do meu bem-estar, da minha família, do relacionamento com o meu filho.

Virgínia Satir, a terapeuta familiar que mencionei, dizia que para curar as famílias existia um aspecto muito importante a ser olhado e trabalhado na mesma: a autoestima de cada um dos seus elementos. Ela acreditava que um dos fatores mais importantes para sanar as famílias era devolver a cada um a consciência do seu valor. E depois do caminho que percorri até agora acho que não pode ter mais razão. Eu dependia do desempenho (escolar, comportamental) do meu filho para ter uma boa autoestima. Se ele tivesse um bom desempenho e comportamento, ai sim, era uma boa mãe com uma boa autoestima. Quão enganada estava… Claro que isto era inconsciente para mim na altura mas consegues alcançar o impacto que isto tinha no meu comportamento para com ele, a pressão que exercia, a resistência que fazia à sua essência, o que contribuía para a criação de … uma autoestima debilitada…. Consegues perceber o quanto isto condicionava a mãe que era e o filho que tinha? E como isto bloqueava o expandir de todo o seu (o nosso) potencial? 

Consegues imaginar como seria o mundo se todas as pessoas achassem que têm valor pelo que são, independentemente do que fazem ou têm? A sério, imagina…

Será que existia guerra, violência, bullyng, abuso, e por ai fora?

Não pode existir nada mais importante do que sabermos que temos valor, que merecemos ser vistos, ouvidos, atendidos, amados. Não pode, pois não? A autoestima é a nossa bóia de salvação para os momentos mais desafiantes da nossa vida. Saber que temos valor e que somos capazes é tão libertador. Claro que podemos construir e fortalecer a nossa autoestima ao longo da vida mas, sem dúvida, que chegamos mais rapidamente aos nossos sonhos se os nossos pais nos passarem desde tenra idade esta mensagem: Tu Vales!

Mas eu compreendo. Houve uma altura da minha vida que não tinha tempo: era a carreira, o dinheiro para sustentar a família, o medo que me despedissem, o medo que o sistema em geral sabe, de uma forma muito inteligente, alimentar dentro de nós que nos impede de ter tempo para o que realmente precisa de tempo. Até que o meu filho começou a ter questões que me começaram a preocupar, até que o meu filho começou a ter problemas que não estavam a ser resolvidos no tempo que o sistema imponha.

Quando me aquietei, quando me enraizei, percebi – o maior exemplo que posso dar ao meu filho é este: uma autoestima saudável. Esta é a maior herança que posso deixar ao meu filho. E começa comigo, com a minha autoestima. Virgínia Satir tinha razão: uma família em que os seus membros têm uma autoestima saudável pode mesmo curar o mundo!

Podemos dar tudo aos nossos filhos mas se não gostarem de si tal como são, achas que podem alcançar os seus sonhos? Por isso pergunto-te (de coração aberto): existe algo mais prioritário do que isto, do que a tua família, do que o teu filho, do que a vossa autoestima?

Um dia disse – Basta. Um dia comprometi-me com o que realmente era mais importante. Um dia tive tempo. Esse dia foi o dia que se abriu o caminho mais importante: começar a acreditar no meu potencial e, por consequência, a expandir o do meu filho.

Um dia percebi que o mais prioritário da minha vida era eu, era a minha família, eram os meus filhos!

Hoje descalça os sapatos, enfia os pés na terra, aquieta a tua mente e pergunta-te: o que existe de mais importante na minha vida?

A verdade inconveniente é que – um dia despertei – não havia falta de tempo, existia sim medo. Medo de olhar para mim, para nós, com olhos de ver. 

A verdade inconveniente é que existia uma criança assustada a precisar de amor que eu não queria olhar. E não era só o meu filho, era também a minha criança. 

Mas eu digo-te: não tenhas medo, esta viagem é uma viagem tão bonita e empoderadora que podes dar a volta ao mundo e não conseguirás ter a mesma experiência. Por ti, pelo teu filho, pela tua família permite-te redescobrir o Amor que és, permite-te desvendar o Amor que são.

Eu sei que a tua mente vai sempre encontrar maneiras de arranjar desculpas e dizer que não tens tempo mas aquieta-te, põe os pés – literalmente – na terra, e liga a mente ao coração: que mensagem ouves? É por ai o caminho, não tenhas medo.

Fica com esta música para te conectares com o que é mais importante:

Se quiseres dou-te a mão, estou aqui: carlapatrocinio33@gmail.com

Um abraço da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

Socorro, o meu filho é mal educado!

No outro dia ligaram-me irritados porque o meu filho se recusara a fazer uma tarefa.

Senti logo a fera a querer sair dentro de mim (vou crucificá-lo, mas porque é que está ele a ser mal educado?). Acalmei-me, tentei não o julgar (respira Carla, respira…)  e fui dialogar com ele:

– Porque te recusaste?, perguntei.

– Mãe só pedi 2 minutos de pausa, estava muito cansado. Mas depois gritaram comigo de uma maneira tão alta e violenta, até me cuspiram sem querer, que me recusei a fazer. Assim não dá!

Então nesse momento houve um conflito interno. Porque conhecendo-me como me conheço também não gostaria que me falassem assim e também me recusaria. E senti que, no fundo, ele tinha razão. No entanto, o meu EGO não estava gostar nada desta sensação e retorquiu de imediato: “que imagem está o teu filho está a passar? Vão chamá-lo de mal educado. Não deixes, reage, castiga-o. E o que vão pensar de ti, enquanto mãe? que vergonha!”

Tive mesmo que me voltar a ligar ao coração e perguntar: o que faria o Amor neste caso?

E percebi. Pois é. É muito fácil ir com a corrente. Os comentários depreciativos dos outros são deveras incomodativos, principalmente quando tocam no nosso papel de mãe. Se ouves dos outros que o teu filho não devia ser assim, fazer assim, estar assim, tens tendência a corrigir de imediato. O grande medo é que ele seja conotado de mal educado. E isso impacta em ti, no valor que te dás. Então vêm os castigos, repreensões, explosões mas será que a criança deixará de ser “mal educada” dessa forma?

Será que com essas atitudes lhes estás a dar exemplos de boa educação? E afinal: o que é ser bem educado? Ser bem educado é aceitar tudo o que o adulto diz? E se os adultos não estiverem a ser bem educados?

E só porque é criança tem de respeitar incondicionalmente o que o adulto diz?

São só perguntas para reflexão.

Uma vez chamei estúpido a um professor de piano que me humilhou várias vezes à frente da turma. Eu tinha 12 anos. Ele tinha por hábito quando eu não sabia a matéria chamar os meninos mais novos, de 6 anos, para me ensinar o que não sabia. Mas isto era feito com irritação e vexame: “é uma vergonha não saberes isto, vou ali chamar o João que tem apenas 6 anos para te ensinar”. Era muito doloroso. Sentia-me um ser sem valor algum. Sem dúvida não foi a melhor forma de agir da minha parte (existiam outras formas de comunicar os meus limites sem ofender mas eu não sabia) mas quando me lembro desse episódio sinto que foi um momento de afirmação do meu ser. Sim, finalmente disse basta! (Aquilo já passava há algum tempo). Finalmente coloquei o meu limite, finalmente voltei a amar-me. Os meus pais quando souberam do episódio queriam que fosse pedir desculpa. Mas eu só lhes perguntei: querem que eu seja bem educada ou que goste de mim?

E o que é afinal ser mal educado?

Não lhe apeteceu fazer os TCP e recusou-se – é considerado mal educado. Vamos desvendar o que está para além: afinal esteve todo o dia sentado e está farto de trabalhar.

Interferiu com barulhos e ruídos em sala de aula – é considerado mal educado. Vamos desvendar o que está para além: afinal o outro gritou violentamente com ele e humilhou-o em frente à turma.

Deitou-se no chão e não cumprimentou a vizinha – é considerado mal educado. Vamos desvendar o que está para além: afinal teve vergonha e ficou sem coragem de dar os bons dias.

Bateu no amiguinho – é considerado mal educado. Vamos desvendar o que está para além: afinal queria mais atenção e não sabia comunicar a sua necessidade de outra forma.

Afinal o que é ser mal educado? E porque nos sentimos tão ofendidos com má educação? E o que é ser bem educado? E a boa educação deve depender da idade, do género, do sexo, da raça ou deve ser transversal a todas estas variáveis?

Estamos todos tão preocupados em corrigir a boa educação que não conseguimos alcançar o que existe por detrás do que chamamos má educação. E às vezes o que está além é mesmo uma necessidade de maior amor.

P.S – comunicar os nossos limites também são uma forma de dar amor.

Então até que ponto será construtivo ensinar o meu filho a ser bem educado com pessoas que reagem violentamente com ele? E que efeitos terá isso a longo prazo? Aceita que te gritem por boa educação, dizes. E quando for adulto e trabalhar para alguém, será que é bom aceitar que o patrão lhe grite e ele por boa educação fique calado e não comunique os seus limites? Quantas pessoas lidam com estas situações e em vez de viver, sobrevivem. As depressões, os ataques de ansiedade e outras doenças mentais estão ai na ordem do dia a despoletar em cada esquina, porque será?

Às vezes dizem-me que os meus filhos deviam ser assim ou acolá. E fico frustrada, zangada e começo a ouvir a voz do medo: “o teu filho é mal educado, castiga-o!”.

Então hoje criei um lembrete para os momentos que me descentro, que me deixo ir pela corrente.

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[Lembrete para mim e para quem assim sentir ]

É desafiante sair da caixa
Não queres duvidar de ti mas às vezes ficas meia perdida
Precisas de validação e deixas de ouvir o teu coração
Os outros dizem
É porque devia cumprimentar o vizinho
É porque devia estar todo o dia quieto 
É porque devia … 

Olha a má educação! 

Mas tu sentes que não e às vezes querias alguém que te dissesse: “tens razão”

Mas ir contra a maioria é difícil. 

Então eu digo-te: tens razão, ouve o teu coração! 

Pelo teu filho
OUSA
Ousa descondicionar-te
Ousa desconstruir-te
Ousa sair da caixa como se fosses uma adolescente rebelde
Ousa sair da tua zona de conforto e olhar para ti
Ousa encontrar onde o teu filho te foi tocar
Ousa abraçar a tua criança ferida em vez de fingires que ela não está ai
Ousa desapegar-te do teu manual de instruções de “como educar” que te foi imposto sem reflexão
Ousa pensar com o coração, instinto, intuição 
Ousa sair da tua mente que te conta histórias que são mentira e que te colocam numa energia de medo
Ousa acreditar no melhor do teu filho

LIBERTA-TE
Liberta-te do que os outros pensam e do ruído exterior que te bloqueia a mãe sábia que há em ti
Liberta-te das crenças enraizadas, dos paradigmas estabelecidos, que te dizem como deves ser mãe e como deve ser o teu filho
Tu sabes isso melhor que ninguém

SUBSTITUI
Substitui culpa por compaixão. Por ti e pelo teu filho. 
Substitui “o meu filho está a faltar-me ao respeito” por ” o meu filho está a fazer o melhor que pode com os recursos que tem”
Substitui “o meu filho está a testar os meus limites” por “ele tem uma necessidade que não está a conseguir comunicar”

LARGA
Larga as pessoas que te dizem que o teu filho te está a querer manipular, te desrespeitar, te testar ou coisas deste género (no fim, ele está a pedir-te ajuda)
Larga as pessoas que te fazem duvidar da mãe que és
Larga as pessoas que te fazem duvidar da bondade do teu filho
Larga as pessoas que te fazem duvidar do amor que existe no coração de ambos

RECONHECE
Reconhece que estás a fazer o melhor que podes
Reconhece que és a mãe que o teu filho precisa
Reconhece o teu valor que vem de dentro (e que não há nada nem ninguém que te possa tirar)
Reconhece que mereces cuidar de ti e mimar-te todos os dias
Reconhece que o teu filho, independentemente do que faça ou diga, só quer, tal como tu, ser amado e respeitado.

Mas como podes conseguir isto?

Sozinha é difícil, sem dúvida. 
Por isso não tenhas medo: pede ajuda! 
Porque tu mereces.
Porque o teu filho merece.

Não há nenhum assunto mais importante do que tu ou o teu filho, não te iludas. 

E se o meu filho for mesmo mal educado? – perguntas.

Se for, não reajas com medo, raiva, irritação. Reage com amor. Reage tendo sempre em mente a pergunta: pensando a longo prazo qual será a melhor atitude a ter com o meu filho para que ele aprenda a ser um ser humano melhor? 

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E é este o meu lembrete de mim para mim e para quem assim sentir. Lembrar-me sempre de responder à sua raiva, irritação, mal educação com AMORRRRRRRR.  

Se o teu filho não conseguir ser bem educado: ensina-o a ser com educação. Não o deixes sozinho no quarto em castigo. Ele não está a aprender nada. 

Sentes que não consegues?

Realmente sozinha é difícil, sem dúvida. 
Por isso não tenhas medo: pede ajuda! 

E não te iludas, não há nenhum assunto mais importante AGORA a tratar do que tu ou o teu filho. Não encontres desculpas para reencontrares o AMOR que tu e o teu filho são.

Olha para a imagem que está nesta publicação. Esse menino acabou de se deitar no chão da sala e disse que não queria fazer os desenhos. Achas que ele merece ser castigado ou ajudado? 

Sabias que existe uma tribo que quando uma pessoa faz algo de errado a chamam ao centro e todos lhe dizem como tem um bom coração.  É isto: nesses momentos relembra ao teu filho como ele tem um bom coração.

É possível acederes a outros recursos para ajudares o teu filho. Se eu consegui, tu também consegues.

Se sentires que precisas de ajuda envia-me email para: carlapatrocinio33@gmail.com

Um abraço apertado,

Carla Patrocínio

 

 

A lista de estratégias para lidar com o (teu) meu filho desafiante

Nesse preciso momento parecia um animal primitivo. A imagem que me vem à cabeça é um daqueles gorilas com os dentes e garras de fora, com ar assustador e violento. Uma imagem perturbadora. Gritei, menosprezei, comparei. Magoei-o verbalmente o mais que pude. Aquilo que o meu filho tinha feito era inadmissível.

“Ele estava a testar os  meus limites!”

“Ele estava a faltar-me ao respeito”

“Ele estava a gozar com a minha cara”

Claro que a seguir veio o arrependimento. Horrível. Chicoteei-me mentalmente até ficar com marcas. Aquela minha atitude estava completamente em desacordo com o que dizia a lista de estratégias que me tinha sido entregue para lidar com o comportamento do meu filho. Ora, sendo o meu filho uma criança ansiosa e com dificuldades em regular as suas emoções, o meu comportamento devia ter sido o oposto ao que tinha sucedido.

Uma mãe calma, dialogante, empática que desse o exemplo ao seu filho de como lidar com os momentos mais desafiantes da vida precisava-se.

Senti-me uma porcaria de mãe (para não dizer pior). A lista de estratégias, essa, lá estava, no frigorífico, a olhar para mim: toda altiva no seu pedestal. Deu-me uma raiva.

Olhei de relance para a dita e li na diagonal:

“Estabeleça regras, mantenha a calma, seja consistente, não recorra ameaças…”

Deu-me uma raiva tão grande da minha impotência para cumprir com a lista que a rasguei aos bocadinhos. Lixo.

“Pois sim. É tão fácil escrever uma lista do que devemos ou não fazer. Esqueceram-se foi de explicar COMO. COMO é que conseguimos fazer isso na prática? “, pensei eu.

“Como não gritar, como não me passar, como não me saltar a tampa. COMO ?”

Juro que tentei ficar impávida e serena. Juro. Mas não consegui. E não era a primeira vez que aquilo acontecia. O meu filho parecia conhecer os meus gatilhos de cor e salteado. E aquela lista era muito limitada – não me ensinava a lidar com as emoções assustadoras que o meu filho me despertava.

É tão fácil dizer o que os pais devem ou não fazer e, às vezes, tão difícil de aplicar não é?

Como evitar que nos salte a tampa perante comportamentos desafiantes?

De repente as emoções tomam conta de nós e pum: parecemos primitivos.

Mais do que uma lista temos de saber COMO podemos não ser arrastados por essas emoções que nos chegam sem aviso. Ter recursos e ferramentas para tal. Como?

Faz-me lembrar uma vez o meu filho que me disse: “Mãe todos me dizem para ficar mais atento mas ninguém me explica COMO fazer isso!”. Eu fiquei a olhar para ele embasbacada sem saber o que dizer, sabia lá eu como é que ele podia estar mais atento, eu só sabia que ele tinha de estar mais atento, ponto final. COMO podia estar mais atento? Neste caso tive de ir à origem do processo: explicar o que é a atenção, como se processa, como funciona, como se realiza na prática. Claro que isto de uma forma apropriada à sua idade.

O mesmo se passa connosco. Se quisermos seguir e cumprir com a lista, antes da lista, temos de ir à origem, que é como quem diz: olhar para nós – ter consciência dos nossos gatilhos, conhecer a nossa história, dar-lhe significado e fazer as pazes com o nosso passado. Não podes calar o grito se não souberes de onde ele vem, entendes?

E assim que rasguei a lista decidi colocar uma folha no frigorífico em substituição com um recado de mim para mim: URGENTE PROCURAR AJUDA – PARA MIM!

Podes ter a melhor lista de estratégias e até podes conseguir cumprir com sucesso alguns dos itens mas há momentos, há momentos, que o teu filho te confronta contigo, com as tuas feridas, vergonhas, fantasmas e, nesse momento, a fera sai e não há nada a fazer: adeus lista.

Ontem o meu filho mais velho fez perguntas e comentários que não gostei. Comentários que revelam características de personalidade que não admiro, que até chego a abominar. No momento consegui não reagir mas fiquei bastante tensa interiormente. “De onde saiu esta atitude do meu filho?”, questionei-me. Observei-me e esperei acalmar-me. Não o julguei, apesar de na minha mente terem surgido uma série de frases malévolas para lhe dizer.  Hoje perguntei-lhe o porquê de tais comentários e ele explicou. Afinal tinham lógica, justificação, razão de ser. Não gostei de os ouvir porque esses comentários mostram partes minhas que não gosto de assumir, que tenho vergonha. Foi duro mas tornou consciente algo que preciso de trabalhar em mim. Há uns anos tinha-me passado por completo. Hoje em dia já consigo seguir a tal lista, a minha lista. Sim, eu criei a minha lista para lidar com os seus comportamentos, uma lista com base nos meus valores. E o meu filho aprendeu a regular as suas emoções.

Descobri mais tarde:

Ele não estava a testar os  meus limites – ele estava a pedir a minha atenção

Ele não estava a faltar-me ao respeito – ele estava a querer ser respeitado

Ele não estava a gozar com a minha cara – ele queria que eu o aceitasse tal como ele era

Esta mudança de paradigma foi essencial.

Sabes às vezes sinto que tudo está ao contrário. Ora reflecte:

Procuramos ajuda para os nossos filhos e esquecemo-nos de ajudar a nós (o pilar principal dos nossos filhos).

Queremos que sejam atentos e calmos e andamos a correr, desatentos ao que se passa no nosso interior e exterior.

Queremos que sejam empáticos, solidários e carinhosos e comunicamos de forma violenta sem olhar nos seus olhos.

“Mãe, é estranho o mundo”, disse o meu filho. O meu Gui é um verdadeiro detective das incongruências que existem no mundo (o que é uma chatice às vezes) e, por isso, estou sempre a tomar consciência das minhas.

Não, não há lista, não há lista, que possamos seguir a preceito se não pararmos e olharmos para nós com olhos de ver.

Antes da lista, antes do teu filho, estás tu. É para ti que tens de olhar em primeiro lugar. Ele é só um reflexo do ambiente ao seu redor.

Lembra-te que é possível viveres em paz com a mãe/pai que és. Mas tens de parar. Parar, estar em silêncio e olhar para ti. É ai, dentro de ti, que as melhores respostas estão. Porque és tu que sabe o que é melhor para o teu filho. Tu podes fazer a tua própria lista.

Acredita: é possível viveres em paz com a mãe/pai que és. Não sempre, porque a vida real não é assim, mas a maior parte do tempo. E claro isso terá repercussões no teu filho. Daquelas boas, positivas, que tu desejas. E neste processo de harmonizares a relação com o teu filho há uma descoberta maravilhosa que fazes: quem és tu.

Por isso, os meus filhos são meus mestres. Os teus também podem ser teus mestres.

Se quiseres a minha ajuda estou aqui: carlapatrocinio33@gmail.com

Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

 

 

 

 

Apoio Mindful para pais de crianças com hiperatividade (ou mais agitadas)

Desesperantes. Não posso qualificar esses anos de outra forma: sentia-me perdida, cansada, esgotada e, às vezes, revoltada, muito revoltada – questionava-me muitas vezes: “porquê a mim?”. Recordo-me de um dia estar na Ericeira. Observava o mar azul e o laranja do sol; em setembro, costumávamos desfrutar destes dias, quentinhos, cheirosos, inspiradores: as habituais despedidas de verão. Mas nesse dia não, nem a beleza do local me apaziguava, nesse dia chorava, uma dor imensa e profunda acercava-se de mim. Só conseguia sentir-me vítima. Estava farta!

Os primeiros anos de vida do meu filho foram assim. Aos seus 2 anos começaram as perguntas (o que será que ele tem?), iniciámos a procura, percorremos vários caminhos que, no final, se desvendavam sempre becos sem saída. E nós – mãe e pai – sentíamo-nos cada vez mais destruídos interiormente.

A mãe confessa. Gostava que me tivessem perguntado como me sentia. Gostava que me tivessem escutado com atenção. Gostava que me tivessem devolvido a confiança perdida. Gostava que me tivessem abraçado. Gostava que me tivessem olhado com olhos de ver. Gostava que me tivessem dado colo. Mas não, estavam todos tão focados e centrados no meu filho, no seu comportamento, em “consertar” as suas falhas, em opinar e julgar, que se esqueceram de um aspeto fundamental para o seu equilíbrio: o estado emocional dos seus pais. Eu sei que não foi intencional – o importante era ele – mas a verdade é que não me sentia emocionalmente equilibrada para o ajudar. Quando o meu filho foi diagnosticado com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção disse “basta!”: preciso de cuidar de mim. E a partir desse momento, desse preciso momento em que comecei a olhar por mim, o meu filho começou a abrandar e melhorias começaram a acontecer.

Todos os apoios atualmente existentes para ajudar estas crianças são importantes, necessários e válidos mas não são suficientes porque se esquecem de apoiar o sistema principal que as suporta e guia: o familiar. Sem que esse sistema esteja em equilíbrio, tudo o resto são apenas pensos rápidos. O apoio existente tem de envolver os pais.

O que falta afinal?

Um apoio mindful – compassivo, amoroso, humilde, atento – aos pais destas crianças.

Um apoio que deve passar 5 mensagens potenciadoras:

Tu mereces

Antes de tudo, como está o pai e mãe? Como se sente? Como descodifica o que se está a passar? Quais são as suas necessidades? De que forma se cuida? Qual a narrativa que construiu em relação a esta situação? O estado emocional dos pais é o ponto de partida para ajudar estas crianças. E às vezes temos que revisitar o passado destes pais: Que crianças foram? Que tipo de pais tiveram? Estes pais merecem ser vistos, escutados, reconhecidos. Sem julgamentos. E têm de ser incentivados a cuidar de si e da sua relação. Não devem ter receio de pedir ajuda aos familiares, aos amigos, …. Isto não é sinónimo de fraqueza mas sim de coragem, de amor: por si e pelos seus filhos. Os pais devem sentir-se merecedores de toda a ajuda e atenção.

Tu sabes

Mais do que transmitir uma série de estratégias – uma lista – para lidar e/ou mudar os comportamentos dos seus filhos, ir mais além. Será que as estratégias oferecidas estão de acordo com as intenções dos pais que querem ser? Será que são congruentes com o que sentem? Porque se tal não acontece, é provável que os seus filhos captem a discrepância entre a sua boca e coração. As crianças são especialistas em apanhar o não-dito. É importante restituir a confiança – de ouvir o seu coração – a estes pais. Com a oferta de uma panóplia de informações desconectadas com o seu sentir ficam perdidos nas respostas a dar. Porque eles sabem o que é melhor para os seus filhos: só é necessário que as estratégias delineadas unam o seu coração e mente para lhes devolver a confiança perdida.

Tu tens valor

Aos pais surge muitas vezes a pergunta: porquê a mim? Aparece a vergonha, a culpa, o medo. Emoções que levam à ansiedade, e que, por consequência, originam respostas reativas em relação aos seus filhos. Os olhares dos outros, as críticas, os comentários depreciativos,… expandem estes sentimentos. A sua autoestima fica um caos. Sentem-se pais incompetentes. “Onde será que falhei?”. É a pergunta que aparece muitas vezes. Claro que exercer parentalidade a partir deste ponto não ajuda os seus filhos. Ensiná-los a lidar com as suas emoções contrativas. Escutar o que sentem. Mostrar-lhes que valem, que são os pais que os seus filhos precisam, é essencial para que nos momentos de grande julgamento interior e exterior o amor por si próprios não fique abalado. Entender que a sua autoestima não deve depender de qualquer desempenho que os seus filhos possam ou não ter é determinante para conseguirem responder de forma consciente aos seus filhos.

Tu és capaz

Ok, tudo isto é muito bonito mas como lidar com estas crianças diariamente? Como viver a rotina com qualidade e amor? Como responder serenamente em vez de reagir impulsivamente? Como comunicar de forma empática? Como escutar ativamente? Como dizer que Não sem entrar numa espiral de agressividade? Como estar realmente presente? Como criar uma autoestima saudável ao meu filho? Como perceber quais são as suas necessidades? O Mindfulness, a Parentalidade Consciente, a Comunicação a partir do coração, são os “segredos” a desvendar a estes pais para que saibam lidar com estas crianças de forma amorosa no seu dia-a-dia.

Tu desvendas

O teu filho não é essa perturbação, é muito mais. O que existe para além? Que imagem estou a construir e, às vezes, sem intenção consciente, a perpetuar? Como posso ajudar o meu filho a expandir todo o seu potencial criativo? Como procurar a essência e não ficar pela máscara? Mais além. Ajudar os pais a desvendar o que de único e especial tem o seu filho é essencial para ajudar estas crianças a serem livres para ser quem realmente são.

O que acompanha estes pais…  

Não pode estar simplesmente ali só por estar. Presença consciente é necessária. E não está num pedestal. Tem uma profunda humildade e respeito por aqueles pais. Devolve-lhes a força, a confiança, a autonomia e a independência porque sabe que isso é essencial para que consigam ouvir e captar as lições que os seus mestres – filhos – lhes têm para lhes ensinar. Escutar o outro sem o julgar, aceitando o que se apresenta. Empatia. Compaixão. Silêncio. Presença.

Como diz C. Jung: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”

Porque, com base na minha experiência pessoal e dos casos que acompanho, esta atenção aos pais é muitas vezes o que basta para que aquela criança acalme. E isto, sem dúvida, traz consequências maravilhosas.

Claro que para além deste sistema – o familiar – existe outro sistema a ser cuidado para que o tratamento seja mesmo eficaz: o escolar. Mas este ficará para outro artigo.

Por agora, termino com dois pedidos para os que rodeiam estas crianças:

O primeiro pedido – aos seus familiares, aos seus professores, aos seus médicos, aos seus amigos:

Olhem de forma mindful para os pais destas crianças. Sem julgamentos. Eles precisam da vossa atenção. Um abraço, um olhar, um momento verdadeiro de escuta – fazem milagres.

O segundo pedido – aos pais destas crianças, principalmente às mães (que são as que normalmente estão na linha da frente):

Cuidem de vocês. Porque merecem. Porque os vossos filhos ganham. E não adiem, nem desistam. O caminho é árduo mas, em simultâneo, muito revelador e bonito.

Se sentirem que precisam de ajuda, estou aqui: carlapatrocinio33@gmail.com

Carla Patrocínio

 

Artigo publicado no blog da Academia de Parentalidade Consciente

O meu filho é desobediente, e agora?

Os meus filhos, principalmente o mais velho, faz-me muitas vezes revisitar a minha criança. Nestas últimas semanas este regresso foi constante. É triste observar o meu filho a viver os mesmos rótulos do que eu, rótulos esses que sei que ficam marcados na alma e dos quais nos é muito difícil de libertar. Eu sei porque ainda continuo neste caminho de me aceitar tal como sou, com tudo o que sou.

Sabemos quem somos através dos olhos de quem nos rodeia na nossa infância, das referências que vamos tendo ao longo dessa época. A partir do ponto de vista da família, amigos mais próximos e professores vamos construindo a nossa autoimagem.

A minha foi esta: agitada, louca, desenfreada, superficial, imprevisível, explosiva, desobediente, difícil, … Isto foi o que me ensinaram que eu era. E é esta a imagem que me agarro quando me perco, mesmo hoje em dia.

E assim andei durante muitos anos – a tentar defender aquilo que pensava que era e a esconder tudo o resto. Porque era esquisito, porque era estranho, porque não fazia sentido, porque era uma vergonha, ser mais do que isso ou o contrário disso.

Depois de um longo caminho, e pelos meus filhos, fiz as pazes com o que pensava ser feio (afinal não era) mas que também fazia parte de mim: sou profunda, emotiva, sensível, previsível, maternal, carinhosa, … às vezes chega a ser paradoxal o que sou, mas a verdade é que quando aceito essa plenitude em mim, esse todo que sou, essa contradição aparente, quando aceito isso – é quando estou verdadeiramente em paz.

Não vou mentir, ainda me custa assumir essas partes que reneguei tanto tempo. Há momentos que parece que é quase instintivo defender a minha antiga identidade – quase como se fosse um instinto de sobrevivência. Não posso mostrar a minha sensibilidade, profundidade, emotividade, serenidade, … Não posso fazer isso porque a agitada, louca, desenfreada, desatenta, inquieta, ansiosa, … não pode ser também isso.

Então ando às avessas: quem sou eu afinal?

Não sei, sou tanta coisa que até me assusta.

Antes dos meus filhos talvez tudo fosse mais fácil. Era isto e ponto. Mas agora não. O amor pelos meus filhos não me permite isso.

Agora às vezes perco-me dentro de mim. Quem sou eu afinal?

Há momentos que me apetece possuir o mundo, tenho fome de vida, desejo sentir tudo num minuto. Há instantes que enrolava o mundo nos meus braços se pudesse, que esgotava todos os meus sentidos num minuto, que explodia de loucura.

Há outros que só me apetece o contrário. Quero a rotina, a tradição, o bom costume. Quero o abraço, o ninho, o olhar mudo, o silêncio, a terra. Quero férias da vida, desaparecer, ficar no meu cantinho.

Porque tenho tantas dificuldades em saber quem sou?

Até hoje estou a tentar saber quem sou para além dos rótulos que me colocaram.

Ensinaram-me que era daquela maneira e, como não sou isso, perco-me.

Não gostava de estudar. Era uma irresponsável. Só pensava em mim. Era desorganizada e desarrumada. Era impulsiva, desatenta e trapalhona. Muito desastrada. Algo obcecada. Detestava estar muito tempo a ouvir as pessoas. Esquecida. Perdia coisas. Insatisfeita. Levava tudo à frente. Respondona. Não ficava calada. Expansiva demais. Falava demais. Mal educada. Desobediente. (É mesmo só isto que eu era?)

Depois escondia o resto.

Uma história que comprova isto. Sempre fui aluna mediana menos, desatenta, inquieta, interferia com o bom funcionamento das salas de aula. Um dia decidi estudar e tive 17 e 18 nos testes de ingresso para a universidade (na altura, chamadas as Específicas). Acreditam que não disse a ninguém! Tive vergonha… Ainda me lembro de confirmar se não me tinha enganado a ler a pauta das notas. Só podia ser engano!. A desobediente não podia ser inteligente. Era uma vergonha! Não podia ser, isso não era quem eu era.

E porque escrevo isto?

Por causa da minha, da tua, das nossas crianças.

Os rótulos que colocamos nos nossos filhos, netos, alunos, … são papéis que os aprisionam. Exemplo: uma criança que é rotulada de desobediente não pode colaborar facilmente, assim como uma criança agressiva não pode abraçar ou beijar. É uma vergonha, não tem sentido, ser o oposto.

Os rótulos condicionam de tal maneira que quando cheguei à adolescência e fui escolher que curso superior queria tirar optei por não escolher Psicologia porque acreditei que não tinha perfil. (Eu, que era uma desobediente, como poderia ajudar os outros emocionalmente?.)

Tentamos validar a tudo o custo os rótulos que nos impõem. E tanto faz estes serem positivos ou negativos – os rótulos bloqueiam sempre: uma menina bem comportada é capaz de ter muitas dificuldades em comunicar os seus limites, porque diz sempre que sim a tudo, entendem? E imaginam os impactos que isto tem quando essa menina for adulta?

Os rótulos condicionam tanto as capacidades dos nossos filhos como nos bloqueiam a nós de vivenciar e reconhecer o nosso filho como um todo. E só quando reconhecemos essa plenitude os permitimos ser realmente felizes.

Mas antes de tudo, temos que refletir sobre as crenças que criamos sobre nós mesmos para termos consciência do tipo de impacto que estas têm na nossa vida adulta. Coloca-te estas perguntas:

Quais foram os rótulos que me foram atribuídos desde que era criança? Como é que esses rótulos impactaram na minha vida? O que deixei de fazer por continuar a acreditar nesses rótulos? Quem sou eu para além desses rótulos? Repito: quem sou para além desses rótulos e papéis?

Pensa nisto, pensa nisto, e escreve-me. Este o ponto de partida para ajudares o teu filho a ser livre para ser quem é.

Hoje em dia continuo neste caminho de me libertar dos rótulos que me impuseram porque aqui entre nós: é um devaneio passar o resto da minha vida a acreditar e a querer enquadrar-me num papel que não é o meu. Já decidi que não vou mais acreditar na vozinha que existe na minha cabeça. E por isso: nem imaginam o que vem por ai … quantos rótulos limitantes estou prestes a largar. Surpresas para breve!

Pergunto-me muitas vezes: quais são as amarras que ainda não me deixam ser quem sou?

Eu quero ser plena, inteira, toda. Quero dançar de forma louca mas também quero saber pedir colo e chorar sem me sentir tola, inferior. Ainda rejeito partes de mim. Ainda me pergunto: será que uma louca pode ser sensível, emocional, profunda, séria?

Quero que os meus filhos sejam livres para ser quem são, mesmo que isso às vezes possa ser paradoxal, porque é nestas contradições que está o nosso tão falado “je ne sais quoi”. Porque escondemos, como se fosse um segredo secreto, aquilo que mais nos ilumina e nos torna únicos?

Quem é o teu filho, afinal?

Desvenda o que existe no outro lado. Mostra-lhe tudo o que ele é. O desobediente pode ser simplesmente sensível ou diferente.

Finalizo com uma ressalva: este desvendar que proponho não significa aceitar, aprovar, concordar com tudo o que o teu filho faz. Significa simplesmente não passares a vida a dizer: “és sempre assim”, “já estás a fazer isso outra vez”, “nunca mais aprendes”, “cometes sempre os mesmos erros”, “nunca obedeces”… aliás, um conselho: apaga este tipo de advérbios do teu discurso: “sempre”, “jamais”, “nunca”, “já”. Normalmente são utilizados para julgar ou rotular. E substitui o verbo “Ser” pelo verbo “Estar”: em vez de “tu és desobediente” podes dizer “estás pouco colaborante”. Está atento à tua comunicação!

O teu filho é desobediente, e agora?

Desvenda: quem é ele para além desse rótulo? 

É que quando descobrires o que existe do outro lado da moeda poderás ajudá-lo a usufruir de todo o seu potencial. E ele, livre dessa caixinha, dessa prisão, pode finalmente VOAR.

A desobediência não se “trata” com desrespeito mas sim com amor, presença, atenção, conexão, respeito.

Queres saber o que existe para além? Quem é o teu filho para além desse rótulo? Ouve o teu coração. Queres saber como? Envia-me mail para carlapatrocinio33@gmail.com

O meu filho com a sua suposta “desobediência” faz-me olhar para dentro, conhecer-me cada vez mais e amar-me de forma inteira.

Abraço desobediente mas muito sensível da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

Quando o teu filho te leva para caminhos inesperados …

“És burra, és burra, és burra, és burra…”, dizia a minha voz interior.

“Não vales nada, não mereces nada, ….” , continuava ela.

Não, não posso mostrar isso aos outros. Não posso. Vamos lá beber uns copos… vamos lá fazer umas compras… vamos lá comer porcarias… vamos lá fugir…

E aquilo até resultava durante algum tempo – mas, raio, merda, era efémero.

Depois nasceu o meu primeiro filho. E a grande esperança!

Era ele, era ele, que ia provar que não era o que pensava ser, era ele que ia preencher o tal vazio. Ele ia ser o melhor! O melhor em tudo!

Ele ia ser o agente responsavél por finalmente provar que a minha voz interior estava errada. E durante uns tempos até aconteceu isso. Nasceu perfeitinho: lindo, gordinho, fofinho … tudo conforme as minhas expectativas…

Até um dia… que ele escangalhou e destruiu por completo o que tinha planeado.

Mas abdicar deste sonho não foi fácil . Chorei tanto… Tive tanta raiva… Ainda tentei pressioná-lo para ser conforme o que sonhei inicialmente… mas não, o miúdo desfiava-me cada vez mais. Era uma batalha, uma verdadeira batalha!

“Porquê? Porque é que não podia ser tudo mais simples?” – indignava-me, enraivecia-me, vitimizava-me.

E ele, a partir da sua postura que me parecia desafiante e indiferente, comunicava-me: “Estás a depender de mim para gostares de ti? Não Mãe, eu não tenho essa missão, vais ter ser melhor do que isso.”

Resisti, resisti, resisti, resisti mas ele não me dava tréguas.

Suspiro longo… e finalmente percebi: vou ter que encontrar outro meio de lá chegar – ao amor-próprio.

A responsabilidade não era dele, era minha, o peso que estava a colocar em cima de uma criança…

Naquela altura não tinha consciência, não tinha, e fiz o melhor que pude.

Mas a partir do momento em que ganhei a dita não me restou outra saída: tive de ir … tive de ir à caverna … não me sobrou outra hipótese…

Os desafios, as teimosias, os comportamentos dos nossos filhos como reagir?

Dói muito ao princípio.

Dói, dói, dói. Tu querias que ele fosse diferente. Não era isto que tinhas planeado.

Perguntas muitas vezes: mas “porquê eu? porquê a mim?”

Depois há uma encruzilhada e tens que decidir: 
– ou ficas no teu “pedestal”, com as tuas crenças habituais e te desconectas do teu filho;
– ou paras, segues o teu instinto e vais à procura de respostas. Aqui não há rede, estás perdido e, às vezes, sozinho. 
(No meu caso, tinha a Maria.)

Eu escolhi a segunda opção. E tu?

Continua a doer. Custa. Não é fácil. Não é nada fácil. Não tens certezas de nada. Aqui pões tudo em causa, inclusive o que pensas que és. Chegas a perder a tua identidade ou pensas tu. Mas pelo teu filho vais. 

Durante um tempo andas à deriva. Mergulhas até aqueles locais sombrios do teu ser, revisitas lugares que pensavas já esquecidos, feridas que pensavas já saradas. Mas pelo teu filho vais. 

Às vezes ficas farta de conviver com esses fantasmas, gostavas de voltar a ser quem eras dantes mas já não dá. Já não dá para voltar atrás. Dói mas pelo teu filho vais. 

Muitas vezes parece que estás no meio de uma tempestade em pleno mar alto. Daquelas mesmo escuras e assustadoras, com tufões à mistura. Para conseguires sobreviver só te resta flutuar que é como quem diz: confiar. Em quê? Não sabes. Só te resta mesmo isto: confiar. Confiar no que vier, independentemente do que for. Mas pelo teu filho confias.

E é então que, sem nada onde te agarrares, começas a fazer algo que nunca fizeste: ouvir o teu coração. E este Senhor diz-te o caminho a fazer. De vez em quando achas que não faz sentido (o raio da mente) mas o sentido habitual deixa de ter lógica e pelo teu filho ouves.

O teu filho e os seus desafios…
Se estiveres recetivo e atento
Ele leva-te a lugares nunca antes pensados.
Ele encaminha-te para rumos nunca antes equacionados
Ele traz-te presentes nunca antes desembrulhados
E sem querer, pum: estás mais próximo daquilo que és. Da tua Essência, da tua Verdade.

É o meu desejo para ti: que te aproximes mais de quem és realmente. Que sejas mais e mais Verdade. Dói mas pelo teu filho vai! É que chega uma determinada altura do caminho que já não é pelo teu filho que vais: é por ti. E isso é brutal!

O que eu te quero dizer: que está na hora, está na hora, de não responsabilizares mais o teu filho pelo que queres, pelo que sentes, pelo teu amor-próprio.

O teu filho desafia-te? Que caminho vais escolher: vais ficar no teu “pedestal”, com as tuas crenças habituais, desconectando-te dele ou vais parar, seguir o teu instinto, e procurar novas respostas? A chave para uma relação mais harmoniosa com o teu filho está na tua mão. 

Está na hora, está na hora, de construíres uma relação autêntica com o teu filho. A oportunidade é Agora!

Se escolheres a segunda opção envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com e requisita uma sessão introdutória de 1H comigo via skype ou telefone para conversarmos sobre isso.

Um abraço consciente,

Carla Patrocínio

Coach Parental, Especialista em Famílias Agitadas

Qual a maior lição que o teu filho te ensinou?

Eu tinha medo de me expor. Ao contrário do que possa parecer, eu tinha muito medo de mostrar quem realmente era – a minha essência. Existiam partes de mim que escondia, inclusive de mim própria. Tinha medo de as mostrar com vergonha, sim vergonha, do que poderiam achar. Hoje, não vou mentir, o medo continua cá mas agora já não me bloqueia: observo-o e atravesso-o. E isto devo-o aos meus filhos. Cada um, à sua maneira, tem-me ensinado a viver assim: a Vida com Ousadia!

Se tivesse que resumir em apenas uma frase a maior lição dos meus Mestres seria esta: Viver a vida com ousadia.

Se há uns anos me fosse possível programar a vida do meu filho, Gui, ele seria o melhor em tudo – o melhor aluno, desportista, dançarino, músico, comunicador, … E talvez tudo fosse mais fácil (o meu ego pelo menos ficaria muito contente) mas … não viveria a vida com ousadia.

Claro que viver a vida com ousadia não é fácil. Há momentos que te sentes a rasgar por dentro. Há momentos que colocas tudo em causa. Há momentos de medo, ansiedade, dúvida, desespero… Há momentos que parece tudo confuso até que … voltas a respirar e percebes que está tudo bem.

O filho ensinou-me isto. Apesar do medo, avança. Apesar do que os outros pensam, avança. Apesar do que tu pensas, avança. E apesar do caos, está tudo bem. 

Mas isto foi/é uma escolha. Isto exigiu (e) esforço, trabalho, persistência.

Poderia ter escolhido outro trilho.

Poderia ter continuado a pressioná-lo para ele ser conforme as minhas expectativas.

Poderia ter continuado a controlá-lo para agradar aos outros.

Poderia ter continuado a querer ser alguém através dele.

Poderia ter continuado a querer que ele cumprisse os meus sonhos.

Poderia ter continuado a compará-lo, menosprezá-lo, criticá-lo, castigá-lo por ser como é.

Poderia ter continuado com discussões constantes.

Poderia ter continuado agarrada à perfeição.

Poderia ter continuado a sentir-me vítima da situação.

Poderia ter continuado a sentir vergonha, culpa, desespero, ansiedade.

Poderia ter achado que não me restava nenhuma saída senão “domar” o meu filho agitado, ansioso, desconcentrado, teimoso, …

Poderia sim.

Mas depois de anos a procurar fora, sem grandes efeitos, decidi virar-me para dentro. E nesse local percebi: era eu, era eu, que tinha de mudar de “lentes”.

O meu filho não tinha de ser mais quieto e calado

O meu filho não tinha de ser mais sério e introvertido

O meu filho não tinha de ser mais atento e obediente

O meu filho não tinha de ser igual a ninguém

O meu filho não tinha de encaixar em nenhum padrão

O meu filho só tinha simplesmente de ser tal como ele era!

Respeitando os outros como tal como eram.

Tal como eu! Eu também não tenho que ser de outra forma. Ao aceitá-lo, aceitei-me.

O meu filho só tinha simplesmente de ser tal como ele era!

Tal como tu, tal como teu filho!

O meu filho ensinou-me a viver assim: a viver a vida com ousadia.

E viver com ousadia é acreditar num mundo onde todos podemos ser quem somos tal como somos – onde todos temos necessidades especiais, onde todos temos talentos únicos e originais, onde todos temos algo e não falta de algo, onde vamos para além do que é visível, onde confiamos e acreditamos no potencial de cada um, onde não nos conformarmos porque “é assim e não há nada a fazer”, onde desvendamos sempre uma saída, onde não nos deixamos engolir pelo sistema, onde acreditamos no AMOR !

E sim, poderão chamar-me de louca, mas vou empenhar-me nisto com amor e paixão. E sim, sei que vai haver sangue, suor e lágrimas. E sim, sei que vou errar e sofrer desilusões. E sim, sei que vou ouvir críticas e repreensões. Sei disso tudo, mas os meus filhos não me deixam nenhuma hipótese, senão esta: viver a vida com ousadia.

E tu, qual foi a maior lição que o teu filho te ensinou? E tu, vives a vida com ousadia? 

Caso te queiras juntar a este movimento então envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com e requisita uma sessão introdutória de 1H comigo via skype ou telefone para conversarmos sobre isso.

Um abraço ousado,

Carla Patrocínio

Coach Parental, Especialista em Famílias Agitadas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como ajudar o meu filho ansioso?

Filho – Mãe estou com medo e se tiver uma “branca” no teste?

Mãe – E se tiveres, qual o pior que te pode acontecer? 

Filho – O pior é ter negativa no teste.

Mãe – E ?

Filho – Hum… acho que não vou ter nenhuma branca. 

Este diálogo há uns anos poderia desenrolar-se e ter um fim muito diferente. A resposta à sua pergunta poderia ir desde negar o seu medo (Claro que não vais ter nenhuma branca!),  ameaça-lo com castigos (Se tiveres branca não há IPad) até expandir o seu receio (Atenção no teste que podes chumbar o ano!). Afirmações “pólvora” para o desencadear da dita ansiedade.

Hoje em dia relativizo estas questões e tento sempre colocá-lo no pior dos cenários que para que ele perceba que afinal tudo está bem. E não pensem que o meu filho é um aluno com notas XPTO. É sempre tudo muito incerto: altos e baixos sem possíveis previsões. Mas há uns anos não o conseguia. O medo apoderava-se de mim: do que poderia acontecer no seu futuro. A minha mente construía uma série de cenários catastróficos: “ele ia chumbar!”, “ele não ia aprender”, “ele seria um adolescente com muitas dificuldades”, “ele seria um adulto muito infeliz” e blá, blá, blá …. E dessa forma – por medos meus – o meu filho começou a perceber que existiam razões para se preocupar, para também ter medo. E assim conheceu a Sra. Ansiedade.

E o exemplo que dei foi apenas uma das muitas situações em que o medo dominava a nossa relação. Existia uma pressão constante, que na altura não tinha consciência, que exercia ao meu filho pelas mais diversas razões.

A verdade e que vivia com medo, a antecipar futuros dantescos, a achar que a vida não era de confiança.

Posso dizer que, sem falsa modéstia, sou especialista neste assunto – da ansiedade. Porquê?

Porque se existe uma palavra que sempre se colou a mim desde tenra idade foi essa mesma: ansiedade. E claro que o meu filho como espelho fidedigno da sua mãe seguiu o seu exemplo. Os primeiros anos da sua vida existiu algo que desmascarou imediatamente esse padrão, para além da sua agitação e impulsividade – a sua gaguez. Teve quase 5 anos de terapia da fala até que um dia a terapeuta me disse que já não havia nada a fazer, que a sua disfluência era provocada pela ansiedade e que só quando fosse adulto e aprendesse algumas técnicas de relaxamento a conseguiria ultrapassar.

Comecei então a pesquisar qual seria a melhor forma de o ajudar: yoga, meditação, apoio psicológico, … Tentei um pouco de tudo mas não vi grandes alterações.

Só depois de um longo caminho – de muita procura por respostas – percebi. O ultrapassar daquela situação começava em mim: como poderia o meu filho deixar de ser ansioso se tinha uma mãe ansiosa? Se a pessoa que era o seu modelo vivia com um medo constante do futuro?

O olhar para as minhas feridas, o abraçar a minha criança, o perdoar os meus pais, o dar sentido à minha história, o reconhecer e aceitar quem sou com tudo o que sou, o saber desfrutar do momento presente – tudo isto me trouxe o que há muito (desde tenra idade) ansiava: paz.

Isto não quer dizer que agora seja um modelo de serenidade como vimos nos retiros da Índia, não. Continuo a ser aquela pessoa que era – agitada, expansiva, proativa – mas sem essa emoção que me corroía e me fazia tratar mal. A minha essência continua cá mas agora sou feliz!

Atualmente esse problema da gaguez do meu filho já não existe. E poderão perguntar-se, sendo eu facilitadora de mindfulness e meditação para crianças, se não lhe ensinei algumas práticas que aprendi nestas formações. Claro que sim, mas essencialmente foi o meu exemplo que ele seguiu. Ele viu que eu lhe estava a ensinar era congruente com o meu comportamento. Que não eram só balelas, entendem? As crianças têm de ver esta ligação entre boca e coração para realmente aprenderem.

Por isso, antes de quaisquer práticas para trabalhar a ansiedade com as crianças temos de olhar para nós e questionarmo-nos: somos ansiosos?

E atenção à resposta, porque se há pessoas que se notam a milhas que são, há outras que, por debaixo de uma capa de aparente calma, existe um verdadeiro furacão prestes a entrar em erupção.

Então a resposta à pergunta – “Como ajudar o meu filho ansioso?” –

É simples: dando o exemplo. 

Como podemos fazer isso?

Começando a trabalhar a nossa própria ansiedade.

Se te reveste neste artigo e estás disposta a iniciar este processo podes começar a pensar nestas questões e enviar-me um email com as respostas:

  • Que situações parecem desencadear a minha ansiedade/ preocupação?
  • Que situações me fazem sentir mais ansiosa?
  • Como o meu corpo responde fisicamente a esta emoção? Observa!
  • Na minha comunicação existem algumas palavras, frases ou gestos que demonstram ansiedade? Observa!
  • Existe ansiedade na minha árvore genealógica? Como é que isso afetou a minha própria ansiedade?

O meu filho, Gui, de 11 anos de idade, às vezes, goza com as práticas de Mindfulness que tento transmitir-lhe mas depois presenteia-me com estas pérolas que me indicam: continua, é por aqui o caminho.

Gui – Mãe hoje uma amiga arranhou-me no ombro porque eu lhe disse que ela tinha cometido falta no jogo de basquetebol. Apeteceu-me mesmo bater-lhe.
Mãe – E o que fizeste?
Gui – Não lhe bati. Fiz aquela respiração que me ensinaste e que costumas fazer- a prática STOP – e consegui acalmar-me. Depois disse-lhe para não voltar a repetir.

E assim, através do meu exemplo, vai construindo um caminho com menos medo e mais confiança e capacidade de regular as suas emoções.

Mas tudo começa em nós.

E  tu, como respondes ao teu filho quando ele faz alguma coisa que o pode levar ao fracasso – com ansiedade ou serenidade, com medo ou confiança? 

A tua resposta a esta pergunta revelar-te-á se estás ou não a passar-lhe ansiedade.

Se quiseres dar continuidade a este processo e dar a volta à ansiedade do teu filho basta enviares-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com.

E sim, é possível Confiar na Vida!

E sim, é possível ajudares o teu filho a Confiar na Vida!

Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio

Como as birras – as da mãe – podem ser reveladoras

Esta semana foi semana de birras – da mãe.

Nem nós, adultos, reparamos o quanto às vezes andamos às voltas para dizer o que realmente sentimos e necessitamos.

Nem nós, adultos, reparamos o quanto nos é difícil pedir um abraço, uma palavra de reconhecimento, uma experiência diferente, ou qualquer coisa que o nosso coração sente.

Nem nós, adultos, reparamos como o nosso comportamento muitas vezes não revela o que realmente desejamos e precisamos.

E exigimos isso das crianças – pedindo “bom comportamento” à força – sem olhar o que está além.

Mas isto não vem do nada – fomos educados a comunicar de forma desligada do nosso coração: “Não digas isso que o senhor fica zangado”, “Isso não se diz que é feio”, “Não fales isso! Assim não comes o gelado”. E assim vamos engolido o que não nos serve com medo de assumir a nossa verdade.

Nestes últimos dias tenho andado a pensar nisto. Apesar de todo o trabalho de desenvolvimento pessoal continuo a vivenciar isto: dificuldade em dizer que não, em comunicar os meus limites, em assumir a minha verdade. Principalmente esta última.

O meu filho mais velho já me pergunta: “O que se passa Mãe?”. Este meu polícia sinaleiro indica-me logo que o caminho não é por ali.

A minha verdade. Parece que às vezes fica entalada na garganta por medo do que os outros pensam e dizem. E assim fico: frustrada, zangada, ansiosa. E como estas emoções têm que sair do meu corpo de alguma forma – os outros (os mais próximos) é que pagam. E reparo nisto porque hoje em dia já consigo observar com algum distanciamento – mindful – o meu comportamento. E o meu comportamento revela logo que algo não está bem: que é preciso assumir aquilo que o meu coração sente para deixar de ter necessidade de fazer as tais birras.

Um exemplo de uma birra da mãe esta semana: aborreci-me de forma exagerada com o meu marido por causa de uma lâmpada fundida que não foi trocada, que nunca mais é trocada! E torno-me uma verdadeira chata obsessiva com o raio da lâmpada! Faço uma daquelas birras!

Mas isto é apenas o que é visível. Não revela o que vai por dentro. O que queria mesmo não era a lâmpada trocada – era um “acredito em ti, tu és capaz”. E ao tomar consciência disto, nesse momento, pum: sei que está na altura de assumir o que verdadeiramente preciso.

Podia viver nestas embirrações constantes mas a questão é que a partir do momento em que ganhas consciência deste facto –  que o comportamento é um sintoma de que existe uma necessidade que precisa de ser satisfeita– não podes continuar a fugir. É que esta interrogação não te larga: “o que se passa afinal?”

Saber a causa da minha birra permitiu-me ter consciência do que precisava e, por consequência, transformar a birra em entendimento.

Hoje decidi “falar” das minhas birras mas este processo também se aplica às birras dos meus filhos. Ter consciência de que o comportamento deles não é senão um pedido de ajuda faz de mim uma mãe diferente. É que com esta consistência, repito: transformo a birra em entendimento.

Vejamos um exemplo:

A manhã com o meu filho de 2 anos. Não se quer vestir. Não se quer calçar. O choro em alto e bom som começa. Birra certa.

O que fazer?
Acordo mais cedo do que o habitual para lhe dar espaço e tempo para se preparar. Pode ser uma necessidade de maior controlo, rotina, segurança. Não resulta. Começo a ter um momento a sós – eu e ele – para um ataque de beijos e abraços. Pode ser uma necessidade de maior conexão, vínculo, presença. Não resulta. Crio então um cenário imaginário de como os seus amiguinhos da escola precisam que o Patrulha Pata – ele – os vá salvar. Pode ser uma necessidade de maior brincadeira, experiência, novidade. Não resulta. A única alternativa é obrigá-lo a vestir. Não. Decido parar e respirar. É então que me baixo ao seu nível e simplesmente lhe pergunto: “posso ajudar a vestir-te por favor para irmos para a escola?” E é assim que ele me responde com um ar de compreensão: “Tim” (tradução: sim). Pronto, era só isto: pedir, pedir com educação. Era uma necessidade de maior significância, reconhecimento, importância, respeito, que precisava de ser satisfeita.

Descodificares o que existe por detrás daquele comportamento desafiante do teu filho pode ser muito apaziguador para ti, para o teu filho, para a vossa relação.

Como é óbvio as birras vão continuar a existir mas tu com este conhecimento dás-lhes um novo significado. E isso muda tudo.

Mas então como fazer isto? Como descobrir o que está por detrás daquele comportamento desafiante?

No dia 21 de maio (10:00 às 13:00), na Casa Capaz, no Seixal, vem ao Workshop que vou facilitar “Como desvendar o segredo por detrás do comportamento desafiante do teu filho”. Vai ser divertido, desconcertante, prático, vivencial mas, ao mesmo tempo, muito sério e revelador.

Vens comigo?

Atenção:
Neste Workshop vais ser convidado a ir mais além. A experimentar outro caminho: o do amor. A decifrar o que existe por detrás da birra, da agressividade, do choro, do grito. Vais finalmente decifrar o que existe para além do que é visível: a necessidade emocional escondida. Que necessidade existe por detrás de determinado comportamento que precisa de ser vista, escutada, olhada, satisfeita?

Segue o link para te inscreveres: https://www.facebook.com/events/1400560416653392/ ou contacta: info@casacapaz.pt / 918 483 393

P. S – A minha birra revelou-me que preciso de assumir mais e mais a minha verdade, que quem tem que dizer que “tu és capaz” sou eu própria.

Caso não possas estar presente e queiras saber mais sobre este assunto então envia-me um email para carlapatrocinio33@gmail.com e requisita uma sessão introdutória de 1H comigo via skype ou telefone para conversarmos sobre isto.

Um abraço apertado da tua Coach Parental,

Carla Patrocínio